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Um lugar ao sol: documentário sobre “coisas positivas”

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O documentário aborda o universo dos moradores de coberturas de prédio das cidades do Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

O longa foi premiado com a Menção Honrosa no Festival de Filmes Independentes de Buenos Aires. Também recebeu o Prêmio do Juri no Festival de Filme Etnográfico do Rio de Janeiro e no Festival Internacional de Documentário de Santiago.

Para realizar a produção independente, o cineasta pernambucano Gabriel Mascaro obteve acesso aos moradores das coberturas através de um curioso livro que mapeia a elite e pessoas influentes da sociedade brasileira. Na obra são catalogados 125 donos de cobertura. Destes, apenas nove cederam entrevistas.

A sutileza de “Um Lugar ao Sol” é seu trunfo. O diretor pode abrir mão de um forte discurso sobre a miséria ou da exploração dos contrastes, pois a realidade desses milionários e o modo como enxergam o mundo, por si mesmas, destoam tanto da forma como qualquer trabalhador comum vive a vida, que tudo o que o diretor precisa para mostrar esse abismo é estar aberto a mostrar essa “coisa positiva” que é a existência de gente tão obscenamente rica.

Podemos pensar, após assistir o desfile de opiniões absurdas que saem da boca desses privilegiados, como é tamanha a sua falta de noção da vida “ordinária”, pelo simples fato de terem concedido seus depoimentos, suas opiniões, tão francamente, sem perceber que o que faz o documentário é desmascarar o seu ridículo. A ironia, que é o “tapa com luva de pelica” na cara dessa gente, deriva da condução de Mascaro por seu próprio discurso, quando colocado diante da vida normal de um trabalhador.

Os personagens são todos fascinantemente estúpidos, arrogantes e covardes. Nem a venenosa literatura do século XIX conseguira pintar com cores tão vivas os maneirismos absurdos da aristocracia.

A partir desses depoimentos, o diretor monta um painel sobre esta realidade e faz um debate sobre desejo, visibilidade, insegurança, status e poder. Com 70 minutos de duração, o documentário constrói um discurso sensorial sobre o paradigma arquitetônico e social brasileiro.

Ficha Técnica
Ano: 2008.
Gênero: documentário.
Direção: Gabriel Mascaro.
Inédito.
70 min.
Classificação Indicativa: Livre.

Documentário:

Jardim do Mundo
escrito por:Jardim do Mundo
Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

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