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5 dicas para reduzir o lixo e ganhar sabores na cozinha

desperdício de alimento

Quando pensamos numa receita, no preparo de alguma refeição, certamente que pensamos em ingredientes, tempo, dinheiro, arrumação, quantidade. Ocorre, que muitas vezes, o item mais forte da lista envolve a atenção somente aos ingredientes, portanto, envolve foco no comprar e consumir.

Se a ideia de ir para cozinha trouxesse consigo, antes do pensamento da compra, a análise atenciosa do que já se tem na despensa, certamente que o resultado de uma “simples culinária” seria outro. Não seria apenas um movimento pró paladar ou pró saúde, seria um movimento de cuidado ambiental bem genuíno e interessante.

A cozinha pode e deve ser um laboratório para o exercício da criatividade, mas com sustentabilidade no cardápio se agrega valor e cidadania a uma prática antiga e importante, que é o cozinhar!

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Olhar a despensa é olhar para si? 

Quando observamos com paciência e interesse, os itens que compõem nossas despensas, vamos ver muito de quem estamos sendo. Vamos perceber qual é nossa forma de presença no mundo em determinado momento de nossa vida.

Se nos deparamos com uma grande quantidade de itens industrializados, comida pré pronta, pacotinhos, caixinhas, congelados também industrializados na geladeira e com quase nada de frutas, verduras e legumes, por exemplo, podemos sentir que há pouco autocuidado e pouca consciência sobre o modo de consumo. É aí, que analisamos, também, se existe em nós uma vontade de se engajar com novos hábitos, com a gestão sábia e saudável do tempo.

Outro ponto crucial a observar é: se há muito de um mesmo item, com datas de vencimento próximas, o senso de medida também precisa de ajustes. Uma cozinha sustentável é uma cozinha em que há medida e a medida em nada representa escassez.

Olhar a despensa é um exercício fundamental para saber se estamos conectados com o lado mais orgânico e natural que é próprio, da vida. Se a resposta do olhar pede um despertar, qual a razão de não darmos o primeiro passo?

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A casca é uma embalagem útil, a semente, iguaria!

Entre a caixinha de papelão e os pacotinhos, existem as cascas. Embalagens naturais, muitas vezes úteis e saborosas.

A caixinha de papelão logo vai para o lixo e ainda que se faça a separação, sabemos bem que faltam ações sérias para o real reaproveitamento de todo lixo. Já existem grupos engajados e práticas maravilhosas em comunidades, mas não chegamos ainda no ponto preciso de tranquilidade e certeza sobre aquilo que separamos em casa. Na verdade, essa separação acaba sendo feita por medo da multa e nem tanto pelo movimento de uma consciência desperta e tutora do meio.

A casca de um alimento,  acaba indo para o lixo, logo ela, que traz consigo uma potencialidade incrível, um sabor interessante. Quando o alimento é orgânico, certamente que o consumo da casca é bem mais seguro e recomendado.

Usar cascas para fazer petiscos, usar o próprio legume ou fruta inteiros, numa preparação, criar uma dinâmica de ir além do que é comum, faz bem não apenas ao planeta, mas também à autoestima. Quem é que não gosta de descobrir um novo talento, uma habilidade?

Enxergar nas cascas não uma sobra, mas um “algo a mais”, certamente dá outro tom aos momentos culinários.

O mesmo acontece com as sementes! Jogar fora sementes de melão, por exemplo, é jogar fora a oportunidade de degustar um delicioso leite vegetal. Aliás, em minha opinião, um dos mais gostosos para consumo, tanto quente quanto frio.

Vejo sementes como iguarias dentro de uma cozinha sustentável e criativa. Penso que em nada, a natureza nos daria excessos, ela nos dá exatamente aquilo que precisamos, ela nos dá itens para uso, mas também sente quando confundimos o dar com a posse e por isso, recua, nos oferecendo espaços de escassez. Um item natural é para ser usado em sua completude, nem sempre para alimentação, mas muitas vezes para ajudar no crescimento de outros pés de flor e sabor!

Cabe a nós ampliar a percepção e criar uma dedicação, uma rotina de interesse e gratidão em nossas cozinhas.

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Para facilitar esse despertar, trago cinco dicas bem simples para reduzir o lixo e ganhar sabores. Vamos lá ?

  1. Pesquise, leia, estude, vá a palestras sobre alimentos orgânicos. Descubra a saúde, a vitalidade e a força da cooperação nesta escolha. Uma vez que você mergulha no aprendizado e não apenas no consumo, muda toda forma de se perceber e perceber suas aquisições dentro da própria cozinha e da vida, nas mais diversas áreas.
  2. Não apenas colecione receitas, faça-as. Comece com algo simples se não cozinha muito, mas sempre busque receitas em que haja desperdício mínimo ou desperdício zero! Não se trata apenas de economia, mas de presença sustentável no mundo. Não precisamos entrar na chantagem de que há fome no mundo. Há e é grave, devido a má distribuição de renda e recursos e também porque a ideia de que temos muito, tira a percepção de que precisamos mesmo é ter o suficiente e fazer o bom uso dele. Outro ponto é compreender o quão especial é a agricultura familiar, orgânica e o cuidado das sementes originais. Para que isso exista, é preciso que existam seres conectados ao fazer manual, à terra e se você não planta, pode cozinhar, porque se cozinha, vai precisar cooperar com quem vende, com as famílias que trazem alimentos ricos em “originalidade”.
  3. Crie cardápios e uma rotina atenciosa com seu lixo. O cardápio ajuda a reduzir o consumo, a compra excessiva. Fazer o cardápio com os itens da despensa favorece uma cozinha criativa e sustentável. Seja empreendedor com seu lixo, seja engajado, seja entusiasmado, inclusive! Olhe para as embalagens, para as cascas, sementes e pergunte: o que podemos fazer com isso? Vá em busca de alternativas e surpreenda-se, inclusive com a economia, já que esse “ainda” é o ponto principal que nos faz mudar, pelo menos por enquanto, porque o ponto principal na verdade, é outro.
  4. Crie um sistema de controle da despensa, dos itens de geladeira. Faça um quadrinho e grude na geladeira. O que ainda sobrou da feira passada e que não precisa comprar? O que preciso usar antes de adquirir um pacote novo de algum item. Coloque o que está para vencer na frente, sempre. Divida os excessos! Doe o que está a mais para quem você sabe que vai usar. E claro, compre a granel e leve seus saquinhos de algodão crú, aproveite os potes de sorvete também, os vidros de óleo de coco, etc para armazenar grãos, cereais.
  5. Sobrou comida pronta? Compartilhe também com os vizinhos, com a turma do trabalho ou transforme num prato novo. Arroz que ficou com legume, vira bolinho. Legume que ficou com um pouco de feijão, vira sopa. Nada de jogar fora!

De modo geral, a cozinha de casa não apenas reúne pela comida, mas ensina muito dos valores que carregamos, dos hábitos e costumes, então… que tal aproveitar esse espaço com sabedoria, com ânimo e mudar a rotina, implantar hábitos saudáveis não apenas para si, mas para o mundo? Que tal estimular as crianças diariamente ao cuidado sincero e amoroso ?

Chegou o tempo, a hora, não existe plano B. Existimos com total capacidade criativa de ressignificar todas as nossas ações, ainda que elas sejam na cozinha de casa. Vamos nessa?

Valeria Amores
escrito por:Valeria Amores
Val é de Santos, gosta do nascer e do entardecer alaranjado que o céu do litoral concede quase todo dia! Pedagoga, apaixonada por projetos sociais e por movimentos que incluam o uso de todo potencial criativo, ou seja, toda ideia é uma semente cheia de valores. Toda ideia é flor e fruto. Toda ideia alimenta e nutre algo. Vegana , mãe de duas almas lindas, pratica meditação Raja Yoga, voluntária e aluna nas atividades da Brahma Kumaris Brasil . Estuda gestão ambiental, cozinha bastante, cria receitas veganas, compartilha, ensina. Tem 37 anos e acredita no poder da ecologia e da sustentabilidade interna como motivadores para um mundo melhor. Comunicativa, silenciosa e também faladeira, risonha , gosta de escrever e papear sobre coisa elevadas e positivas. Adora desconstruir limites que nos prendem a gravidade e ao peso, acredita na psicologia positiva sempre e tanto, o quanto for possível e necessário. Vamos voar para as possibilidade de melhoria, que tá na hora!

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