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Graças a Permacultura essa vila saiu da precariedade para a autonomia alimentar

Esta remota e pobre vila foi capaz de reviver seu solo e gerar abundância e auto-suficiência alimentar graças à permacultura.

“Brachoua – uma horta no deserto ” é um documentário sobre permacultura , produzido por Stéphane Ferrer Yulianti . Esta pequena vila vivia em total pobreza, sem água ou eletricidade, longe de qualquer auto-suficiência alimentar. Mas a permacultura passou e trouxe consigo abundância e prosperidade.

Sem água, sem eletricidade

Cerca de 50 quilômetros a oeste de Rabat no Marrocos, a uma altitude de 400 metros encontramos Brachoua, uma vila sem água corrente ou eletricidade. A precariedade de suas 60 famílias foi agravada pela falta de atividade econômica que levou os homens a trabalhar na capital.

Os habitantes reagiram

Em 2017, seus habitantes decidiram reagir: eles se reuniram começaram a procurar soluções para revitalizar a aldeia e garantir a autonomia alimentar.

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Permacultura

Em suas pesquisas, eles se depararam com a Permacultura como um conceito relacional e um objetivo a perseguir que se refere a um significado dinâmico e flexível, focado no respeito à Vida.

Os moradores foram instantaneamente seduzidos pelo paradigma que leva à integração harmônica do ser humano e o meio ambiente e logo colocaram em prática um plano de ação para aprender mais sobre o assunto. Através das redes sociais e da mobilização popular eles conseguiram trazer até a vila diversos especialistas para ensinar as bases teóricas e práticas. Em pouco tempo as famílias começaram a por os ensinamentos em prática e a cultivar suas hortas usando os princípios das permacultura. 

As mulheres criaram sua  própria cooperativa

Esta primeira fase garantiu uma certa abundância na produção de alimentos, mas não foi suficiente para gerar renda para a vila. Os habitantes então desenvolveram novos setores para valorizar os produtos de seu solo. Em vez de vender frango, ovos, pão e cuscuz  com uma margem muito pequena, eles desenvolveram cestas orgânicas para serem vendidas nas cidades próximas.

|Leia mais: 5 formas de aplicar a permacultura em sua horta|

As mulheres da vila também criaram sua cooperativa de cuscuz. A dinâmica foi lançada …

Destino de ecoturismo

Sendo a vila cada vez mais visitada, os habitantes organizaram trilhas para caminhadas. Agora pode acomodar até 250 caminhantes por fim de semana. Brachoua agora tem energia sustentável e três fontes de água e a vila se tornou um renomado destino de ecoturismo na região. Um passo gigante em dois anos.

Caminho de Mudança

A Permacultura passou a ser difundida na Austrália, considerando que, naquele país, a agricultura convencional já estava em decadência adiantada, mostrando sinais de degradação ambiental e perda de recursos naturais irrecuperáveis. Na verdade, em situação muito similar a do Brasil de hoje.

Os conceitos de agricultura permanente começaram a se expandir como uma cultura permanente, envolvendo diversos outros elementos e desenvolvendo uma verdadeira disciplina holística de organização de sistemas e de planejamento da nossa permanência no planeta.

Provendo alimentação, energia e habitação e integrando todos os aspectos da sobrevivência e da existência de comunidades humanas, a Permacultura não é uma especialidade, mas uma grande generalidade. É muito mais que agricultura ecológica ou orgânica, englobando ética, economia solidária, fatores sanitários, sistemas de captação e tratamento de água, tecnologias alternativas de produção de energia (solar, aeólica, etc.), bioarquitetura (construção ecológica), etc. Através da Permacultura, são obtidos bens e serviços capazes de satisfazer as necessidades materiais e não materiais das comunidades, de forma local, ética e sustentável.

O conhecimento sistematizado pela Permacultura começou a se espalhar para várias outras partes do globo, como um movimento de caráter mundial. Hoje, existem institutos de Permacultura em todos os continentes, em mais de cem nações. Diversos países, como o Brasil, vêm adotando a Permacultura como metodologia agrícola e, até mesmo escolas de todos os níveis estão incluindo a Permacultura no seu currículo básico.

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Para realizar a Permacultura, é necessário adotar uma ética específica de sustentabilidade que exija um repensar dos nossos hábitos de consumo e dos nossos valores, em geral. Os pontos fundamentais são definidos assim:

  • Cuidado com o planeta Terra – Essa é uma afirmação simples e profunda, com o intuito de guiar nossas ações para a preservação de todos os sistemas vivos, de forma a continuarem indefinidamente no futuro. Isso pressupõe uma valorização de tudo o que é vivo e de todos os processos naturais. A árvore tem valor intrínseco, é valiosa para nós, não somente pela madeira ou pelos frutos, porque é viva e realiza um trabalho que proporciona a continuidade da vida no planeta. Assim, também têm valor a água, os animais, o solo e toda a complexidade de relações entre organismos vivos e minerais existentes na Terra.
  • Cuidado com as pessoas – O impacto do ser humano no planeta Terra é, sem dúvida, o mais marcante. Portanto, a qualidade da vida humana é um fator essencial no desenvolvimento de estratégias de sobrevivência. Somos quase 6 bilhões habitando na superfície terrestre. Assim, se pudermos garantir o acesso aos recursos básicos necessários à existência, reduziremos a necessidade de consumir recursos não-renováveis. Portanto, os sistemas que planejarmos devem prover suas necessidades de materiais e energia, como, também, as necessidades daquelas pessoas que neles habitam.
  • Distribuição dos excedentes – Sabemos que um sistema bem planejado tem condições de alcançar uma produtividade altíssima, produzindo assim um excesso de recursos. Portanto, devemos criar métodos de distribuição eqüitativos, garantindo o acesso aos recursos a todos que deles necessitam, sem a intervenção de sistemas desiguais de comércio ou acumulação de riqueza de forma imoral. Qualquer pessoa, instituição ou nação que acumule riqueza ao custo do empobrecimento de outras está diminuindo a expectativa de sustentabilidade da sociedade humana.
  • Limites ao consumo – Isso requer um repensar de valores, um replanejamento dos nossos hábitos e uma redefinição dos conceitos de qualidade de vida. Alimento saudável, água limpa e abrigo existem em abundância na natureza; basta que com ela cooperemos.

Como ilustração, podemos citar algumas máximas da Permacultura:

  • a) O problema é a solução;
  • b) Substituir altos investimentos e trabalho por planejamento e criatividade;
  • c) A diversificação garante a estabilidade;
  • d) A estabilidade vem quando se fecham os ciclos;
  • e) Os problemas são basicamente domésticos e podem ser resolvidos no nível doméstico;
  • f) Todo sistema deve produzir mais energia do que consome;
  • g) Visa-se cooperação em vez de competição, integração em vez de fragmentação.

A Permacultura é um caminho, uma filosofia de vida. Está pautada em grandes princípios e é extremamente prática. Certamente, representa um maravilhoso horizonte a toda pessoa de consciência ecológica e interessada em planejamento sustentável para os novos rumos de desenvolvimento que legaremos às próximas gerações.

Partilho da compreensão de que a Permacultura abre um grande campo de estudo, aprendizado e trabalho. Na educação, em particular, são quase infinitas as possibilidades de difundir este conhecimento e nutrir seus princípios.

Brachoua é a prova de que a agricultura que respeita a natureza realmente traz abundância.

Se você quer dedicar um pouco do seu tempo a Brachoua, saiba que a vila pode recebê-lo em troca de algumas horas de trabalho solidário. Toda a informação aqui .

 

Jardim do Mundo
escrito por:Jardim do Mundo
Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

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