Vida Natural

Casamento simples: festa vegetariana e econômica

Um casamento, algo que deveria ser simples e comemorar o afeto, tornou-se hoje alvo de uma indústria caríssima, que restringe a possibilidade de todos celebrarem. No entanto, é possível criar a possibilidade de um encontro de amor com colaboração e alegria sem gastar uma fortuna.

Veja a história dos noivos abaixo, que casaram em novembro de 2018.

A&A queriam casar apenas no civil e celebrar sua união com as pessoas mais próximas, mas não poderiam gastar muito dinheiro. Começaram então a se planejar elencando o que não poderia faltar: fotografias para eternizar o momento, um bolo vegano com pancs e flores comestíveis, alianças e música boa para todos dançarem. Levando em consideração os preços médios e uma estimativa de 60 pessoas presentes, decidiram que não gastariam mais de 5 mil reais em tudo.

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O espaço

A primeira coisa a ser eliminada de lista de gastos, então, foi o espaço: é possível realizar pequenas celebrações em parques e praças, desde que você não feche o espaço e permita a circulação dos frequentadores habituais do espaço.

Também não é permitido tocar música alta. Os noivos, então, optaram por casar no Parque da Independência, pois atrás do museu há algumas mesas de picnic que acolheriam os mais velhos e as crianças.

Na semana do casamento, no entanto, a previsão de chuva assustou o casal e eles optaram por mudar o local para o salão de festas de um parente, que foi alugado por R$ 50,00.

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A comida

Outra coisa que poderia ser cortada era a comida. A&A pediram que cada convidado contribuísse com um prato de doces, salgados ou uma bebida.

A colaboração de cada pessoa traria uma energia única para a festa, e garantiria que todos estivessem contemplados com pelo menos uma opção. Como sempre ocorre, as pessoas não só trouxeram o suficiente como sobrou muita comida, que foi distribuída no final.

Os convidados também quiseram se mobilizar para contribuir com coisas que acreditavam ser “de casamento”. A tia avó de uma amiga de infância fez bem casados, a mãe da noiva levou espumante, a mãe do noivo organizou toda a mesa e levou pratos de servir e uma madrinha levou doces de festa.

Foto: Marcos Alonso

As alianças e os trajes

As alianças escolhidas são de prata oxidada com detalhes de ouro: o par custou em torno de R$ 800,00 e foi feito artesanalmente pelo Estúdio Iracema.

O noivo usou um terno que já tinha e a noiva fez seu vestido (simples e curto, mas muito delicado) com uma costureira de bairro, que cobrou menos de R$ 300,00.

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O bolo vegano

O maravilhoso bolo da Veg to Go custou R$ 300,00 e foi montado na hora com flores comestíveis colhidas no dia. Os convidados não foram avisados de que o bolo era vegano e todos se apaixonaram pelo sabor!

Foto: Marcos Alonso @marcosalonso._

O restante da festa

O trio de forró contratado tocou por 1h30, duas entradas de 45 min, e cobrou, com o equipamento de som levado, menos de R$ 1.000,00. E o incrível fotógrafo, que acompanhou o casal desde o cartório pela manhã até o meio da tarde, também cobrou R$ 1.000,00.

A preocupação com a produção de lixo também era grande, por isso a noiva comprou alguns metros de tecido oxford e, por menos de 30 reais, fez um guardanapo de pano para cada convidado. Os noivos também ofereceram copos reutilizáveis, 1 por convidado, que depois foram levados para casa como lembrancinha para evitar o uso no dia a dia de copos de plástico.

Alguns pratos de vidro e talheres de metal foram disponibilizados, e os próprios convidados os lavavam na cozinha do salão quando necessário (afinal sustentabilidade humana também é sustentabilidade).

Com o preço do cartório, em torno de R$ 500,00, A&A conseguiram realizar seu casamento com “tudo que deveria ter” por menos de R$ 5.000,00. A celebração foi feita por muitas mãos e cheia de carinho de todos os amigos e convidados. Ao invés de uma festa extremamente planejada e luxuosa, o que tiveram foi um encontro de amigos construído colaborativamente.

Amanda Matta
escrito por:Amanda Matta
Filha de Ogum e Oxum, estudante de tudo que pode nos levar ao reenvolvimento: educação, política, meio ambiente, nutrição, cultura, espiritualidade. Paulistana de sangue mineiro e alma pernambucana, vive entre uma comunidade ribeirinha no Pará e uma tentativa de agrofloresta no interior de São Paulo.

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