SustentabilidadeVida Natural

SERTA: uma escola de agroecologia na Zona da Mata

SERTA

O Serviço de Tecnologia Alternativa (SERTA), foi criado em 1989 por um grupo de técnicos rurais com ampla experiência em educação popular. Hoje, ele é um centro de promoção da mudança na relação entre agricultura, trabalho rural e educação.

Para tal, atua principalmente em duas frentes: ensina sua metodologia PEADS em escolas e oferece um curso técnico em Agroecologia. Além disso, oferece vários pequenos cursos livres de agroecologia e serviços em agroecologia.

Os primórdios

O SERTA surge da percepção de que a mudança para a Agroecologia é uma mudança cultural e, portanto, demanda mais atuação no campo da cultura do que apenas o ensino de técnicas. O grupo de técnicos rurais que o fundaram haviam estagiado no Cecapas ─ Centro de Capacitação e Acompanhamento de Projetos Alternativos da Seca ─, criado pelo bispo Enes Paulo Crespo. O Cecapas oferecia vários cursos de cinco dias para capacitar os povos em áreas de seca a lidar com ela de maneira saudável, e para isso o centro também contava com várias unidades demonstrativas.

Depois de alguns anos, os técnicos tiveram a oportunidade, através do Programa de Apoio ao Pequeno Produtor Rural ─ Prorural ─, de acompanhar de perto os produtores rurais que eles capacitavam. Criaram uma estrutura em que os estagiários do Prorural, por sua vez também técnicos rurais, passavam dois meses aprendendo no Centro e depois mais dois atuando nas comunidades, roçando ao lado dos produtores. O projeto foi tão bem sucedido que a maioria dos estagiários, ao terminar o programa, passava mais anos atuando na comunidade, e os resultados agroecológicos eram impressionantes.

A fundação do SERTA

Com essa nova proposta da pedagogia da alternância para atuar na mudança de cultura pró-agroecologia, é fundado o SERTA. Logo em seus primeiros anos, eles percebem a importância de atuar também diretamente com as escolas públicas, que simultaneamente eram grandes promotoras de cultura, portanto importantíssimas aliadas, e potenciais produtoras de conhecimentos, uma vez que continham inúmeras pessoas com o objetivo único de estudar, pesquisar e aprender.

Depois de realizar encontros com estudantes, o SERTA une seus conhecimentos em Educação Popular e cria uma proposta para a Educação Formal: a PER, Proposta de Educação Rural. Essa proposta passa a ser aplicada pelo próprio SERTA e pelo MOC ─ Movimento de Organização Comunitária ─, em vários municípios do Agreste. Em 1995, a PER ganha um prêmio do Itau-Unicef, o que abre diversas portas.

O projeto educacional do SERTA vem a ser aplicado em diferentes programas como o Peti ─ Programa de Erradicação do Trabalho Infantil ─, e a Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável. Em 2002, suas propostas são incorporadas às Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campos. A PER veio a se tornar PEADS ─ Proposta Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável.

Espaço de ecotecnologias

As tecnologias rurais do SERTA

Além de dar cursos, formações e oferecer serviços rurais, o SERTA é um centro de inovação agroecológica, e produz e incentiva o uso de diversas tecnologias rurais.

Agrofloresta

A agrofloresta é uma técnica de plantação que mimetiza a natureza, mais especificamente as florestas. Ela é feita através de diferentes canteiros sequenciais de consórcios de sementes, e alterna necessariamente canteiros de produtos para o humano (comida), para o solo (adubação verde) e para a natureza (nativas e formação de florestas).

Estômago de biofertilizante

É um sistema em três fases. Na primeira, é inserido esterco três vezes por semana. Esse material passa por canos para um segundo espaço onde fica embaixo de uma caixa d’água pesadíssima, cheia de plantas, e é processado por bactérias. O que sai dessa segunda fase por novos canos já é o biofertilizante, que é então usado como adubo nas partes mais nobres de plantações.

Bioconstrução

A sala principal do SERTA, “Energia”, foi construída com adobe.

Geladeira natural

Um pote de barro envolto em um monte de areia molhada dentro de um outro pote de barro maior, com um pano molhado por cima. Pronto: temos uma geladeira natural!

Móveis de pneus reutilizados

Esse é um tipo de projeto que ajudas pessoas e meio ambiente. Você também conhece outros projetos como este? Então, deixe o nome nos comentários.

Amanda Matta
escrito por:Amanda Matta
Filha de Ogum e Oxum, estudante de tudo que pode nos levar ao reenvolvimento: educação, política, meio ambiente, nutrição, cultura, espiritualidade. Paulistana de sangue mineiro e alma pernambucana.

Deixe um comentário