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5 dicas para inspirar uma ceia vegana com itens da despensa

A cozinha vegana da televisão é repleta de itens e utensílios. A de casa, sabemos bem, que precisa ser funcional e adequada à nossa realidade. Seja tal realidade: econômica, física, climática, de horário e rotinas. Não dá para pensar na cozinha como um espaço de despejo de nossas faltas e euforias internas, através da entulhada dos armários, geladeiras e gavetas.

É preciso um olhar minucioso e honesto sobre a causa que queremos viver e o que fazemos onde vivemos. Não dá pra melhorar o mundo, sem incluir nosso cotidiano como ponto de partida.

Outra coisa bem habitual, é a busca das melhores receitas e também das mais caras. É um movimento quase certo de muitos cozinheiros da época festiva.

Há ainda a questão do clima brasileiro e dos ingredientes usados nas ceias. Em muitas regiões, o calor é bem intenso e o peso do cardápio não ajuda a refrescar.

Usamos itens desconectados com nossa realidade climática. Eis aí outro ponto que envolve a dupla fantasia e realidade. Viram que excede a cozinha como estrutura, itens e economia adentrando também, o conteúdo do prato?

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5 dicas para sua ceia vegana

1. Abrindo as portas da despensa sem medo

ceia vegana

Antes de buscar receitas, a proposta é olhar o que já temos em casa e realizar algumas perguntas: “Que grãos possuo e que consigo utilizar num prato simples e saboroso?”; “O que tenho plantado e que posso incluir numa salada?”; “Que farinhas já tenho guardadas que me permitem criar algo ou adaptar?”.

A partir daí é ver as quantidades e evitar comprar a mais. Na compra excessiva do “muito do mesmo”, muita coisa vai ao lixo e, além do desperdício, geramos gasto e perda do propósito sustentável que inegavelmente, a causa vegana também envolve.

Parte do entendimento: “Se veganizo meu prato, mas consumo demais e desperdiço, talvez falte um ajuste.”.

Buscar receitas focando nos itens da despensa, vai garantir que a criatividade brote e que o uso de habilidade culinária ecoe como um chamado interessante. Talvez, sem volta. Uma vez que a alquimia acontece e que se enxerga que é possível, a semente do hábito é plantada.

Vale pensar em tortas, cozidos, saladas com grãos, quibes de forno é uma boa pedida! Não canso de dizer que o que muda é a experiência.

É interessante partir do que já temos e nossa despensa pode nos mostrar bons caminhos e nos dar ótimas inspirações!

Um adendo: Não adianta usar sacolinha ecológica costurada em casa com material de reuso ou com nome de alguma causa, se dentro da sacolinha há excesso de consumo. É uma reflexão bem interessante: “O que vai dentro de sua sacolinha ecológica, é sustentável? É necessário, de fato?”.

Esse aprofundamento permite que saiamos da utopia das causas, do sonho e da superficialidade, partindo para a prática do que é real e do reconhecimento de nossa verdade com as causas escolhidas. O que é moda, empolgação, muitas vezes passa. O que é causa com honestidade, certamente fica e transforma, gera impacto positivo, inspira.

2. Prefira frutas, verduras e legumes da época

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Colocar no imã da geladeira as frutas e verduras da época, favorece a nossa tomada de consciência. Não se trata apenas de pagar um bom preço nas feiras, se trata de respeitar o ciclo natural da vida. Usar aquilo que  precisa ser usado e no momento certo.

Sobremesas e saladas mais frugais, mais refrescantes sempre ganham os corações e quase sempre não trazem consigo tantas contra indicações a estômagos mais sensíveis (sempre depende do que você mistura junto, certamente).

Estamos acostumados, por exemplo, a um bom bolo de nozes, ao chocolate, e claro que são maravilhosos, mas um bolo de maracujá, de limão ou de abacaxi também trazem um sabor interessante ao cardápio. Por vezes, mudar os sabores da mesa natalina é o ponto que faltava para que a ceia vegana se torne uma experiência inesquecível e prazerosa, até mesmo aos não veganos .

Use e abuse dos legumes cozidos para saladas e com leites vegetais faça a sua maionese, prato tradicional das festividades.

As verduras são indispensáveis paras saladas frias e podem acompanhar frutas. Faça também receitas com uso integral dos alimentos. Que tal uma ceia sem lixo?

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3. Não faça para durar

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Temos a ideia da fartura nessa época do ano. Os pratos das ceias duram dias na geladeira e mesmo durante a ceia, muita coisa se perde pelo excesso que vai ao prato. Calcule, planeje de acordo com a quantidade de convidados.

Ter uma ceia que renda dia 24 e 25 é mais que suficiente, mesmo porque, logo chega o ano novo e temos outra ceia para planejar. Se notar que ainda assim vai ficar muita comida em sua casa, que tal fazer a boa e velha “marmitinha” para os convidados usando potinhos/ embalagens de reuso?

Caixinhas, potes de algum item comprado que ficou encostado e pode gerar lixo. Decore alguns, tire os rótulos e vamos praticar sustentabilidade. Saladas a mais? Potes de vidro são uma boa pedida. Decore também e temos aquela saladinha no pote como presente.

Criatividade em pauta e de presente para inspirar. A proposta visa ainda, dar ao outro, uma nova forma de presença e de enxergar o uso dos recursos. Muitas vezes, nosso toque muda ações e traz novos hábitos a quem está em nossa volta.

O excesso nos enjoa justamente porque traz consigo: tempo, recurso e energia usados sem planejamento e sem sabedoria. O que é simples, prático, flui e flui porque usa o necessário. Percebam que no simples, precisamos de menos tempo, menos energia e menos recurso. Vale para tudo.

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4. Use seus utensílios

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Não guardar aquele monte de louça especial é a pauta. Que tal colocar em uso o que já tem em casa? Ficar esperando ocasiões especiais para usar algo, promove consumo, sabiam? O algo fica tão guardado que você pensa que precisa de mais e aí, compra mais. Saiu da proposta novamente! Consumir por não desconhecer  também é nocivo. Se lemos os rótulos para saber se há ingredientes de origem animal num produto, qual é a razão de deixar de “ler” o que temos em casa?

Além disso, vale fazer uma mesa com mais itens naturais e também com próprio material de reaproveitamento! Garrafas para vasos, copinhos e taças mais velhas comportam velas e mini arranjos. Copos que restaram de algum jogo maior, podem servir de potinhos de sobremesa.

E as cascas? Até isso se usa. Fez o bolo de maracujá? Usa a casquinha para vela, para colocar um brigadeiro vegano de colher. A casca de coco é ótima também para servir de potinho.

Não tem algo muito imprescindível? Veja com os amigos convidados se eles possuem. Faça-os movimentar o conteúdo empoeirado e esquecido dos armários!

5. Envolva corações na causa e não os assuste

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Muitas vezes, a imposição de uma ideia, de um jeito, de uma prática, acaba gerando bloqueios e reservas. O que para nós está esclarecido, fácil e justo, para o outro, pode ser ainda, um desafio. Exercício de empatia e paciência é necessário.

Como envolver pessoas em nossas ideias? Simples. Não tumultue as mentes, não envolva as pessoas, seus papéis, suas histórias e seus hábitos. Envolva os corações, a ideia do existir em comunhão, em parceria. Crie uma experiência significativa e até divertida. Lance um desafio! Faça um jogo.

Que tal pedir colaboração na hora de cozinhar ?

Chame os amigos para cortar, fatiar, ralar, mexer a panela. Vá mostrando que é possível ter uma ceia vegana e o quanto ela pode ser saborosa. Há essa ideia de dificuldade e moda que pairam no ar. Mostre que não! Traga para perto e crie uma vivência.

Uma vez percebendo que há possibilidade, simplicidade e facilidade, o coração se abre, a mente passa a pensar com mais abertura e o intelecto deixa de julgar negativamente e passa a discernir, a irradiar a ideia de consciência, de compaixão sem limites, sem distinção. Se cria uma vontade!

Outra proposta é criar um jogo. Escolha receitas simples e distribua aos convidados com antecedência. Proponha que cada um traga uma e juntos, montem a mesa com o dedo de cooperação especial de todos. Claro, que essa funciona, quando há liberdade suficiente para isso.

Faça até uma premiação de prato mais criativo (sugira presentes ecológicos  feitos por artistas locais, compre de seus amigos as lembrancinhas ou faça você mesmo). Para os pratos, é imprescindível pedir que itens da despensa sejam os protagonistas, ok?

Tais atitudes despertam o interesse e aproximam. É aí, que você chega na causa com profundidade e cheio de leveza. Garanto que muita gente já despertou para uma vida vegana assim. Pelo menos em meu entorno.

Ah, se for realmente necessário comprar algo além, que tal comprar em conjunto e a apenas a quantidade para usar na ceia? Temos economia, consumo na medida e trabalho em conjunto.

Enfim, vale ressignificar o encontro de natal e trazer uma atmosfera do simples, do essencial e da essência. Já que a pauta é amor, o amor precisa estar em nós, autêntico, genuíno, expandindo através de nossas atitudes, atingindo o fazer, o conteúdo do prato, envolvendo um ao outro em prol de uma mudança realmente positiva. Vale tentar nesse natal e no outro, no outro, até conseguirmos. E vamos conseguir, certamente.

Valeria Amores
escrito por:Valeria Amores
Val é de Santos, gosta do nascer e do entardecer alaranjado que o céu do litoral concede quase todo dia! Pedagoga, apaixonada por projetos sociais e por movimentos que incluam o uso de todo potencial criativo, ou seja, toda ideia é uma semente cheia de valores. Toda ideia é flor e fruto. Toda ideia alimenta e nutre algo. Vegana , mãe de duas almas lindas, pratica meditação Raja Yoga, voluntária e aluna nas atividades da Brahma Kumaris Brasil . Estuda gestão ambiental, cozinha bastante, cria receitas veganas, compartilha, ensina. Tem 37 anos e acredita no poder da ecologia e da sustentabilidade interna como motivadores para um mundo melhor. Comunicativa, silenciosa e também faladeira, risonha , gosta de escrever e papear sobre coisa elevadas e positivas. Adora desconstruir limites que nos prendem a gravidade e ao peso, acredita na psicologia positiva sempre e tanto, o quanto for possível e necessário. Vamos voar para as possibilidade de melhoria, que tá na hora!

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