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Saiba como se conectar com os alimentos por meio da meditação

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A cozinha é um espaço muito especial e sua importância excede a ideia de que é apenas um espaço para o preparo de alimentos. Uma cozinha é um espaço de transformação do bruto para o sutil. É um lugar para se conectar com os alimentos e consigo mesmo.

Uma cozinha contempla pedaços de uma cultura, o sabor das memórias afetivas (o bolo da tia, o pudim da avó), o ponto de partida de uma mudança de hábito e a inserção de uma vida mais equilibrada. Uma cozinha é um recanto de histórias. Cozinha contém sonhos, contém também seus traumas, mas com força maior, cozinha é espaço de acolhimento, cuidado e mesmo terapia. Ir para a cozinha preparar refeições é uma tarefa importante e benéfica não apenas para a saúde física, mas também para a saúde mental. Além disso, quando preparamos nosso próprio alimento, estamos exercitando a percepção e um senso de presença mais concentrada.

Vale ressaltar que com um pouco mais de empenho, a cozinha se torna peça fundamental no cuidado ambiental: senso de medida, uso integral de alimentos, uso de produtos de empresas comprometidas com o meio ambiente, alimentos livres de violência (não uso de produtos de origem animal), cantoneiras de temperos e mini hortas, reuso de embalagens, etc.

É nítido que a cozinha faz mais por nós e pelo meio ambiente (interno) e externo, do que imaginamos e que sim, ela pode ser o local mais importante da casa, se a transformarmos também numa escola de autoconhecimento!

Autoconhecimento e culinária: questão de foco!

Pensar em autoconhecimento sempre remete inicialmente a uma ideia de busca.

Quando queremos nos “autoconhecer” começamos a buscar livros, cursos, atividades de introspecção, terapias variadas, momentos de silêncio. Criamos uma lista de itens e saímos na rota da degustação. A ideia é que algo nos dê a receita precisa do como fazer e a medida do que somos. Certamente que isso não é como comida pronta, bastando apenas acionar alguns minutos num forno. Autoconhecimento é algo contínuo. Sabe aquelas receitas de pão que contemplam várias fases e você sempre tenta melhorar, aperfeiçoar, enriquecer com o algo mais e por isso treina, treina e a faz com frequência? E depois que aprende e pega “gosto” torna um hábito, ter aquele pão caseiro e saudável sempre presente? Você gosta do sabor, te faz bem!

É assim, com o autoconhecimento. Nada instantâneo, mas quando se pega o hábito, a vida certamente ganha um novo sabor e até mais saúde.

A cozinha é um ótimo local para exercitar o autoconhecimento. Cada processo que iniciamos ao preparar um alimento, se inicia antes, em nós, lá nos pensamentos. O tipo de pensamentos que temos gera uma ação, uma decisão e a qualidade de nossa energia que vai definir a qualidade do que preparamos. Lembra da fala de muitas avós e mães sobre o preparar alimentos com amor para dar certo?

É isso: se pensarmos que preparar um bolo para o café da tarde pode ser o momento de usar a criatividade, exercitar a paciência e o silêncio, por exemplo, iremos praticar isso e ao praticar isso, o bolo certamente existirá e dará certo. Se cada passo proposto, inicialmente e internamente, for seguido sem desvios, preocupações, expectativas ou medo, tudo flui para que o bolo dê certo.

Criar um ponto de foco, ir adiante sem distrações e levar a sério a decisão de fazer do momento culinário um momento de “retirada” do tumulto do mundo e de saída da apatia ou da excessiva ansiedade causada pela imensidão de pensamentos muitas vezes inúteis, pode ser aquela válvula de escape que tanto se busca. Com certa disciplina e frequência, logo o cozinhar mais terapêutico, curativo e meditativo, se torna um hábito bem prazeroso, fácil e transformador.

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A meditação na cozinha e o sabor de si

Meditar na cozinha é possível e não contém contraindicações. Basta lembrar de quantas pessoas conhecemos que gostam de cozinhar sozinhas e quando as observamos, percebemos que de fato, elas estão entregues ao processo. Não falam ou apenas ouvem suas músicas, não atendem ao telefone, ficam encantadas com um brilho especial no olhar diante dos resultados. Isso é meditar, essa entrega! Ainda que não seja um meditar reconhecido como meditar.

“Meditar é criar yoga com algo.”

A palavra yoga não se refere apenas a contorcer o corpo e realizar posturas ou fazer um alongamento. Yoga significa conexão!  Posso dizer que enquanto escrevo este texto, estou em yoga com os leitores, colocando uma energia e uma atenção nessa atividade e, então, criando mais energia. É exatamente esse movimento que cozinheiros dedicados amadores ou profissionais, empregam em suas atividades culinárias: conexão.

Pensar nas refeições semanais, fazer uma lista, ir ao supermercado, arrumar a despensa, etiquetar potinhos, passear na feira e supermercados escolhendo itens com uma energia de amor e cuidado, já se refere aos primeiros passos para boas receitas e também já se caracteriza como exercício de meditação, se for feito com foco e intenções mais elevadas. A intenção colocada na ideia do cozinhar algo, já determina a qualidade desse algo.

A conexão concentrada e amorosa começa nestas fases e quando chega a hora do corte de legumes e verduras, da separação de grãos, do cozinhar propriamente dito, há uma experiência transformadora e bonita.

O preparar de alimentos é uma atividade alquímica. A energia do cozinheiro (o estado interno), mais a energia do tipo de alimento, mais a intenção gera vitalidade ou apatia. Há alimentos puros, chamados de sátvicos (alimentos oferecidos pela natureza, isentos da energia da dor e violência, frescos) que de fato transformam cozinhas em salas de meditação.

Na cozinha se experimenta as próprias qualidades, que são muitas, se degusta o nível de paciência existente, a capacidade de aceitação daquilo que não sai bem como o planejado, porque pode ocorrer, se treina a calma e tantos outros conteúdos internos que temos. Além disso, há a experimentação de si na forma mais orgânica e mais verdadeira. Podemos gostar muito do que vemos ou podemos até nos incomodar com alguns aspectos, o que também é bom. É quando sabemos que alguma receita interna precisa ser ajustada, cuidada.

Vale então, criar um novo olhar para o espaço cozinha e fazer dele um local sagrado. O processo de autoconhecimento certamente terá um novo significado, deixando de ser algo traumático, exaustivo e difícil e a meditação não será mais um evento que depende de algum bilhete dourado, será acessível e contínua.

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Meditação sugerida para seu momento culinário: 

PRÉ – PREPARO

Sente-se tranquilamente e restaure sua respiração. Desacelere. Quando sentir que sua respiração está harmonizada, lave suas mãos colocando sua presença neste momento. Sinta a água, imagine que não há apenas limpeza de sua pele, mas também de seus pensamentos. Ansiedades, expectativas, medos … tudo isso vai embora.  Seque suas mãos com delicadeza.

Perceba seus pensamentos. Mantenha-os elevados e positivos.

PREPARO

Neste momento, volto minha atenção ao meu espaço interno. Vou soltando a necessidade de responder a qualquer chamado. Ali, no centro de minha testa, num ponto, brilha a mais bonita energia. Aquilo que sou! Uma alma plena e cheia de qualidades. Uma alma capaz de transformar e criar uma vida doce, equilibrada e saudável. Sinto-me conectado a uma energia inesgotável de paz e de verdade. Me preencho dessa paz, sinto todo meu potencial emergir como uma flor que brota num belo jardim. Mantenho-me ali, desfrutando dessa sensação de empoderamento. Em tudo que faço há amor porque sou amor. Sou um ser curativo, criativo e fácil. A energia da facilidade que experimento, garante que cada ação minha, seja fluída e leve. Não há obstáculos e nem bloqueios. Há apenas a realização de tudo aquilo que é benéfico, preciso e perfeito.

(Procure mentalizar essas palavras ou repeti-las baixinho. Colocá-las em seu mural na cozinha é uma boa pedida! Crie também as suas meditações).

ENTREGA E DEGUSTAÇÃO

Mantendo a experiência, a energia de silêncio ou com uma música mais instrumental e suave é hora de se conectar com os alimentos. Comece a fatiar legumes, misturar itens, mantendo os pensamentos elevados e a concentração em cada processo. Isso é o que cria uma presença poderosa.

Ao alimentar-se, não esqueça de manter a energia e os pensamentos de que cada célula de seu corpo e toda sua energia está repleta de saúde e vitalidade.

Dica: desligue celulares.

Valeria Amores
escrito por:Valeria Amores
Val é de Santos, gosta do nascer e do entardecer alaranjado que o céu do litoral concede quase todo dia! Pedagoga, apaixonada por projetos sociais e por movimentos que incluam o uso de todo potencial criativo, ou seja, toda ideia é uma semente cheia de valores. Toda ideia é flor e fruto. Toda ideia alimenta e nutre algo. Vegana , mãe de duas almas lindas, pratica meditação Raja Yoga, voluntária e aluna nas atividades da Brahma Kumaris Brasil . Estuda gestão ambiental, cozinha bastante, cria receitas veganas, compartilha, ensina. Tem 37 anos e acredita no poder da ecologia e da sustentabilidade interna como motivadores para um mundo melhor. Comunicativa, silenciosa e também faladeira, risonha , gosta de escrever e papear sobre coisa elevadas e positivas. Adora desconstruir limites que nos prendem a gravidade e ao peso, acredita na psicologia positiva sempre e tanto, o quanto for possível e necessário. Vamos voar para as possibilidade de melhoria, que tá na hora!

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