ReflexõesVida Natural

O que é a Virada Feminista Online e a importância de falar sobre o aborto

Virada Feminista Digital

Conheça a Virada Feminista Online, movimento que está democratizando o acesso à informação sobre os direitos reprodutivos da mulher

O mês de março é uma linda ocasião para colocar em destaque alguns temas que deveriam ser discutidos todos os dias. Aproveitando a data, muitas iniciativas feministas que buscam a igualdade de direitos entre homens e mulheres realizam ações de conscientização em todo o mundo. Uma delas é a Virada Feminista Online, que no último dia 08 lançou uma plataforma online com mais de 100 vídeos sobre o direito ao aborto.

Para quem não conhece a Virada, esse movimento foi criado em 2016 por quatro mulheres ativistas, Thaís Campolina Martins, Jéssica Ipólito, Juliana de Faria e Joice Betth. Elas queriam aproveitar outra data importante no calendário feminista global, o Dia de Ação Global para o Aborto Seguro (28 de setembro) para chamar a atenção para o tema e levantar discussões saudáveis sobre esse direito que no Brasil ainda é negado a muitas mulheres. Foi assim que elas criaram um evento totalmente online.

Na Virada Feminista Online, diferentes especialistas discutem a questão do aborto durante 24 horas ininterruptas, de forma gratuita e aberta ao público. A Virada acontece através de transmissões ao vivo no Facebook. Cada oradora convidada tinha 30 minutos para fazer sua transmissão e falar sobre o tema no qual se especializou, fomentando assim o diálogo.

“A proposta é dar mais informação, combater os mitos a respeito do aborto, falar sobre esse tabu. Quebrar o silenciamento sobre o assunto, e tudo isso de forma responsável e com bons argumentos. A gente quer um debate qualificado”, explica Thaís.

Leia mais: 6 Filmes sobre mulheres fortes e inspiradoras

 Quem já participou

Nas edições de 2016 e 2017 a Virada utilizou canais online como o Facebook e outras redes para promover o debate e chegar a segmentos variados. Thaís conta que mais de 700 mil pessoas viram as transmissões de ambas as edições. Contaram inclusive com a participação de mulheres de outros países como Uruguai, Argentina, Colômbia, Moçambique, Irlanda e Peru. Segundo Thaís, o meio online é um espaço de intercâmbio de ideias. Para ela, é importante usar essa plataforma com responsabilidade para democratizar o acesso à informação. “Considero que a gente tem que se manifestar e não se silenciar por causa do discurso de ódio. Lógico que temos que fazer isso com autocuidado e responsabilidade, mas não considero que precisamos ter uma resistência ao online. Senão, o discurso de ódio toma conta de tudo”.

Seguindo com a meta de ser uma plataforma de informação e discussão consciente sobre os direitos reprodutivos das mulheres, esse ano as organizadoras da Virada contaram com o apoio de outras organizações e conseguiram reunir mais de 100 vídeos que foram transmitidos nas duas Viradas para publicá-los online, unificando e facilitando o acesso a esses conteúdos. Thaís afirma que tanto essa iniciativa como o evento em si só foram possíveis graças ao apoio de diferentes grupos do movimento feminista. “Embora a gente esteja na coordenando e organização, contamos com a participação de outras mulheres interessadas nessa luta. Nos bastidores, na hora de ter gente pra fazer o vídeo, o evento só é possível com a colaboração de várias pessoas e grupos”.

Virada Feminista Digital

Leia mais: 9 Casas naturais construídas por mulheres inspiradoras (parte 2)

Vamos falar sobre aborto?

Todo esse conteúdo já está disponível em viradafeministaonline.com.br, mas aqui já te deixamos alguns dos vídeos mais populares do evento pra você já partir pra reflexão e discussão sobre esse tema:

Susana Chavez, diretora executiva do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos Sexuais e Reprodutivos: “Organizações como a OMS e as principais instituições de direitos humanos expressam que a gravidez forçada é um violação aos direitos. Nenhuma mulher quer se ver nessa situação. Infelizmente, quem acaba passando por isso são as pobres que não possuem autonomia e não podem pagar por um procedimento mais seguro.”

Ana Teresa Derraik, ginecologista e obstetra: “Quando as mulheres morrem, o impacto no núcleo familiar é devastador, é avassalador. A mulher, mãe de filhos pequenos, que morre no auge da vida reprodutiva, afetiva, causa um estrago sem precedentes.”

Acesse o site da Virada Feminista e confira os outros temas discutidos nos vídeos.

Regiane Folter
escrito por:Regiane Folter
Sigo minha vida escrevendo e vivendo, pra ter sobre o que escrever. Sou filha, irmã, companheira, amiga, mãe de catioros e gatíneos. Também sou poetisa de fim de semana, sonhadora compulsiva e leitora serial. Comecei a escrever quando ainda nem sabia direito falar. Depois aprendi a viajar e a viver minhas histórias antes de publicá-las. Espero um dia viver das coisas que escrevo para ter mais tempo pra estar com quem amo, cuidar de quem precisa e ter a infinita sorte de aprender mais sobre o mundo.

4 Comentários

  • SIM! Concordo com as mulheres que querem ter a última palavra em sua vida, seu corpo, sua família. Mas TODOS mulheres e também homens devem ter responsabilidades sobre as atitudes e opções que tenham tomado com relação ao SEU CORPO, SUA VIDA, SUA FAMÍLIA. Ou seja transou ??? Agora assumi.

  • A luta na minha opinião é a favor da vida, da vida que não tem voz e que por conta disso não pode se defender, da vida dos animais, dos idosos, das crianças independente se nasceram ou se ainda estão no ventre. Não sou a favor do aborto em hipótese nenhuma, por ser um atentado contra a vida. A mulher é a dona do seu corpo, mas não é dona da vida que está esperando, nesse caso é a pena um veículo para trazer a vida ao mundo.

  • “Uma vez que o aborto é legalizado, as mulheres passam a ser atendidas na rede oficial de saúde e passam a poder ser melhor informadas sobre contraceptivos e planejamento familiar, que são procedimentos incluídos no procedimento de cuidado ao aborto. É no atendimento a essas mulheres que é possível conhecer melhor quais são as falhas da política de saúde para melhor corrigi-las, e assim atuar com mais eficácia na prevenção às gestações indesejadas, ao mesmo tempo em que não se deixa de garantir o aborto como um direito.”
    https://thinkolga.com/2016/09/27/faq-sobre-o-aborto-tudo-que-voce-deveria-saber-a-respeito-1/

    A criminalização não impede que milhões de mulheres abortem todo ano em todo o mundo e que muitas dessas morram tentando. Você sendo a favor ou não mulheres em todo o mundo vão continuar abortando.

    É muita hipocrisia. A lei não salva a vida do feto, muito menos a das mulheres.
    Portanto a legalização é para que a mulher que está grávida possa refletir sobre algo tão importante (sem ser coagida sob ameaça de prisão, discriminação ou morte) seja acolhida e apoiada em sua decisão. (pesquisas recentes mostraram queda no número de abortos onde é legalizado). E em Portugal desde a legalização nenhuma mulher morreu, porque aborto lá é saúde pública e elas foram acolhidas e tratadas de forma humana e ética.

    “O direito básico de todos os casais e indivíduos de decidir livre e responsavelmente o número, espaçamento e o momento de terem filhos, e o direito de receberem atenção para um abortamento seguro;
    O direito das mulheres de ter controle e decidir livre e responsavelmente sobre temas relacionados à sua sexualidade, incluindo a saúde sexual e reprodutiva, sem coerção, discriminação, nem violência;
    O direito de ter acesso à informação relevante sobre saúde;”
    http://www.politize.com.br/aborto-entenda-essa-questao/

  • Não, a vida não é simples e cor de rosa assim: “transou, agora assumi”. Não é.
    ‘A gente vive numa sociedade hipócrita e cínica que condena o aborto e faz o aborto. Enquanto a gente for cínico, enquanto a gente for falso, enquanto a gente for supostamente puritano, as mulheres vão continuar correndo riscos de até morrer.’
    (Elis Regina | RBS, set.1981)

    “Precisamos lembrar quem são aquelas que abortam: mulheres comuns, em geral casadas, que já têm filhos e declaram seguir uma fé cristã, segundo a Pesquisa Nacional do Aborto, desenvolvida pela Anis – Instituto de Bioética. E são milhares: 1 em cada 5 mulheres até os 40 anos no Brasil. Podem ser a irmã, a avó, a vizinha, a professora, a manicure ou a médica. E este é ainda um número subestimado, porque, em um contexto de criminalização, as mulheres ainda têm muitos motivos para mentir e omitir sua experiência de aborto em uma pesquisa.”
    https://thinkolga.com/2016/09/27/faq-sobre-o-aborto-tudo-que-voce-deveria-saber-a-respeito-1/

Deixe uma resposta

Junte-se a nós! Receba inspirações para uma vida mais leve no seu email.