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Casal autossuficiente desiste da vida na cidade grande para viver no campo

casal autossuficiente

Casal autossuficiente comparte sua rotina longe da metrópole

Mergulhada no fundo de um vale, aquecidos pelas paredes de um velho celeiro, estavam a nossa espera. Nossos anfitriões, um casal autossuficiente. As fotos que você verá abaixo foram testemunhas da história de duas pessoas que largaram a vida na cidade para encontrar a liberdade na auto-suficiência.

Havíamos conhecido esse tal casal autossuficiente em um dos muitos encontros que acontecem em Portugal e que tivemos oportunidade de participar. Se tratam de workshops que falam sobre economia alternativa, práticas permaculturais e vivências, organizados em forma de eventos de fim-se-semana. Os dois estavam lá não como experts, algo que hoje eles se tornaram. Mas lá estavam coletando informações diversas para aplicarem em seus planos de vida, no desejo de serem tão autônomos quanto possível nas terrinhas que haviam. Fazia pouco tempo que estavam adquirido experiência e tinham muita vontade de mudar.

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Emil, Sara e o antigo celeiro

Sara, uma italiana e webdesigner. Emil, um sueco, trabalhador industrial que cresceu no interior.

Ambos, na faixa dos 30 anos, se conheceram e decidiram juntos deixar as carreiras e a corrida pela ascensão social. Mudaram seus planos para embarcar em uma viagem de bicicleta pela Europa. Partiram da Noruega, país onde viviam e uma das regiões com o maior IDH do planeta.

Difícil imaginar deixar o conforto de um país desenvolvido, mesmo quando se vive artificialmente dentro dele? Não para eles…

Subíamos uma íngreme encosta quando avistamos, a nossa direita, a escalar a montanha como nós, uma enorme lua, quase cheia, mas já grande o suficiente para ser nossa guia naquela noite calma e bucólica a caminho da Cherry Pound Quinta, o endereço dos nossos amigos e personagens da história que, hoje e em primeira mão, o Jardim do Mundo trás para você.

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Conhecendo o lar de um casal autossuficiente

Uma estrada quase intransponível nos forçou a deixar nossa casa sobre rodas no trecho de estrada ainda viável, a aproximadamente 4 ou 5 quilômetros da casa onde Sara e Emil viviam. O lugar: Uma propriedade rural secular, cheia de casas de pedra em ruínas. Elas foram construídas em um terreno difícil que, aos poucos, esta sendo transformada em um autêntico projeto de vida pelas mãos dos dois  e, claro, outras muitas mãos amigas.

Durante essa viagem de bicicleta com destino a Portugal, aprenderam muitas coisas sobre a vida no campo participando do dia-a-dia de fazendas biológicas, através do wwoofing. No caminho foram ficando mais tempo aqui e alí quando, finalmente, alcançaram Portugal. Em Portugal encontraram também uma estrela ascendente rumo a uma utopia. Apesar de sua crise financeira, no cosmos de movimentos sustentáveis espalhados pelo mundo, Portugal tem um lugar de destaque. Naturalmente este foi alcançado pela própria força  das ocasiões adversas que enfrenta.

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A crise em Portugal forçou a baixa dos preços dos imóveis (que já eram os mais baixos da Europa ocidental). Isso fez florescer pequenos sítios promovendo ou simplesmente aplicando a permacultura e a sustentabilidade em seus trabalhos diários. Eles queriam provar que um estilo de vida alternativo é possível para todos e em qualquer lugar. Foi disso que Sara e Emil haviam ouvido falar durante sua viagem de bicicleta. Juntando todo dinheiro que conseguiram, compraram um pequeno pedaço de terra próximo a Serra da Estrela, se lançando nessa nova jornada.

O que os dois fazem talvez não possa ser classificado exatamente como um projeto permacultural, ou um empreendimento sustentável. Sim inclina-se mais ao grau de aventura a que se lançam os apaixonados, ávidos por provar do mundo real.

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Um lugar para deixar sementes

Tal como nós, Emil e Sara procuram um lugar pra deixar suas semente e ver amadurecer os frutos. Eles estavam literalmente conflitando com o paradigma urbano, aquele que rende não muito mais que papéis, burocracia e, por vezes, o isolamento.

Longe da cidade grande, onde tudo deve seguir um padrão, um velho celeiro foi revitalizado. Logo era transformado em uma casa provisória. E que casa! Todas as edificações que revitalizaram foram feitas graças a abundância de materiais que a região lhes fornece. Madeira, pedras, barro são seus materiais prediletos contando com a força de uma velha camioneta para ir a cidade comprar, vender ou trocar produtos e a companhia dos seus animais e alguns vizinhos e amigos que sempre aparecem para aquele dedo de proza. E a estrada de acesso?! Impraticável; melhor mesmo é caminhar.

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Próximo uns 100 metros dessa linda e curiosa morada repousava  velhas pedras de uma antiga casa em ruínas que hoje esta sendo reedificada. Mal podemos esperar para ver o resultado, certo?!

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Com algum tempo de trabalho eles já tem uma pequena criação de peixes. Também alguns gansos e não falta espaço e ideias para os projetos que o lugar desperta. Tudo isso contando com muito pouco ou nenhum dinheiro. Esse algo que hoje em dia já não faz parte da realidade do casal.

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Muito do que comem é fruto da vegetação natural desse inóspito lugar. Aí as temperaturas anuais variam do ardente verão de 35 graus até um gelado inverno de -10 graus. Castanhas, cogumelos e toda sorte de produtos comestíveis podem ser encontrados em uma hora de caminhada pelos campos. É algo carregado de energia e significado, que só se compreende pelo olfato, pelo tato e no silêncio de uma noite sem vento como aquela que abrigava nossa caminhada noturna. Um único pensamento nos acompanhava naquele momento, o de fazer também nossas vidas tão cheia de significados como aqueles que vivemos em uma conversa tranquila e um jantar regado ao vinho da região.

[Guia básico de agricultura Biológica]

Quando já bocejávamos, preguiçosamente próximo ao fogo, que já se consumia em brasas, e ríamos satisfeitos de qualquer coisa, descobrimos algo. Era que logo já não seriam mais apenas um casal na solidão das montanhas que os rodeavam. Em poucos meses formariam uma família completa com a chegada de Ema.

Essa menina nasceu em uma manhã de primavera, em uma tenda branca nas profundezas daquele vale. Ela se tornou o rebento que levará adiante a experiência que você acaba de testemunhar.

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E a velha casa em ruínas já não é o lar de dois aventureiros, marinheiros de primeira viagem. Será agora a casa de uma família, assim como um grande exemplo de vida e sustentabilidade para todos nós.

Veja em fotos como foi o início dessa aventura até aqui:

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Fotos: Sara & Emil ( Cherry Pond Quinta) – Reprodução Proibida.

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escrito por:Jardim do Mundo

Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

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