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Você sabe de onde vem seu açaí?

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Sustentabilidade, vida simples, incentivar o pequeno produtor. Aprendendo um pouco mais isso, sobre esses assuntos, nos deparamos com questionamentos mais profundos. De onde vem a roupa que eu uso? A comida que eu como? A água que eu bebo? Quem está envolvido na cadeia que me oferece transporte?

Se você é o que você come, então a gente é, na média, bastante exploração e veneno. A gente usa escravidão. Bebe lixo e metais pesados. Anda sobre as asas de mil pássaros e sobre as folhas de um milhão de árvores.

Perceber tudo isso dói, o natural é querer tomar rumo e consumir 100% conscientemente. Ir pro mato, produzir tudo que a gente come. Fazer nossa própria bike. Montar nosso próprio captador de energia. Parar de usar celular? Internet? Eita, como vale a pena? É esse o caminho?

Olha, dá para viver desse jeito, pior que dá. Mas faz sentido? De que ajudo no mundo me tornando impacto zero, mas também desaparecendo, sem mudar nada para mais ninguém? Mais fácil me matar. Proposta 2: viver o mais conscientemente possível, trabalhando socialmente.

Eu pessoalmente fui parar no Pará, numa comunidade ribeirinha extrativista de açaí. Percebi que o açaí não nasce da árvore com o gosto que a gente conhece. Ele nasce num cacho ultra pesado, uns 15kg (sendo quase nada disso de fruta mesmo), no alto de uma árvore de até 20 metros; é colhido por um peconheiro que não teve acesso a escola e sobe na árvore na raça, usando apenas regata e terçado preso no elástico da bermuda; é debulhado por sua esposa ou filhos, buscado por um atravessador, que o entrega a um barqueiro, que o dá a um vendedor, que o vende para uma fábrica, que vende para um distribuidor, que paga uma transportadora para levar a um dono de sorveteria, que o mistura com xarope de guaraná ou mel em uma nova fábrica, para então embalá-lo e vendê-lo a quem tenha um ponto de vendas para consumidor final. Ufa!

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1 kg de açaí para o peconheiro custa R$1. Para você, uns R$ 22. Para onde vai esse dinheiro se não para quem arrisca sua vida (e vira e mexe morre ou perde um membro) para colher o fruto?

Será que faz sentido a gente comer açaí em SP? Que tal comer localmente?

Mas o açaí é a única coisa que dá dinheiro ao Rio Canaticu – e com certeza a vários outros locais no norte do Brasil. Será que a essa altura do campeonato, em que levamos a televisão para as comunidades ribeirinhas (funcionando 2~3h por dia, movida a gerador com o óleo mais caro deste braseel diga-se de passagem), cortar seu acesso a dinheiro é o melhor a se fazer?

Não sei qual é a saída. Mas sei qual o melhor caminho para tentarmos chegar lá: compre direto do produtor. Ou pelo menos de quem compra direto do produtor. Invista em consumir localmente. Coma o que não está morto há mais de dias.

Amanda Matta
escrito por:Amanda Matta
Filha de Ogum e Oxum, estudante de tudo que pode nos levar ao reenvolvimento: educação, política, meio ambiente, nutrição, cultura, espiritualidade. Paulistana de sangue mineiro e alma pernambucana, vive entre uma comunidade ribeirinha no Pará e uma tentativa de agrofloresta no interior de São Paulo.

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