Reflexões

Cabelos – assuma os seus erros e destrua o rótulo

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O cabelo comprido continua sendo um padrão feminino. Cabelos compridos em homens geram notícia e cabelos curtos em mulheres, de certa forma, ainda chocam. As mulheres devem cuidar do cabelo, esse é o rótulo. Não, não estou falando de higiene. Higiene é regra de convivência em sociedade. O rótulo que persiste é que a mulher que se ama é aquela que cuida do cabelo. Horas em salão de cabeleireiro, muitas camadas de tinta, tutoriais na internet, cortes da semana de moda de Paris, produtos usados pelas Kardashians. Por quê? O cabelo feminino ainda é assunto, definidor de vagas de emprego, conteúdo de debates acalorados entre professores e alunos e norma para algumas profissões.

Calma! Não precisa se desfazer das horas de paz passadas no salão se isso traz boas energias para a sua vida. Mas você pode fazer do seu corte de cabelo uma declaração de liberdade, rasgar o rótulo, como se este fosse uma lei impressa. Você já pensou em cortar o seu próprio cabelo e fazer disso um hábito?

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Cortar o próprio cabelo pode ser libertador. É uma atitude que diz muita coisa. Cortar o próprio cabelo grita, mesmo para quem não quer ouvir, que quem manda aqui sou eu. Se eu quero despentear o cabelo, cortar uma franja bem curtinha ou cortar mechas longas inteiras, o cabelo é meu e eu decido o que é melhor. Quem corta o próprio cabelo, além de economizar uma grana, diz para o mundo que sobrevive aos erros causados por si mesma. Minha franja torta é um erro meu, vivo bem com ele todos os dias e chego até mesmo a gostar desse erro. A mulher que corta o próprio cabelo quer que todos saibam que mesmo com o cabelo cortado por uma amadora na arte das tesouras, ela continua sendo a mesma pessoa, só com a aparência um pouco diferente.

Cortar o cabelo em frente ao espelho em uma noite tediosa mostra para quem impõe rótulos que o meu cabelo seja ele curto ou longo, liso ou em cachos, arrumado ou descabelado não me define. Talvez o mundo não te leve tão a sério, porém você sabe internamente e reconhece a coragem da sua ação.

Há uns anos, a filha de Linda McCartney, a estilista Stella McCartney, disse em entrevista que se lembrava da mãe como um espírito livre. Ela se referia ao gosto de Linda por roupas estranhas e cortes de cabelo feitos em casa sem a ajuda de um profissional. Que elogio mais sincero: um espírito livre. Nada melhor.

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A poetisa, punk e artista plástica, Patti Smith, diz que cuida dos próprios cabelos desde a década de setenta. Em seu ótimo livro de memórias, Só Garotos, ela afirma que ao ser chamada de cantora folk na rua, se irritou e cortou os longos fios de cabelo em seu apartamento apertado em Nova York. Fez os aparos em seu cabelo inspirada por fotos de músicos em revistas de rock. Patti diz em entrevistas que se inspira em personagens importantes para cortar o cabelo: “picotei todo o cabelo até me parecer com um Rolling Stone”.

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Talvez esteja na hora de todos nós darmos uma chance ao desconhecido. Mesmo que seja em pequenas atitudes como cortar o próprio cabelo. Aparar os fios, sem se desculpar e se orgulhar da sua atitude impensada e impulsiva. Porque de julgamentos o mundo lá fora já está cheio.

[Mulheres vivem mais quando em contato com a natureza]

As mulheres passam por muitas imposições. Durante toda a vida e de várias formas. Os pais impõem às filhas mais coisas do que impõem aos meninos. Modos para vestir, modos para se comportar, modos para existir. Todas imposições e rótulos são vistos como obrigação e encarados com naturalidade pela sociedade. Enquanto meninas precisam ser penteadas, os meninos podem ter os cabelos desgrenhados e isso ainda é associado à espontaneidade.

As meninas crescem e alguns padrões impostos pelos pais caem e se transformam em história, em página virada. Crescida, a menina pode se vestir como quer e se comportar como acha conveniente. Mas a maioria não se liberta da ditadura do cabelão escovado. Liberte-se, seja ousada e aguente a consequência que uma franja toda torta pode representar. Seja um espírito livre porque cabelo cresce.

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Ana Mello
escrito por:Ana Mello
Sou do Rio de Janeiro, gestora ambiental, tento ser gentil com todo mundo mas reviro os olhos quando alguém fala alguma bobagem. Todo dia procuro crescer como profissional de meio ambiente, melhorar meus dotes culinários e ouvir músicas estranhas.

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