Viagem

Um par de botas, a sincronicidade e a magia de colocar o pé na estrada

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É interessante o modo como as coisas acontecem quando nos permitimos enxergá-las e vivê-las. Sentir não basta, temos que acreditar naqueles chamados que não sabemos explicar de onde vêm e nem porquê existem. Mas que existem e são de verdade, ah, são sim!

Em 2014, pesquisando sobre viagens, work exchange, intercâmbios e qualquer coisa que me fizesse acreditar que viver ainda ia valer muito a pena e que aquele sentimento constante querer de viajar e morar em uma ecovila não era insanidade nem impossível como muitas pessoas me falavam, conheci uma página no Facebook que me trouxe muita inspiração.

Uma garota com ideias e ideais de vida interessantíssimos com os quais me identifiquei bastante, a artista carioca Aline Campbell era a idealizadora desa página. Achei o projeto fantástico, e então participei do financiamento coletivo de seu livro Portas Abertas – três meses na Europa sem um centavo no bolso. Foi onde ela faz o relato de uma de suas viagens para “transmitir ao mundo a mensagem de que o mais importante, seja numa viagem ou em nosso cotidiano, não são coisas materiais, mas sim as pessoas que conhecemos e as histórias que vivenciamos ao longo do caminho”. E foi aí que tudo começou a sincronizar.

[Guia do Viajante sem Dinheiro]

Numa corrente mística de acontecimentos, cada vez mais pessoas que compartilham a mesma felicidade em viajar foram aparecendo em minha vida e um ano depois de ter lido o livro da Aline, lancei o meu projeto VAAV – Viver de Arte Amor e Viagem. Fui demitida de um emprego que já não me satisfazia e sigo extremamente feliz trabalhando com artesanato e arte através da economia criativa e colaborativa. Encontrei algumas dessas pessoas que viajam com algum propósito e em suas jornadas internas que, de certa forma, são jornadas vividas por todos nós que seguimos nossos chamados da estrada: Dandara e Djonatan do Viagem2Sonhos, Ana do Alma Viajante e Rodrigo do Bike América. Cada encontro reforça nosso caminho a seguir. Uma vez na estrada, sempre nela com muitas histórias para contar.

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O simbólico par de botas e seu significado

O que quero destacar aqui para mostrar a sincronicidade parte do princípio de acreditarmos no nosso chamado e estarmos atentos aos sinais do universo. Muitas vezes essas coincidências significativas só vão fazer sentido depois de algum tempo que aconteceram. Nesse caso, foi quando voltei da minha última viagem e parei para pensar no quão simbólico é aquele par de botas que ganhei da Dandara. Ela e o Djonatan conheceram a Ana aqui em Natal ano passado, quando se hospedaram no mesmo hostel. Esse ano resolveram viajar juntos e passaram novamente por aqui, vindo do RJ ao RN pegando carona, acampando, se hospedando por couchsurfing.

Tive a satisfação de hospedá-los e ficar quase uma semana vivendo coisas extremamente mágicas com eles. A Dandara ganhou as botas da Aline, que ganhou de uma garota americana que estava fazendo um mochilão pelo Brasil e se hospedou na casa dela. Eu estava prestes a sair de viagem e não tinha calçado ideal para fazer trilhas. Passei a ter botas e mais certeza ainda do caminho que eu quero seguir, abençoada por tanta energia boa de todas essas pessoas e tudo que elas viveram viajando. Quantos pés já calçaram essas botas? Por quantos lugares elas já passaram? Por onde elas ainda passarão?

A estrada de proporciona o viver

Hoje vejo como é interessante e bela a rede de conexões que se consolida a partir de um simples ato: o começar. Não deixar o tempo passar e as vontades ficarem para trás. Fazer a vida valer a pena. É uma cadeia de ligações extremamente relevantes e com real sentido, que fazem surreal qualquer caminhar.

Na estrada a gente renasce e revive. Evolui, transforma, transcende, ascende e transita por vários universos que, no final das contas, é o nosso próprio e o de todos os outros que percorrem conosco, lado a lado, mesmo distantes. Aprendi o quão importante e gratificante é fazer o coração sorrir e sorrir junto com outros corações. Que a felicidade é o presente e um presente de pequenas alegrias diárias e grandes momentos eternizados que devemos compartilhar e espalhar. Com a alma leve e sublime, o amor transbordando e transformando, vivendo o simples e o essencial que seja suficiente e especial. Afinal, só alcança as estrelas quem tem coragem de voar.

Tieme Estela, 26/05/16 – (Blogger, Viajante e Colaboradora do Jardim do Mundo) .

 

Tieme Estela
escrito por:Tieme Estela
Bióloga, educadora ambiental, poetisa, artesã e nuvem viajante dos infinitos azuis. Estuda Especialização em Permacultura pela UFCA e integra o Coletivo Artiangi de Moda Sustentável. ResPira e transBorda toda e qualquer forma de arte e amor. A liberdade da estrada e dos céus são seu alimento. Acredita que a felicidade está em compartilhar sorrisos e em eternizar momentos. É fascinada pelos sinais do UniVerso e sua teia de interações. Encontrou o sentido da vida quando resolveu seguir seu velho chamado distante e lançou o Projeto VAAV - Viver de Arte Amor e Viagem, que segue os princípios da Economia Criativa e Colaborativa, da Permacultura e da Sustentabilidade.

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