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7 Dicas de como reduzir o lixo produzido na cozinha

reduzir o lixo

Ao aderir a uma vida em que prezamos por reduzir o lixo que produzimos, muito conhecida como Zero Waste Life, nos deparamos com o conceito mais importante dessa nova onda de conscientização: O que é o lixo?

Diferentemente do que fomos educados, lixo é apenas o material que não pode ser reaproveitado, podendo ser contaminante ou apenas sem nenhum outro aproveitamento. Aí a ficha cai! Quando relacionamos isso ao tanto de “lixo” que produzimos na cozinha.

Então aquela casca de banana não é lixo? Pois é, não.

O termo correto é resíduo, o que muda bastante coisa além da terminologia. Se ele não é um material contaminado e, ao mesmo tempo, pode ser reaproveitado para alguns fins, ele não deveria estar naquele baldinho perto da pia que todo dia é descarregado na lixeira mais próxima.

Quando percebemos, que grande parte do que chamamos de lixo apenas tem uma conotação errada, porque não sabemos o que fazer com ele, conseguimos notar que podem existir fins mais nobres do que o aterro sanitário para esse resíduo. E, como a cozinha é o local propício para sempre sobrarem cascas, saquinhos de plástico, ervas de chá, nada melhor do que saber como dar uma destinação muito mais bela para isso tudo.

Algumas dicas para reduzir os resíduos produzidos na cozinha:

1. Snacks de cascas

cascas

Essa dica é das velhas. Todo mundo ama aquela batatinha rústica assada com casca que sempre está crocante graças a essa película maravilhosa cheia de nutrientes.

Mas por algum motivo sempre tiramos a casca da batata quando vamos cozinhar em casa. Então, se você é desse time, pegue essas cascas e asse com um pouco de azeite e sal. É só esquecer no forno e, depois de uns 40 minutos, verificar para ver se já secaram e estão crocantes.

O mesmo vale para a batata doce, beterraba, cenoura e inhame. Fazer um mix de todas elas também fica muito bom.

2. Faça detergente natural

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Um dos resíduos mais tristes de serem desperdiçados é a casca da laranja. Esse é um daqueles que não parece ter jeito mesmo, pois não pode ir em excesso para a composteira para não acidificar a terra e nem machucar as minhocas e, ao mesmo tempo, ocupa um espaço muito grande nos “lixinhos”. São no mínimo 3 laranjas para um suco só, o que gera 6 pedaços de casca desperdiçados.

Então, para não utilizar mais os detergentes convencionais – os grandes poluidores de rios como o Tiête – e ainda produzir menos lixo, faça detergente de casca de laranja!

A casca da laranja, por ser cítrica, retira a oleosidade dos pratos e talheres, deixando tudo limpo e sem nenhum produto químico envolvido. É só pegar as cascas de laranja e bater com bastante água até formar um suco grosso. Depois, peneirar ou passar pelo voal para apenas deixar o líquido.

Esse detergente dura de 2 a 3 dias. O que sobrar tanto da peneira quanto do líquido pode ser jogado na pia, pois o ácido ajuda na limpeza dos encanamentos também.

Observação: Cuidado com o sol. Assim como o limão, a laranja pode manchar a pele. Depois de lavar a louça, certifique se não possui mais resquícios do suco na mão, lavando bem com um sabonete natural.

3. Não negue os caules

talos

Ao frequentar feiras, vemos coisas que os mercados escondem dos consumidores: o desperdício de alimentos ótimos para consumo, como os caules do brócolis. Muitas pessoas nunca nem viram o caule do brócolis, pois eles sempre são retirados antes de chegar ao consumidor. Se você tiver a oportunidade de frequentar uma feira, peça para os feirantes darem os caules, pois eles estariam sendo descartados de qualquer modo. E o incrível, é que os feirantes dão mesmo.

Então, ao adquirir seus caules de brócolis e couve-flor, cozinhe em uma panela de pressão por 40 minutos – os caules possuem bastante fibra, o que pode prolongar o processo de cozimento – e depois bata no liquidificador com a água do cozimento até formar um creme. Peneire o creme e leve para o fogo novamente com os condimentos e legumes que desejar até tudo estar cozido.

Pronto. Um creme incrível e diferente para os dias frios!

Leia mais: 5 melhores vegetais para cultivar em canteiros elevados

4. As folhas são nossas amigas

folhas

Cenoura, erva-doce, beterraba, rabanete e alho-poró são legumes que possuem folhas lindas e que revelam toda a característica do alimento.

As folhas da beterraba possuem ranhuras roxas. As folhas do rabanete são pequenas e redondas como o próprio tubérculo. A erva-doce possui folhas fininhas iguais a fios de cabelo que transparece toda a delicadeza do sabor desse alimento.

Mas, igual ao caule do brócolis, poucas pessoas conhecem essas maravilhas. Se você conhecer um feirante que perguntar se você quer com ou sem folhas, diga sim a elas!

Tanto as folhas da cenoura, quanto da erva-doce, beterraba e rabanete dão ótimos complementos para um suco verde de couve. As folhas da cenoura e erva-doce, por serem delicadas, dão uma finalização bonita para pratos (roubando a cena da cebolinha e salsinha).

As folhas do alho-poró são as partes verdes que não ficam no formato do miolo todo cheio de voltas. Muitas pessoas descartam essa parte do alimento por não saber que ele é a mesma coisa que o miolo! Então, dá próxima vez que utilizar o alho poró, use sem dó nem piedade essa parte tão cheia de nutrientes da planta. É só picar fininho que ninguém vai notar a diferença.

Além disso, todas elas podem parar em uma salada diferente, com folhas um tanto quanto “exóticas”, não?

5. As benditas cascas de abacaxi e banana

cascas

A casca da banana é direcionada ao lixo sem nem questionamento. Porém, ao ser batida em uma vitamina de banana, ela passa por fruta como se nem de fato fosse! Também pode virar um chá docinho muito bom para dores de cabeça.

Existem receitas incríveis de bolos e tortas que levam na massa a casca da banana, como o Bolo de Banana com Abacaxi da Bela Gil. Devemos retirar da nossa mente aquela concepção do invólucro descartável como a bolacha que vem empacotada no plástico. Com os alimentos vivos, as coisas funcionam de modo diferente. A natureza pensa para que tudo tenha uma finalidade e para que nada vá parar dentro de um saquinho que vai levar 400 anos para se decompor. Tudo tem uma razão de existir, até mesmo a casca do abacaxi!

Por mais diferente que pareça, a casca do abacaxi dá um chá doce e suave que, até mesmo aqueles que não gostam de colocar bebida quente na boca, vão ficar pedindo por mais. O que sobrar, depois de umas 3 rodadas de chá que a casca aguenta, pode ir direto para o detergente de casca de laranja lá de cima para ser batido junto. E sabe a coroa do abacaxi? Ela pode brotar outro abacaxi se você deixar ela em um pote com água até formar raiz. Depois, é só plantar.

Leia mais: Aprenda a fazer adubo orgânico de casca de banana

6. Os chás

chá

Esse tem história. Estava lendo um romance sobre o Protesto da Paz Celestial na China e, ninguém menos do que os chineses, para falarem de chá, até mesmo em um romance. Em uma parte do livro, o protagonista questiona um outro personagem de que os estrangeiros não sabiam tomar chá, pois eles colocavam o saquinho no bule, jogavam a água e depois de 2 minutos jogavam o saquinho fora. E de fato. Para os chineses, as ervas do chá podem ser utilizadas mais de 4 vezes seguidas.

É só testar para ver como eles estão certos! Claro que depois de 2 vezes o chá acaba ficando mais fraco, mas não quer dizer que as ervas estão menos utilizáveis ou que o chá não é mais limpo.

As ervinhas que sobrarem servem para serem colocadas nas plantas como protetores contra a desidratação da terra, causada pelo sol excessivo.

7. Diminuição do consumo de plástico

Menos plástico

Além dessas dicas sobre desperdício de comida, algo importante para ser dito é sobre os plásticos gerados pela nossa alimentação.

As pessoas estão cada vez se informando mais sobre a importância das ecobags para fazer compras no mercado como, por exemplo, na cidade de São Paulo. Como a prefeitura proibiu o uso indiscriminado de sacolinhas plásticas ”não-oficiais”, os mercados começaram a cobrar um valor por cada sacolinha “oficial” utilizada. Resultado: Muitas pessoas aderiram às EcoBags para não pagarem os sacos plásticos, o que tem gerado uma febre de modelos, cores e materiais.

Mas, além dessa incrível mudança que está ocorrendo, precisamos repensar aquelas sacolinhas que vem embalando nossas frutas, nossos legumes e que não servirão para mais nada, pois são extremamente pequenas e frágeis. Por mais estranho que pareça, não há problema em não embalar os alimentos em sacos para levar ao caixa, no caso dos mercados (se não forem aquelas compras colossais em que tudo se mistura no carrinho) e, no caso das feiras, os feirantes agradecem, pois eles que pagam pelas sacolinhas que estamos levando para casa.

Se houver incomodo quanto às frutas e legumes estarem sambando na sacola e depois ficarem expostas na geladeira, uma boa alternativa é fazer saquinhos de um pano chamado organza (o mesmo utilizado para as lembrancinhas de festas de crianças), pois ele é um pano bem leve, não interferindo na pesagem, ao mesmo tempo é respirável e, o melhor de tudo, não vai para o lixo depois desse uso.

Gostou das dicas? Acha que consegue implementar algumas delas no seu dia a dia? Reflita a diferença que podemos fazer, as construções que podemos quebrar e vá com calma. Assim como, o incrível Mahatma Gandhi deixou como ensinamento:

“Você nunca sabe os resultados que virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existiram resultados.”

Natasha Kasakevic Tsan Hu
escrito por:Natasha Kasakevic Tsan Hu
Olá. Minha paixão pelo mundo natural se iniciou com os tratamentos alternativos que minha mãe sempre me deu, como a homeopatia, e a paixão incansável da minha avó por plantas e ervas. Disso desenvolvi minhas paixões próprias: fazer produtos naturais em casa, respeitar o meio-ambiente e ajudar ao próximo de todas as maneiras que estiverem ao meu alcance. Com meus textos espero passar o amor que sinto pela troca de conhecimento e a gratidão por existirem pessoas tão interessadas em fazer o bem.

2 Comentários

  • Gostei da ideia de saquinhos de organza para acondicionar as verduras e frutas na geladeira. Há sempre restos de cortinas que a gente não sabe como aproveitar.
    Acho que vou fazer um monte e distribuir de presente.

  • A melhor forma de tratar os resíduos orgânicos da cozinha é destiná-lo para a composteira doméstica, que, após um tempo, breve, transformará todo o resíduo em adubo líquido e sólido. A composteira doméstica é um sistema, geralmente feito com 03 baldes ou caixas empilháveis, de tamanho pequeno, barato, limpo e prático e que evita que mais de 50% do lixo gerado na cozinha tome o destino dos grandes lixões e ajude a fazer volume para contaminar os solos e rios. E a gente pode fazer isso dentro da nossa casa. Sem esperar nenhuma ação governamental, etc. Como disse, é barato, fácil, prático, não toma muito tempo, nos torna mais atentos ao que consumimos e geramos de lixo, transforma nosso jeito de olhar o “lixo” e ajudar a criar um comprometimento com as boas práticas de sustentabilidade.

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