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Óleos essenciais, hidrolatos e oleatos. Você sabe a diferença entre eles?

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As plantas medicinais e fitoterápicos têm recebido crescente importância como recurso terapêutico e sendo utilizadas nos Programas Farmácias Vivas e demais programas de fitoterapia na Atenção Básica. Para que elas possam ser utilizadas de forma efetiva é necessário o processamento da planta, no todo ou em partes, com o objetivo de adequar a via e forma de administração, obtendo-se formas farmacêuticas de acordo com a necessidade para o uso.

As pessoas costumam se confundir com os termos e neste post iremos explicar as principais diferenças entre as formas farmacêuticas mais comumente apresentadas quando se trata de plantas medicinais e fitoterápicos: tintura, alcoolatura, chá, infusão, óleos essenciais, águas florais (ou hidrolatos), resinas e óleo de infusão (ou oleato).

Tinturas

Tinturas são soluções alcoólicas ou hidroalcoólicas dos constituintes químicos solúveis de plantas secas. O processo de extração ocorre à temperatura ambiente.

A concentração de ativos na tintura irá variar entre 10% a 20%, se comparado com os ativos presentes na planta que deu origem à tintura. As tinturas preparadas a partir de plantas que contêm ativos muito potentes (drogas heroicas) têm 10% de potência, ou seja, 100 ml da tintura tem a potência equivalente a 10 g da droga.

As drogas heroicas apresentam atividade farmacológica muito intensa, associada com possíveis efeitos tóxicos, o que equivale a dizer que possuem um índice terapêutico estreito. Isso significa que apresentam uma pequena diferença entre as concentrações terapêuticas e tóxicas.

Nestes casos, há a necessidade de cuidadosa monitorização da dose, dos efeitos clínicos e das concentrações sanguíneas destes fármacos, visando assegurar eficácia sem toxicidade. São exemplos de drogas heroicas: acônito (Aconitum napellus L.), beladona (Atropa belladona L.), cânhamo indiano (Cannabis sativa L.), cólchico (Colchicum autumnale L.), dedaleira (Digitalis purpúrea L.), estramônio (Datura stramonium L.), estrofanto (Strophantushispidus D.C.), fava-de-Calabar (Physostigma venenosum Balfour), hidraste (Hydrastis canadensis L.), ipeca (Cephaelis ipecacuanha – Brotero – A. Richard.), lobélia (Lobelia inflata L.), meimendro (Hyoscyamus niger L.), noz-vômica (Strychnus nux-vomica L.), ópio (Papaver somniferum L.).

As tinturas são preparadas por processo extrativo de maceração ou maceração seguida de percolação (a extração de componentes solúveis passando solventes por materiais porosos). Podem precipitar constituintes ao longo do tempo, em função da interação destes com o oxigênio, por exemplo.

A utilização de agentes que evitem ou prorroguem tais problemas é recomendada como forma de manter a integridade química e potência farmacológica do produto. Devem ser guardadas em recipientes bem fechados, protegidos da ação da luz e de temperatura superior ou inferior à média ambiente.

plantas medicinais

Alcoolatura

Forma extrativa obtida a partir da planta no seu estado fresco, empregando processos idênticos aos da preparação das tinturas.

Chá

As formas líquidas obtidas pela extração a quente com água, preparadas para uso imediato a partir de plantas frescas ou secas são chamadas comumente de chás. Na verdade, a nomenclatura chá deveria ser usada somente nos preparados com a Camellia sinensis que dá origem aos chás verde, preto, amarelo, azul ou oolong, chá branco e o chamado dark tea, também conhecido como chá vermelho ou pu-erh. Os preparados com outras ervas são denominados de infusão.

Para preparar o chá basta adicionar as folhas de Camellia sinensis numa xícara de água fervente e deixar repousar por 3, 5 ou 10 minutos. Depois deve tampar o recipiente e deixar amornar, coar e tomar ainda morno.

chá

Infusão

A infusão é o preparo em que as ervas ficam na xícara e a água fervente é jogada sobre as ervas, deixando a mistura descansar por 5 a 15 minutos, de preferência tampada para abafar o vapor. As ervas também podem ser jogadas na panela com água quente, mas já com o fogo desligado.

Esta técnica preserva o óleo essencial das plantas e normalmente é aplicada para preparar chás a partir de folhas, flores e frutos moídos. A infusão é usada para fazer bebidas a partir de folhas, flores e frutos, e pode ser armazenada na geladeira e consumida em até 24h.

Óleos essenciais

Óleos essenciais são compostos aromáticos voláteis extraídos de plantas aromáticas por processos de destilação, prensagem a frio de frutos ou extração com o uso de solventes. Geralmente são altamente complexos, compostos às vezes de mais por mais de uma centena de componentes químicos.

Nas plantas, os óleos essenciais são encontrados em pequenas bolsas (glândulas secretoras) existentes em diferentes partes da planta como na superfície de folhas, flores ou no interior de talos, cascas e raízes. Os óleos essenciais não possuem ácidos graxos e se volatilizam com muita facilidade.

São necessários muitos quilogramas de planta para obter óleos essenciais, dependendo de cada espécie essa quantidade pode variar. Por exemplo, são necessários em média 1 quilograma de casa prensada de laranja doce para produzir 10 g de óleo essencial desta planta. Já no caso da Rosa damascena são necessários 3.500 Kg de planta para produzir 1Kg de óleo essencial. Por isso os óleos essenciais são extremamente concentrados.

O emprego de óleos essenciais como recurso terapêutico é muito amplo. Os óleos funcionam como antibióticos naturais; regeneradores da pele em feridas e queimaduras; como repelentes de insetos; em enxaqueca e dores localizadas; como anti-inflamatórios poderosos, sedativos do sistema nervoso em casos de insônia ou hiperatividade, depressão e ansiedade.

Eles também afetam de forma especial a área emocional do cérebro, podendo ser ferramentas úteis dentro da psicologia e psiquiatria no auxílio, conjuntamente com os tratamentos tradicionais, na recuperação de pacientes com distúrbios psíquicos.

Apesar de serem produtos 100% naturais, pelo fato de serem muito concentrados, existem algumas questões de segurança que devem ser observadas quando se trata de óleos essenciais:

  • existem óleos essenciais que não são seguros para crianças;
  • existem óleos essenciais que não são seguros para grávidas e/ou mães que amamentam;
  • existem óleos essenciais que não são seguros se você usar anticoagulantes;
  • é recomendado que se use óleos essenciais diluídos e não puros;
  • não ingerir óleo essencial sem orientação de um profissional de saúde qualificado;
  • óleos essenciais podem causar sensibilização;
  • óleos essenciais podem ser fototóxicos;
  • alguns óleos essenciais não são seguros para uso em animais de estimação.

óleo essencial

Águas florais ou hidrolatos

Quando o processo de obtenção do óleo essencial é através de destilação por arraste a vapor, é obtido um resíduo aquoso denominado hidrolato ou água floral, que consiste em uma água contendo os constituintes mais solúveis do óleo essencial. Por serem mais diluídos do que os óleos essenciais, os hidrolatos têm menos problemas de segurança quando comparados com óleos essenciais.

De um modo geral, os hidrolatos devem ser considerados como uma boa alternativa para o seguinte:

  • uso em animais de estimação;
  • uso em crianças;
  • cortes, arranhões e feridas;
  • uso tópico não diluído;
  • consumir como aromatizante de água ou para uso terapêutico;
  • perfume;
  • cuidados com a pele.

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Leia mais: Todo o poder das plantas dentro de um vidrinho: a Aromaterapia

Resinas

Recebem essa denominação os exsudatos secos obtidos de plantas. Algumas vezes, são obtidas pelo simples recolhimento da superfície das plantas, recebendo-se a denominação de gomas (goma arábica, alcátira, tragacanto). Outras vezes, é necessário realizar a evaporação da fase líquida presente no material vegetal coletado por incisão, como ocorre com a babosa (Aloe sp.).

Por fim, existem casos em que a resina é obtida após purificação de uma forma extrativa em que outros constituintes são total ou parcialmente eliminados, resultando em aumento da concentração dos componentes resinosos, que, após evaporação do solvente, podem ser recolhidos na forma de bloco ou em pó.

Óleo de infusão ou oleato

Os oleatos ou óleo de infusão são óleos aromáticos que podem ser utilizados na produção de cosméticos, como sabonetes e óleos de massagem, e na alimentação, no preparo de pratos e saladas.

A infusão de óleos é um método simples de agregar as propriedades aromáticas de ervas, raízes, cascas, frutos e sementes ao óleo vegetal carreador, como óleo de oliva, jojoba, girassol e coco. A qualidade da infusão depende diretamente do óleo escolhido, por isso, deve-se usar óleos extra virgem (prensados a frio).

Diferente dos óleos essenciais, que são grupos fitoquímicos isolados, altamente voláteis, de ervas aromáticas, os óleos de infusão são fixos, não voláteis. Dessa maneira, eles têm uma validade maior, apesar de uma menor concentração desses grupos. Ambos são altamente hidrofóbicos, o que os torna compatíveis e possibilita o “carregamento” das propriedades aromáticas para o óleo fixador.

Existem algumas maneiras de se fazer o óleo de infusão, a mais fácil e acessível é a infusão a frio, ou infusão solar. Apesar do preparo ser simples, o tempo de cura é longo, podendo levar de semanas a meses, até que as propriedades sejam transferidas totalmente. É importante o uso de ervas secas, já que a umidade pode causar o crescimento de fungos e bactérias, levando a perda do óleo.

O vídeo abaixo ensina como fazer seu próprio óleo de infusão ou oleato.

Referências:

Laszlo

Ministério da Saúde

Using Essential Oils Safely

Espiral de Ervas

Natalie Andreoli
escrito por:Natalie Andreoli
Sou paulistana e desde 2009 decidi me mudar para a ilha da Magia (Florianópolis, SC), pois sentia falta do contato com a natureza. Sou neta de italianos e aprendi desde pequena a gostar de mexer na terra e cuidar das plantas, quando ajudava meu pai com a hortinha dele. Sou bióloga MSc., educadora ambiental e aromaterapeuta. Adoro aprender e compartilhar assuntos que proporcionem uma vida em melhor harmonia consigo mesmo, com os outros seres e com o planeta.

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