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Você já conversou com sua criança interior hoje?

Criança interior

A proposta da vida é sempre crescer, não é mesmo?

Se pegarmos a metáfora de uma semente logo vamos perceber que ela se desenvolve, cresce e aí que dá flores, frutos, que oferece sombra quando se torna árvore. Crescer é um movimento natural. Crescer é o desejo de muitos de nós em vários aspectos: quando criança, queremos crescer logo para fazer parte de conversas, grupos, frequentar lugares, para ir dormir mais tarde. No âmbito familiar surge a vontade de crescer e conquistar a tal independência. No campo profissional todo mundo quer ascensão, ou seja, quer crescimento. Construímos uma casa e passado algum tempo, começamos a ter ideias de expansão de um canto ou outro.

A ideia do crescer, o pensamento no movimento que é crescer, não sai de nossos dias e menos ainda da lista do que se define como sucesso. Procure bem, vai ver que sucesso tem crescimento como motor e como essência. Mas lembra lá da metáfora da semente? O crescer não começou lá fora … crescer é algo silencioso, interno, cheio de etapas e exige atenção e concentração. Exige uma conversa diferenciada!

Quando a ansiedade transforma sonho em obrigação

A ânsia por crescer em qualquer aspecto e momento da vida, nos deixa em euforia. Começamos a fazer aqui, ali, falar para um, para outro, a buscar formas, meios, técnicas, cursos, mil informações. Muitas vezes mais do mesmo e então…. Cansamos!

O que antes era um sonho bonito de nossa criança interior, o que era uma proposta divertida e leve de vida, vira mais uma tarefa na lista das obrigações. Com a ansiedade por resultados rápidos fica tudo tumultuado e aquele crescimento doce e sutil da semente que é o que realmente concede força a qualquer “projeto” fica envolvido num sentimento de incômodo e cobranças. É aí que surgem as posturas reativas, rígidas, fruto de uma “suposta maturidade”.

E por que suposta? Porque se não compreendemos nossos processos internos como algo necessário, se não conseguimos ter paciência com nossa própria auto-organização para depois partir para a ação, menos ainda saberemos lidar com os resultados que nos chegam, ainda que os resultados estejam dentro dos nossos sonhos. Brota a insegurança diante daquilo que se criou e que antes era tão esperado. A autoconfiança, de início tão fluída e natural, vira artigo de colecionador, vira uma espécie de ginástica dolorida e fica cada vez mais ocultada. A ansiedade pelo crescimento transforma o presente em carga.

[Conecte-se à sua sabedoria interior]

A criança interior como protagonista

Todos nós temos uma criança interior responsável pelo cuidado da semente (aquela que falei lá no início) e que faz com que nosso crescimento em qualquer aspecto da vida seja bonito e saudável. A criança interior é aquela energia que tem disponibilidade sem condições, que tem alegria, leveza, que se move pela calma e que sabe se adaptar. Ela não está em hipótese alguma, preocupada com vitórias sobre outros ou sobre coisas, sobre ser melhor ou pior. A criança interior não se move com ansiedade, mas com destreza.

É uma criança com criatividade de sobra e ações positivas, cooperativas e verdadeiramente altruístas. Simplesmente é um ser que assume seu papel com responsabilidade, mas sem pensar que o papel é uma responsabilidade. Vejam: Posso pensar na beleza da flor, sem ter que pensar que é uma flor. Uma coisa é o tangível. Outra coisa é aquilo que se vê a partir de dentro. Todos os dias ver beleza é uma opção. Assim é com a criança interior! Ela sabe quem é, sabe sobre seu potencial, mas não precisa pensar ou evidenciar isso, por isso flui e conquista.

 Tipos de conversa com sua criança interior

Toda criança precisa de atenção e carinho e isso não é segredo. Quando recebe atenção, quando há estímulo para que a criança fale livremente, se expresse, ela cria confiança e se sente plenamente capaz. Recebendo um não ou um sim, a criança confiante sempre encontra a paz interior e segue sem embates, ou seja, ela encontra novas formas de fazer o que precisa ser feito e não perde tempo com as famosas “picuinhas” que até então dizem ser coisa de criança …. De fato, é! Mas é de um outro estado que a criança adquire, que é o estado mimado.

O estado mimado toma conta quando se deixa a criança interior falando sozinha. Quando não há pausas para uma escuta da mensagem que vem de dentro: a famosa intuição (diferente de paranoia). O destrato da criança interior cria um estado de vida muito sério e pouco produtivo, quase nada criativo. Cria um estado de vítima.

Uma criança gosta de desenhar, de sorrir e quando você arranca as cores de sua criança, a manda fechar o rosto para parecer mais ideal e centrada, o que acontece é um movimento contra si mesmo, contra a própria identidade. A criança interior esquece da semente, porque vive sob pressão. Ela precisa estar como o mundo de fora julga ser o correto e aí ela se entristece porque começa, realmente, a pensar que sucesso vem de ausência de diversão, ausência de sorriso, ausência de flexibilidade e que realização de sonho é coisa para depois, bem depois.

A bela criança que até então construía sonhos com facilidade, sem preocupação e medo, acaba por se tornar uma criança mimada que esperneia a cada não recebido e a cada impossibilidade do momento porque está contida demais. Quando a postura da criança mimada assume o jogo, é que se começa a separar tudo. O eu e o meu, viram combustíveis nocivos e minam projetos.

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Quando realmente se cresce!

O crescimento genuíno acontece quando se percebe a importância da criança interior e da necessidade de mantê-la a frente e consciente. O crescimento acontece, quando soltamos do medo de agir pelo que somos, de fato! Acontece, quando desistimos da ideia de controlar tudo que ocorre à nossa volta e voltamos nossa atenção a nossas qualidades internas e ao que ainda temos que refinar. Acontece, quando existe o autocuidado, o ninar dessa criança interna com muito carinho e sem repressão, ainda que haja na jornada dela, algumas “peraltices”. Tudo faz parte.

O crescimento acontece então, quando integramos o sorriso ao cotidiano, quando nos divertimos com o jogo da vida e com a ideia de soltar aquilo que não nos cabe decidir. O crescimento não é contenção, mas entrega.

3 passos para dar as mãos com sua criança interior e colorir sua vida

  1. Antes de começar o dia e durante o dia: Comece o dia encontrando sua criança, concentre-se nela e depois faça pausas diárias a cada uma hora e silencie. Um minuto a cada uma hora pode fazer milagres! Durante a pausa, perceba que há uma energia que te move e que essa energia é sua identidade original, sua criança interior. Tente sentir que há bem mais sobre você do que você mesmo vê, ou seja, mais que sua profissão, mais que seu papel de mãe, pai, irmão, irmã, filho, filha … há mais em jogo. É como uma grande peça de teatro na qual você atua em cenas. Não seja aquilo que você faz.
  2. Observe as cenas com certo desapego: Veja o que acontece e sempre pense no melhor. Emane a positividade que tem em sua criança na situação que for! Não fale sem que suas palavras sejam para colaborar e melhorar algo. A criança interior não atua com criticismo. Se a cena é negativa e lhe pertence, aprenda com ela. Se não lhe pertence, deseje sempre que fique tudo bem. Não coloque a famosa lenha na fogueira! Não passe para frente o que cria mal estar. Não encoraje maldades. A criança interior sabe colocar pontos finais e seguir em frente . Já viu criança ficar brigada muito tempo?
  3. Encerre o dia com uma boa reflexão: Como foi sua conversa com sua criança durante o dia? Conseguiu trazer à tona essa energia boa e a colocar em movimento em suas tarefas? O que foi mais fácil e mais difícil? Anote, escreva, crie um diário sobre o movimento de sua criança e assim a eduque da melhor e da mais doce forma. Dê boa noite a ela e não esqueça de despertá-la no dia seguinte.

Um bom convívio com sua criança interior é um grande passo rumo à paz de espírito.

 

Valeria Amores
escrito por:Valeria Amores

Val é de Santos, gosta do nascer e do entardecer alaranjado que o céu do litoral concede quase todo dia! Pedagoga, apaixonada por projetos sociais e por movimentos que incluam o uso de todo potencial criativo, ou seja, toda ideia é uma semente cheia de valores. Toda ideia é flor e fruto. Toda ideia alimenta e nutre algo. Vegana , mãe de duas almas lindas, pratica meditação Raja Yoga, voluntária e aluna nas atividades da Brahma Kumaris Brasil . Estuda gestão ambiental, cozinha bastante, cria receitas veganas, compartilha, ensina. Tem 37 anos e acredita no poder da ecologia e da sustentabilidade interna como motivadores para um mundo melhor. Comunicativa, silenciosa e também faladeira, risonha , gosta de escrever e papear sobre coisa elevadas e positivas. Adora desconstruir limites que nos prendem a gravidade e ao peso, acredita na psicologia positiva sempre e tanto, o quanto for possível e necessário. Vamos voar para as possibilidade de melhoria, que tá na hora!

2 Comentários

  • Gratidão pelo belo texto..e por nos lembrar que temos uma criança aqui dentro que anseia por movimento, criação, criatividade e leveza.

    • Eu agradeço sua presença. Temos essa criança sempre nos dando força e ela é imortal, acredite rsrs. Lindos dias pra você!

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