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O Manifesto da Primavera ou Vamos Fazer uma Horta?

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Chegou setembro. Com o calorzinho que se anuncia as plantas começam a despertar do sono do inverno. Aparecem os brotinhos, renascem as folhas das árvores, uma ou outra flor já se mostra no quintal. A primavera se anuncia. A natureza vem nos chamando pra plantar.

Ora-pro-nobis em flor no meu jardim. É uma PANC (planta alimentícia não convencional).
Ora-pro-nobis em flor no meu jardim. É uma PANC (planta alimentícia não convencional).

Mesmo que haja pouco espaço, há de se cultivar aquele chazinho gostoso, um tempero especial ou até comida.

“Até” não, principalmente comida.

Há quem comece com alface, feijão de vagem, aí passa pro estágio do tomate, pepino, abóbora, e quando vê está plantando batata, melancia, árvores frutíferas. E plantar vira um vício. Quando nos damos conta estamos guardando todo tipo de semente nos bolsos, pra chegar em casa, colocar na terra e “ver se vem”.

Mas aí quando falo nisso as pessoas travam. “Cultivar comida? até gostaria, mas dá muito trabalho, não tenho tempo”, “como vou fazer isso no apartamento? Só se for em vaso” FAÇA! Não há desculpas. Há vários tutorias por aí ensinando a fazer verdadeiros milagres plantando todo tipo de vegetais em espaços impensáveis. E sobre o tempo gasto, é questão de prioridade. Como que nós conseguimos tempo pra ver aquele episódio novo da série preferida, mesmo num dia cheio?

A amoreira da minha casa, cheia de frutinhas que em pouco tempo trarão felicidade ao paladar das pessoas daqui.
A amoreira da minha casa, cheia de frutinhas que em pouco tempo trarão felicidade ao paladar das pessoas daqui.

Plantar – e sobretudo plantar a própria comida – é um ato cheio de significados.

Primeiro, trata diretamente da nossa saúde. Imagine-se fazendo uma refeição tendo a certeza de que todos os ingredientes vieram de um lugar seguro, sem contaminações, foram bem tratados e são super-frescos. Bom de pensar, né?

Plantar é também um ato de amor. Para que se chegue no glorioso momento de comer aquele vegetal é necessário um bom tempo de dedicação. E como a gente só se dedica de verdade aos assuntos que gostamos, servir o alimento que nós mesmos produzimos é demonstrar muito amor por aquelas pessoas que irão comê-lo.

Mas plantar também é um ato econômico e político. Mesmo que a maioria de nós não consiga plantar todo o alimento necessário. Mas com essa pequena ação a gente consegue sair um pouco da lógica consumista, em que tudo depende de dinheiro. E partimos para uma lógica de liberdade, de empoderamento, de criar estruturas novas de relacionamento, vínculos alternativos e com certeza mais profundos. Ser um pouquinho autossuficiente é dar um recado para o mundo de que o dinheiro não precisa ser o personagem principal da nossa sociedade.

… Aí sempre vai ter um excedente de um plantio que vamos doar pro vizinho, aí ele se sente motivado a fazer o mesmo por nós, e começam as redes de troca, floresce a solidariedade. E assim o mundo vai ficando mais bonito.

Sementes de milho criolo que vão pra terra quando vier a lua certa. O roxo é milho de pipoca =)
Sementes de milho crioulo que vão pra terra quando vier a lua certa. O roxo é milho de pipoca =)

Se ainda não deu pra chegar nesse ponto de plantar, há outras atitudes que fortalecem esse posicionamento. Consumir produtos orgânicos e que venham de agricultores familiares é uma forma de fortalecer a cadeia do consumo consciente. O agricultor é valorizado, se mantém nessa atividade, e todo mundo fica feliz. Então se for possível conhecer essas pessoas, visitar a propriedade, entender as questões sociais que circundam a vida no campo é, no mínimo, demonstrar respeito com quem faz tanta coisa boa para nós.

Mas deixo aqui o meu incentivo: Plante! Esse hábito só traz benefícios. Inicie uma pequena horta, dê vida nova àquele espaço que um dia foi uma hortinha, ou traga pra casa um vaso e deposite ali uma terrinha, sementes e um pouco de carinho. Lidar com as plantas agora, nessa época do ano, é deixar fluir a força da natureza, é dar vida ao manifesto da primavera.

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Cristiane Correa
escrito por:Cristiane Correa
Permacultora e química. Primeiro, o respeito à natureza, pertencimento a ela e a seus ciclos. Depois a compreensão do funcionamento das coisas, e o reconhecimento de que quanto mais natural, melhor. Muito melhor. Num passado distante fui publicitária, e trago desse tempo o prazer de escrever, fotografar e propagar boas ideias. Nesse contexto, tenho estudado assuntos como a fitoterapia, cosméticos naturais, plantar a própria comida, o impacto das nossas escolhas e o empoderamento para tocarmos a nossa vida sem consumismo. Gostou? Vem junto!

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