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Aprenda a fazer um diário de temperos para uma imersão culinária lúdica, afetiva e transformadora

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Diariamente manipulamos alimentos variados. Essa é uma afirmativa válida para aqueles que gostam de passar um tempo de qualidade na cozinha. Junto aos alimentos, encontramos os tão amados temperos, que para muitos, são parte fundamental de uma boa preparação culinária. Os temperos oferecem sabor, cor e vitalidade ao cardápio.

Da pimenta ao açafrão, da páprica ao cominho. Todos eles trazem uma experiência que envolve sentimento, movimento, quietude, introspecção.

No filme grego “Tempero da Vida”, que envolve a história de Fanis, um garoto grego que vive em Istambul, na Turquia e seu avô, Vassilis, um filósofo culinário que o ensina que tanto a comida quanto a vida precisam de um pouco de sal para ganhar sabor, existem muitas frases que nos inspiram a perceber a função ampla e mágica dos temperos:

“Cominho é um tempero muito forte. Deixa as pessoas introspectivas. A canela faz as pessoas olharem umas nos olhos das outras. Se quer dizer ‘sim’, então adicione canela.”

“A pimenta é quente e queima como o sol. E o sol vê tudo. É por isso que a pimenta vai bem em todas as comidas.”

Os cozinheiros de alma, se encantam com esse filme, pois sabem que manipular temperos, muitas vezes frescos, oferece ao momento culinário mais que um “fazer”. O momento culinário é uma entrega, uma feitiçaria que contém positividade e acolhimento.

Brincar com possibilidades, descobrir critérios, desvendar hipóteses e combinações ideais, garante uma refeição não apenas saborosa, mas uma refeição que nutre de cuidado e amor,  aqueles que degustam.

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Leia mais: Saiba como criar um diário de fractais para exercitar a criatividade

Para te ajudar numa imersão com os temperos que usa diariamente, talvez sem muita atenção, proponho a criação de um diário de temperos.

Passo a passo do diário de temperos:

  1. Arranje um caderno com folhas sem pauta.
  2. Arranje saquinhos pequenos (bem pequenos mesmo).
  3. Não vá para a cozinha sem ele.
  4. Escolha o tempero que quer começar a estudar. Um exemplo prático: Páprica. Pegue na mão e sinta a textura.
  5. Coloque no saquinho um pouco do tempero. Sele bem.
  6. Escreva no alto da página o nome do tempero.
  7. Se desejar, pesquise nome científico e local de origem. Coloque abaixo do nome.
  8. Cole bem o saquinho do tempero com uma fita transparente, no caderno.
  9. Ao lado, escreva sobre a textura (fina, áspera, se dilui fácil). Sinta na palma das mãos, na ponta dos dedos.
  10. “Ouça” o tempero. Esfregue-o próximo ao ouvido. Pode se surpreender! Descreva (faz um som de areia ao ser esfregada ).
  11. Deguste com olhos fechados e de forma pura, cada tempero. É importante para perceber sua singularidade. Escreva sobre o sabor: amargo, doce, picante. Traz a língua, dormência, deixa lisa, irrita. Sabendo o efeito do tempero puro, certamente pensar em combinações e adequações se torna mais fácil. Cria-se uma imersão de aprendizado em equilíbrio! Também um aprendizado sobre diversidade e tolerância. Cria-se atenção plena ao momento presente.
  12. Umedeça o tempero. Pinte um círculo com ele. Fale da cor. Descreva! Vermelho dourado, por exemplo. Perceba a tinta natural que eles trazem consigo.
  13. Escreva em que preparações costuma usar e ao usar, coloque e o observe antes de juntar o outro. Deguste a preparação só com ele, depois faça as combinações. Assim terá material para descrever como ele age em contato com óleo, com a água quente, com determinados alimentos. Isso trará mais entendimento sobre ação e reação, sobre o efeito do tempo, sobre criatividade. Sobre o bom uso ou não para cada receita.
  14. Verifique se alguns ativam seu pensar ou se lhe deixam num estado mais quieto. Por exemplo, a pimenta, muitas vezes, faz as pessoas se concentrarem para sentir a ardência e logo depois elas soltam uma espécie de respiração profunda. Outros tipos de pimenta, promovem a ação rápida de um gole de água. Uma reação de criar e desconstruir na mesma medida. Registre suas percepções com você mesmo e se seus amigos toparem, convide-os para um laboratório do sentir.
  15. Coloque histórias familiares, a memória afetiva que tenha relação com o tempero. Por exemplo: minha mãe sempre teve folhas de louro secas penduradas na cozinha. Uso em pó, mas coloco a folha também, como uma lembrança saborosa, uma tradição. Aqui, percebo o poder da transformação que o tempero passa. Da sua essência à sua diluição. Percebo que temos raízes e laços.

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Você pode criar outras observações e manter esse diário na sua cozinha. Vai perceber que essa prática engrandece a ação do cozinhar. Deixamos a ideia da monotonia e da obrigatoriedade e mergulhamos no lúdico e no criativo.

Aprendemos com a natureza e com todo poder que ela oferece por meio de seus frutos, folhas, flores, sementes. Aprendemos, portanto, com aquilo que é original.

Mantemos a mente focada em experiências positivas e de aprendizado. Inegavelmente isso é fundamental. Cozinhar é alquimia pura e, portanto, conhecer cada aspecto envolvido com profundidade torna tudo ainda mais mágico.

Bons estudos e boa diversão.

Valeria Amores
escrito por:Valeria Amores
Val é de Santos, gosta do nascer e do entardecer alaranjado que o céu do litoral concede quase todo dia! Pedagoga, apaixonada por projetos sociais e por movimentos que incluam o uso de todo potencial criativo, ou seja, toda ideia é uma semente cheia de valores. Toda ideia é flor e fruto. Toda ideia alimenta e nutre algo. Vegana , mãe de duas almas lindas, pratica meditação Raja Yoga, voluntária e aluna nas atividades da Brahma Kumaris Brasil . Estuda gestão ambiental, cozinha bastante, cria receitas veganas, compartilha, ensina. Tem 37 anos e acredita no poder da ecologia e da sustentabilidade interna como motivadores para um mundo melhor. Comunicativa, silenciosa e também faladeira, risonha , gosta de escrever e papear sobre coisa elevadas e positivas. Adora desconstruir limites que nos prendem a gravidade e ao peso, acredita na psicologia positiva sempre e tanto, o quanto for possível e necessário. Vamos voar para as possibilidade de melhoria, que tá na hora!

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