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O despertar de um mundo vegano – VegFest 2017

O ver e o sentir – O estar ali, conectada !

No final de agosto estive no VegFest, um congresso vegetariano de grande força e visibilidade promovido pela SVB – Sociedade Vegetariana Brasileira e que aconteceu em Campos do Jordão.

O evento que sempre traz muitos palestrantes, expositores de vários locais do Brasil, cozinha show com aulas de culinária, me chamou a atenção, não apenas por ser algo do qual participava pela primeira vez, mesmo sendo vegana há um bom tempo, mas pela força e pela energia que existia no local e nas pessoas.

Lá, ao palestrar  com o tema: Do ego ao ecoalimentar , pela Organização Brahma Kumaris, que ensina meditação, atua com cursos na área de qualidade de vida e incentiva o vegetarianismo para facilitar a concentração no processo de autoconhecimento, me senti emocionada! Um emocionada diferente daquele que nos coloca como o centro das atenções , um emocionada somente por ver que tinha gente esperando e que nunca tinha ouvido falar de mim, talvez da proposta do tema e que ainda assim, recebeu as ideias com alegria, com abertura e com vontade de praticar a tal “escutatória” que Rubem Alves diz. Foi como um bate papo gostoso de fim de tarde. Tinha sorriso, gente sentada no chão que realmente pensava sobre o que era falado, era uma construção, era uma presença divina em todos. A força do conceito de conexão fica clara em momentos assim. As pessoas se conectam com você e você com elas e todos com algo mais forte e ai surge uma parceria tão boa !

Vi aula show com ensinamentos doces, sem palavras complicadas, vi generosidade. Uma experiência que ali ficava tão natural que na minha ousadia, vou dizer que todos se sentiram capazes de fazer maravilhas na cozinha de casa.

O que vi e senti em cada um que compartilhava seus propósitos, era uma incansável esperança e uma grande certeza. Era fé, era determinação, era sobretudo AMOR! Um amor forte, sabe? Uma vontade imensa de transformar o mundo em um lugar cheinho de compaixão. E isso era nítido na atitude de cada pessoa, no olhar, na cooperação, nas palavras, na empatia e na disponibilidade em trocar ideias após um simples oi.

Foi uma aventura cheia de novidades, fortemente, foi algo que me clareou as boas ideias e me fez tagarelar por dias sobre como é preciso viver o novo! E de novo e re-significar o que já temos para não perder a força.

A essência da transformação

Ali vivenciei a prática de que em essência, todos nós somos muito, muito bons, quando usamos nosso potencial interno para transformar cenas. A cenas do mundo não mudam e não mudarão por meio da transferência de responsabilidade. Sabe a história do não fui eu? Então … o congresso me trouxe uma verdade muito doce e ainda que seja uma verdade forte, que exige mudança de posturas, é a verdade mais bonita que já vi brotar nessa dinâmica louca dos dias: Somos nós os agentes de melhoria em tudo. Absolutamente tudo.

O ar no VegFest era de que algo muito interessante está acontecendo e está crescendo e que não está mais podendo ser calado. Há uma transformação de padrões, de comportamento, há entendimento genuíno dando frutos e talvez por isso, as coisas também estejam bem mexidas e até um pouco desconfortáveis nesse globo azul. Não há mudança sem tirar coisas do lugar, certo? Não há mudança sem levantar poeira.

Vivemos a era de estabelecer uma atenção plena ao que está acontecendo conosco e ao espaço que habitamos. É hora de “gostar de gostar” do que gostamos e sem medo, sabe?

O veganismo para quem quiser !

Ficou sublinhado que o veganismo não é algo de poucos, para poucos, algo difícil, caro, complicado, excludente… muito pelo contrário!

Havia uma feira com produtos alimentícios, lanches, vestuário, maquiagens, literatura e a feira era aberta aos moradores da cidade também. Havia os congressistas e aqueles que foram apenas na feira conhecer. E olha, como gostaram! Era nítido o interesse nessa nova forma de consumo, num consumo mais sustentável e cheio de respeito. Vi muita gente levar consigo produtos, livros, pegar panfletos, buscar informação.

A defesa através de pré-conceitos que carregamos, a tal carapaça, zona de conforto, o sempre do mesmo jeito, ali se dissolvia facilmente. Eu acredito que a atmosfera criada pelo amor e pela cooperação que senti, teve essa capacidade de atrair e conquistar e isso me deixou ainda mais otimista sobre a ideia de que o veganismo é sim, possível e fácil e que está ganhando corações! Um movimento que supera o “estado faminto de ter” e proporciona um estado orgânico de ser e de cuidar.

É uma questão de se permitir a ter tal experiência, de conhecer, de ouvir, de buscar informações, de participar de eventos e palestras e ir praticando: um dia, dois, uma semana, um mês e quem sabe, logo se tem uma vida veg? Ai, depois da vivência, há espaço para conclusões. Antes não…

Um passo para a mudança

Sabe como funciona em tudo? Quando você decide e dá seu passo de coragem, recebe mil passos de ajuda. Toda decisão que você toma consciente, a partir do coração vai levar até você justamente o que você precisa. Aparecem pessoas dispostas a lhe ajudar, você descobre que seu vizinho de trabalho também está nesse momento, cria-se um círculo de força muito bonito, cria-se um elo com algo muito maior e que te move e aí, simplesmente você consegue. Isso, simplesmente! Porque se pensarmos bem, é a tomada de consciência que harmoniza e torna tudo suave, fácil e simples… o consciente, o desperto é o natural e nunca o contrário. O contrário é camada sobre camada, nas quais nos escondemos. Isso aprendi nas meditações. Outra ferramenta que ajuda nesse processo de mudança (aqui fica como dica valiosa – Medite, mude posturas mentais, escolha bons pensamentos!).

Ah … outro aspecto muito bonito e necessário que notei lá, foi a presença forte de um voluntariado imbatível. Muita gente reunida e fazendo um trabalho lindo de acolhimento, de organização, de cuidado e mostrando que dá sim para se doar sem se doer. Cooperar é uma forma de aprender e de ensinar. De exercer a verdadeira função que temos: a de sempre tornar tudo melhor.

O VegFest me deixou ainda mais motivada a continuar nessa caminhada vegana e a cuidar desse mundo lindo que habito. Me ensinou mais: me ensinou que limitar nosso bem-estar pelo paladar, pela moda, pelo status, pelo ter, sem considerar que há outras vidas envolvidas é algo que nos prende demais e nós, como seres incríveis, não estamos aqui para limitações. Ouvi de alguém, que nosso sonho nasceu para ser grandão mesmo e olha, cada vez mais acredito nisso ?

Valeria Amores
escrito por:Valeria Amores
Val é de Santos, gosta do nascer e do entardecer alaranjado que o céu do litoral concede quase todo dia! Pedagoga, apaixonada por projetos sociais e por movimentos que incluam o uso de todo potencial criativo, ou seja, toda ideia é uma semente cheia de valores. Toda ideia é flor e fruto. Toda ideia alimenta e nutre algo. Vegana , mãe de duas almas lindas, pratica meditação Raja Yoga, voluntária e aluna nas atividades da Brahma Kumaris Brasil . Estuda gestão ambiental, cozinha bastante, cria receitas veganas, compartilha, ensina. Tem 37 anos e acredita no poder da ecologia e da sustentabilidade interna como motivadores para um mundo melhor. Comunicativa, silenciosa e também faladeira, risonha , gosta de escrever e papear sobre coisa elevadas e positivas. Adora desconstruir limites que nos prendem a gravidade e ao peso, acredita na psicologia positiva sempre e tanto, o quanto for possível e necessário. Vamos voar para as possibilidade de melhoria, que tá na hora!

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