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Homens e mulheres que abandonaram a cidade para viverem como eremitas

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Um tema bastante procurado e debatido no Jardim do Mundo, o estilo de vida contemporâneo tem sido cada vez mais rediscutido e reconsiderado em favor de uma vida mais saudável e sustentável, mas existem pessoas que cansaram de esperar e mostram isso em uma mudança radical de ambiente.

Por 3 anos, o fotógrafo russo Danila Tkachenko registrou a vida de pessoas que decidiram viver longe do restante da civilização ao migrar para locais inabitados do interior da Rússia e da Ucrânia. Longe de ser somente mais um passeio a trabalho, a viagem proporcionou ao fotógrafo uma incrível experiência ao conhecer pessoas que decidiram viver em completa solidão, morando em casas no meio da floresta.

“Você pode descrever suas condições de vida?

Danila: Você pode ver que tipo de personalidade a pessoa tem só de olhar para a sua casa. Há aqueles que constroem palácios inteiros usando materiais disponíveis na floresta. Algumas cavernas ocas, outros constroem cercas e até pontes. O trabalho é uma parte muito importante de suas vidas.”

Para encontrar estas pessoas, Danila teve de fazer uma pequisa profunda, já que esses nômades deixavam poucas pistas de seu paradeiro. Ao consultar prefeituras, jornais locais e fazendeiros das regiões, o fotógrafo conseguiu alcançá-los e mostrar o seu interessante estilo de vida através de um ensaio fotográfico.

“O que eles comem?

Danila: Algumas pessoas caçam, outros cultivar seu próprio alimento. Comem bagas e cogumelos. Se você conhece a floresta bem o suficiente, ela vai te dar muita comida. Mas eles também têm a opção de viajar para as aldeias vizinhas para fazer trocas com os habitantes.” 

Neste ensaio, o fotógrafo também registrou suas casas. Confeccionadas com barro, palha, dentro de cavernas ou com madeira da floresta, todas foram construídas com as próprias mãos e são agora a residências destas pessoas que vivem imersas em meio a natureza. 

Em entrevista para a revista Vocativ, o russo contou um pouco sobre como teve a ideia de fotografar os eremitas.

“Meu pai viveu na floresta como um eremita por cerca de três anos, mas depois voltou à viver na cidade. Eu estava interessado em ver como uma pessoa escolhe cortar relações com o mundo exterior para tentar se aproximar mais de si mesmo. É uma questão de olhar para a sua identidade real. Quando conheci essas pessoas, eu estava interessado em ver como eles se comparam a mim como um morador da cidade. Cerca de cinco anos atrás, estava caminhando pelas montanhas de Altai , quando me perdi e tive que passar cerca de um mês sozinho. Foi uma experiência muito difícil e importante para mim, e é por isso que decidi explorá-la ainda mais.”

O projeto resultou em um prêmio no concurso World Press Photo de 2014.

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“São essas as pessoas mais felizes do que aquelas que vivem na cidade?

“A felicidade é algo muito pessoal. Mas eles parecem viver em harmonia consigo mesmos e com o mundo ao seu redor. Eles são muito parecidos com crianças. Se eles estão tristes ou felizes, eles vão compartilhar isso com você, porque eles não têm o habito de usar máscaras sociais que as pessoas que vivem em um ambiente civilizado usam. Eles não têm padrões sociais para seguir e são pessoas muito sinceras e abertas.”

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Entrevista: Vocativ

Jardim do Mundo
escrito por:Jardim do Mundo
Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

21 Comentários

  • Achei legal mesmo, essas casas são muito massas, devem ter custado um bom tempo para serem levantadas, mas eles tem tempo suficiente, vivem nas florestas. Não tem os problemas da vida urbana, é realmente bom não ter com que se preocupar, apenas seu alimento. Se eu abandona-se tudo, acho que não conseguiria viver em apenas um lugar, a vontade de conhecer inúmeros lugares é muito grande e esse mundo é lindo demais para viver em apenas um lugar pela vida toda.

  • Difícil mesmo é conseguir renegar o conforto da vida urbana em prol de uma vida simples em harmonia com a natureza… O que faz recordar às concepções rousseaunianas sobre o “bom selvagem” corrompido pelo espírito civilizatório domesticador dos seus instintos naturais, que, numa linguagem psicanalítica nos faz lembrar do “mal- estar das civilizações”… Porem, será que já não somos corrompidos pela indústria cultural que nos vomita idéias e valores exclusivamente mercadológicos na formatação de seres técnicos, frios, calculistas e descartáveis nesta pós-modernidade de tantos modismos, o que difere radicalmente do perspectivismo nietzschiano no seio daquilo que ele via como honestidade intelectual, mas,infelizmente, se aproxima muito mais da bestialização humana, desligar o ser do seu próprio mundo, deixando-o viver no imaginário dos imaginários, dentro de uma transparente política de alienação das massas, já tão envoltas com o carnaval, o samba e o futebol. Será que a fantasia é um mundo melhor enquanto se mantem os privilégios de poucos? Será que o estilo de vida alternativo pressupõe avanços consideráveis no seio da democracia liberal? Será que conseguiríamos nos adaptar novamente a uma espécie de comunismo primitivo da pós-modernidade ou jamais abdicaríamos dos confortos propiciados pela vida urbana…

  • Eu estou traçando um plano para morar na mata. Admito que estou sendo detalista de mais porém isso é conveniente a minha sobrevivência e acredito que me preparar é o melhor que eu tenho que fazer para não ficar uns dias e voltar para cidade.
    Estou acampando, treinando técnicas de sobrevivência, tenho que aprimorar pesca e caça, pretendo usar de tudo que me resta para adquirir todos itens que me ajudariam a viver na mata de forma segura e definitiva.
    Só não faço a mínima ideia onde eu irei e gostaria muito de informações de matas extensas, no Amazonas que seria uma ultima opção. Analisei MG pelo Google Earth vi alguns locais interessantes mas não sei onde terreno privado ou governamental o que torna difícil a decisão de um local. Sabendo o local posso definir o que cultivar.

    • Uma vez passou uma comunidade no globo reporter que vive na bahia, é uma ilha. As pessoas vivem lá trocando suas habilidades para ajudar uns aos outros. Se souber o nome volto aqui para falar

      • Existem no Brasil algumas Ecovilas com esse tipo de proposta. Pesquise no google. Eu mesmo estou adquirindo uma área em uma delas com esse fim.

  • Bom dia a todos!!
    Alguém pensa em, pelo menos, tentar um dia viver num lugar mais tranquilo e de forma mais independente da vida urbana? Se sim, que tal fazermos um grupo para trocarmos experiências sobre isso?? É apenas uma forma de, usando a atual tecnologia que temos, nos aproximar e nos envolver nas ideias uns dos outros. Caso alguém esteja disposto me avise. Skype: abaudalexandre

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