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Vamos passear no Parque, WOW!

coco

Seguindo e adquirindo ritmos quase musicais, e com a intenção de apresentar-mo-nos em medidas homeopáticas, arranjamos um canteiro de histórias para a delícia de quem passa pelo Jardim do Mundo, apressado ou animado pelo que vê, espero que cada um aprecie, a sua forma, esse pequeno conto cotidiano se passa na Irlanda, o terceiro país de nosso nada cotidiano itinerário.

“Saímos de casa eu e Sra. Coco, com a intenção de nos reunirmos a Lara e os gêmeos Daran e Krifa para curtir um modesto picnic outonal. No caminho decidi passar no banco (sim, cães são permitidos no Bank of Ireland) para entregar alguns documentos ao nosso amigo Andy. Tudo corria bem, tudo era um enorme sorriso partindo da boca dos transeuntes, felizes em apreciar a cena de um filhote e seu dono a divertirem-se em um passeio despreocupado, quando, não mais que de repente, na porta de saída do banco, justamente no momento que eu descobria que estava chovendo, vejo um enorme cocô que projetou-se do ósculo retal de Sra. Coco. Sim, na porta do movimentado banco da republica irlandesa, não na rua e nem no interior do prédio, precisamente na porta do banco ela resolveu fazer uma singela demonstração da capacidade de produção de massa fétida e ligeiramente repugnante de seu branco corpinho franzino. Sim!!! Era verdade, desta vez não era minha apenas minha imaginação a pregar-me uma peça. Meu pé direito, vestindo um sapato preto novo, estava no caminho. Nessa fração de segundo onde aconteceu o incidente, no exato momento em que eu verificava o status do tempo distraídamente pensando no frio e em Lara e as crianças, acidentalmente meu pé direito acabou por interpor-se entre o fiofó de meu cão e o chão. 

dublin

Que desolação, tudo são trevas na vida de um homem que se vê as beiras com uma merda no sapato. Não embaixo, que é o local onde habitualmente se descobrem as merdas, mas encima.

A parte delicada e de um couro negro e macio estava toda cagada. Logo após os primeiros momentos de angústia, minha esposa Lara dava sinais próximo a entrada do banco, empurrando um carrinho com Daran e krifa. Estava feliz por vê-la mas quase explodindo em desaforos. Beijei minha mulher e então resolvi dar a volta na situação, quebrar paradigmas e ir além, respirei fundo, limpei meu sapato com as sacolas plásticas que carrego quando saio com Sra. Coco e finalmente nos dirigimos ao nosso destino, o parque ” St. Stephens Green”. Cruzamos a movimentada Grafton Street e finalmente chegamos às portas do parque localizado no coração de Dublin. Estávamos todos alegres e pirilampos apesar da fina chuva que cessava enquanto adentrávamos. Como de costume, logo que me vi cercado do brilhante verde esmeraldino irlandês, soltei a guia vermelha que conduzia Sra. Coco pelas ruas afim de que todos gozássemos do prazer de vê-la correr livre por entre as árvores do gramado.

Após cruzar o pórtico principal do parque, a cerca de 30 metros dali, existe um lago onde sinistras gaivotas, cisnes de majestosos tamanhos e marrecos brincalhões disputam com os pombos da cidade bocados de biscoito e pães jogados por crianças e velhinhos e pessoas de todas as idades. Sra. Coco estava bastante excitada com os prazeres de uma corrida de liberdade, quando viu os pombos e todos os pássaros antes mencionados a serem alimentados por uma simpática família de turistas a beira do lago.

Houve uma corrida, uma revoada desesperada e um belo salto no ar digno de uma fotografia que não foi tirada por um fotógrafo que infelizmente não estava lá. Sra. Coco, após o mergulho, custou a aparecer novamente na superfície gelada do lago, seria este seu primeiro mergulho e ficaria gravado para todo sempre em sua memória. Nadou como um campeão em fúria para chegar a borda onde eu a esperava. Senti na pele a sensação que o frio provocava na enlouquecida e trêmula Coco. Logo que saiu da água, por mim resgatada, a vi se movimentando e chacoalhando a não mais poder para se livrar das magoas daquela água supergelada. Lara, eu e as crianças, passado o susto e entre pedidos de desculpa atrapalhados as pessoas que alimentavam as aves, ríamos muito pois tudo se passara de um modo tão surpreendente e rápido que foi mesmo difícil de acreditar tanto quanto o primeiro incidente. Sra. Coco continuava a correr, mesmo molhada até os ossos podia-se ver um belo sorriso no brilho de seus olhos e no seu rabinho que ria conosco. Após alguns minutos de intensa alegria, havíamos nos despertado em meio ao úmido e cotidiano inverno austral, mas com a certeza de que o dia havia sido ganho pois são destas pequenas histórias convergentes que criamos nossa simplória e risonha saga” .

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Fim.

 

Jardim do Mundo
escrito por:Jardim do Mundo
Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

1 Comentário

  • caros e preciosos amigos,
    me diverti muito com a aventura de ida no parque, e os incidentes, muito bom, viver uma vida assim.
    beijos e abraços Arlete

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