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De bicicleta pelo mundo *(com os filhos!)*

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Este post é dedicado a todas as pessoas que dizem que nós, (Eu e Emi) só viajamos e temos esta vida nômade porque ainda não temos filhos. 1119941_569981043059177_497085155_o

Uma família alemã está pedalando pelo mundo com quatro crianças de 1 a 5 anos. Entre trocas de fraldas e pneus, juntos desvendam culturas e aprendem sobre cada país.

Feche os olhos e imagine só por um minuto como seria conhecer o mundo inteiro de bicicleta. Agora, pense nessa viagem com a companhia de quatro crianças, sendo que a mais velha tem apenas 5 anos. Sim, existe uma família nesse exato momento fazendo isso. Martin Glauer, 30 anos, sua mulher Julie, 40, e os quatro filhos – Moses, 5, Caspar, 4, Turis, 2 e Herbie, 10 meses são os seis protagonistas dessa aventura.

Tudo começou há dez anos em uma viagem para a Austrália, quando o supervisor de marketing alemão Martin conheceu a contadora canadense Julie em um acampamento. Apaixonaram-se e descobriram que tinham a mesma vontade de viajar pelo mundo. Foram morar na Alemanha. Cinco anos mais tarde, nasceu Moses, o primeiro filho do casal. “Uma vez, vimos um quadro que mostrava a sombra de um casal caminhando com seu cachorro na praia durante o entardecer. Nós amamos a pintura, mas, para nós, o quadro perfeito deveria ter nossos filhos – sim, nós já sabíamos que queríamos ter mais – e bicicletas. Foi aí que começamos a sonhar com uma viagem pelo mundo”, . Eles escolheram pedalar para ter mais liberdade de parar onde quisessem e ainda ficar em forma usando um meio de transporte sustentável. Claro que houve uma preparação física antes, com Martin correndo maratonas anuais e Julie praticando pilates para fortalecer os músculos.

Os planos e pesquisas começaram devagar, sem uma data para a viagem acontecer. Três anos depois e com a família maior, quando Julie estava grávida de Herbie, eles decidiram fazer uma viagem até a Romênia para perceber se os filhos iriam gostar do clima da aventura. As crianças amaram, aprenderam bastante sobre o lugar e aproveitaram cada momento. Era o aval para montar o roteiro, conseguir o que precisavam e realizar o sonho tão esperado.

No fim de março do ano passado, logo depois que Herbie nasceu, Martin terminou um trabalho importante na empresa em que trabalhava e patrocinadores contribuíram com toda a estrutura de bicicletas e equipamentos de camping e viagem para toda a família. Então tomaram todas as vacinas para ficar mais tranquilos nessa aventura e deixaram na Alemanha uma médica de confiança a postos para ajudá-los, por Skype, no que precisassem. “Compramos as passagens e, no fim de maio, partimos para o Canadá, o primeiro país de nossa volta ao mundo”, conta Martin. De lá, seguiram para os Estados Unidos, Guatemala, El Salvador e Brasil. Escolheram países mais planos para facilitar o transporte e fugiram do inverno para carregar menos roupas. No Brasil, eles chegaram em outubro do ano passado. Desembarcaram no Rio de Janeiro e seguiram de bicicleta até Salvador. Ficaram por lá dois meses.

   Reprodução

1. Na Golden Gate, em São Francisco, EUA 2. Moses e Caspar brincando enquanto os pais pedalam 3. Em frente às casas coloridas em Ilhéus, Bahia 4. Em Vancouver, Canadá

 Muito planejamentoPara tornar possível uma viagem tão grande com quatro crianças, Martin e Julie montaram uma espécie de carreta que se acopla atrás das bicicletas. Cada um leva duas crianças. É nessa estrutura, feita de lona e com tela para proteger do vento e de mosquitos, que as crianças viajam, sentadas confortavelmente. Há cintos de segurança para todas. O bebê Herbie sempre vai com a mãe em uma cadeirinha. Os outros três filhos revezam as viagens entre as bicicletas de Julie e Martin. E a família leva muita coisa. Duas sacolas grandes emborrachadas com roupas, algumas com fator de proteção solar, um kit de acampamento completo com sacos de dormir, barraca – que recebeu o apelido de Taj Mahal –, pia e chuveiro portáteis, panelas, copos e fogareiro. Têm uma bolsa com medicamentos para todos os tipos de doença – de febre a malária –, ferramentas para consertar a bicicleta, comida, muitos litros de água potável, fraldas, protetor solar, loção contra mosquitos e, claro, uma bolsa de brinquedos, livros e um iPod. Ao todo são 200 quilos de bagagem para servir de suporte para seis pessoas durante um ano. Parece muito, mas não é.A família pedala até 35 quilômetros por dia a uma velocidade de cerca de 20 quilômetros por hora. Para percorrer essa distância, ela leva de quatro a cinco horas por causa de muitas paradas. “Não estamos com pressa. Então, paramos quando as crianças ficam entediadas e aproveitamos para comer, ir ao banheiro e conhecer coisas que não estão no roteiro”, conta Martin.

Basta a bicicleta parar que Moses, Caspar, Turis e Herbie já querem descer, correr e descobrir o novo lugar. Brincam juntos e, às vezes, como toda criança, brigam também. É comum ouvir um choro porque um irmão fez algo que o outro não gostou. É nessa hora que o espírito aventureiro de Martin e Julie faz toda a diferença. Além dos problemas práticos de qualquer viagem, eles lidam com as necessidades de quatro crianças e isso inclui sono, fome, banho, troca de fraldas, birra e muita energia. Julie troca a fralda de Herbie em qualquer lugar, até no banco da praia, se for preciso. E haja lenços umedecidos! Tranquilo, o casal fica de olho nas crianças, mas deixa que brinquem à vontade. Não ligam se sujam as mãos ou se uma briga começa. “Aproveitamos para ensinar que somos uma família e um precisa do outro para viver. Dessa forma, eles também aprendem a dividir”, diz a mãe.

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Uma das principais preocupações de Martin e Julie é com a alimentação das crianças. Por isso, eles sempre carregam biscoitos, lanches de pão integral com frios, além de iogurte, legumes cozidos e muita água. Como não há recipiente para manter a temperatura adequada dos alimentos, eles os consomem rapidamente. “Nenhuma das crianças ficou doente até agora. Apenas Herbie teve febre, mas seus dentinhos estão crescendo e logo passou. Por isso, nunca precisamos chamar nossa médica na Alemanha, embora ela acompanhe sempre o blog para ver se está tudo bem mesmo”, conta Julie. Para baratear o custo da viagem, a família prefere acampar e preparar a própria comida. Foi assim, principalmente, nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, como choveu muito, eles ficaram em pousadas e fizeram muitas refeições em restaurantes por quilo. Todo mundo adorou tomar água de coco geladinha direto na fruta, mas o famoso acarajé baiano só caiu no gosto de Martin. Nos dias em que a alimentação é menos rica, Julie dá um comprimido de suplemento multivitamínico para os filhos, assim garante que eles consumam todos os nutrientes.

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1. Descansando na rede, na Guatemala 2. Escalando uma árvore, nos EUA 3. A família unida, na Guatemala 4 e 5. À beira da praia no Oregon, EUA

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Pôr do sol no Oceano Pacífico, EUA

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Aqui, os três filhos mais velhos na Guatemala. 1. Também na Guatemala, dentro do carrinho 2. No parquinho brincando com as crianças guatemaltecas 3. Acampando nos EUA

Por falar em dinheiro, a família garante que a viagem está saindo muito mais barata do que viver pelo mesmo período na Alemanha com custos de moradia, aquecimento, carro, etc. Eles fizeram um cálculo de 50 euros por dia, o que resulta em 22.500 euros por um ano, mais o custo das passagens aéreas, sendo que Herbie não paga e Turis, apenas metade. “Poupamos por bastante tempo e contamos com a ajuda do governo. No meu país, não há estrutura de creches para toda a população. Por isso, eles têm que pagar muito bem para as mães poderem ficar em casa com as crianças até os 3 anos. Nós usamos essa ajuda para nos manter também”, explica Martin. Além de acampar, se hospedar em albergues e pousadas, a família aceita o convite de outras famílias para pernoitar.

Isso aconteceu  no Brasil. Martin conheceu o empresário Gabriel, 50 anos, em uma loja que conserta bicicletas em Salvador. Gabriel os convidou para ir até a sua casa na Praia do Forte, a 80 quilômetros dali. Foi lá, na casa do empresário que fica de frente para o mar, que as crianças viram e alimentaram micos e provaram que são boas de garfo ao comer arroz, feijão, purê de batatas e peixe com molho de camarão. Todo mundo raspou o prato e Moses até repetiu.

Com regras, em qualquer lugar

Para quem fica intrigado em como eles controlam o dia das crianças, existe, sim, uma rotina dentro dessa aparente não rotina. Todos os dias, não importa aonde estão, a família acorda cedo, as crianças se trocam, arrumam as coisas, tomam café e saem. Há sempre uma parada para o almoço. No fim da tarde, quando voltam para o lugar em que estão hospedados ou chegam a uma nova cidade, é hora do banho, do jantar e de dormir. Por volta das oito da noite, todos os meninos já estão na cama. “É claro que, vez ou outra, saímos das regras, mas procuramos mantê-las para que se sintam seguros e saibam que está tudo bem”, conta Julie.

Outra questão que deixa as pessoas curiosas é saber o que a família e os amigos acham dessa aventura. Martin disse que todos estão entusiasmados. “Eles sempre souberam que amamos viajar e queremos que nossos filhos descubram esse prazer com a gente. O que mais incomoda é a saudade que sentimos deles e vice-versa”, fala Martin. Para amenizar um pouco, eles aproveitam os lugares com internet para falar com os avós. Mas há o apoio de todos: os pais de Julie ajudaram a conseguir os patrocinadores, os móveis da casa na Alemanha, que foi vendida para financiar a viagem, estão na garagem deles e é o irmão de Martin que atualiza o site (globalmobilefamily.com) com as informações e fotos.

Do Brasil, eles seguiram para a Austrália, para passar uma temporada na casa de um grande amigo da família, e enquanto você está lendo esta reportagem eles provavelmente estão chegando aos Emirados Árabes. Depois ainda passam por Omã, Índia, Tailândia, Camboja, China, Mongólia, Rússia e, em julho deste ano, voltam para a Alemanha, a tempo de Moses começar a estudar. Lá as crianças ingressam oficialmente na escola aos 6 anos. Elas estão perdendo um ano da educação infantil, mas a família acredita que viajar pelo mundo traz muito mais conhecimento. Depois da volta, eles pretendem transformar a aventura em um vídeo curta-metragem ou um livro de fotos para inspirar outros pais. E não devem faltar colaborações dos filhos: a cada parada, as crianças fazem uma espécie de diário de bordo e desenham o que mais as marcou naquele lugar. Entre baleias, ônibus, pessoas, bandeiras e comidas diferentes, não há como negar que o aprendizado dessa viagem será imenso e inesquecível.

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1. Vendo o Rio de Janeiro do alto do Corcovado 2. Ainda no Rio, perto do Pão de Açúcar 3. A caminho de Salvador, Bahia, parada para consertar a bicicleta

Jardim do Mundo
escrito por:Jardim do Mundo

Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

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