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Praticando uma culinária consciente – O cozinhar como ato de autocuidado e autoconhecimento

cozinhar

Cozinhar para muitos é um desafio. Para outros, uma rotina comum e cansativa. Alguns cozinham apenas em ocasiões especiais ou quando sobra um tempinho. Já outros, cozinham todos os dias, mas não prestam atenção a tudo que envolve o cozinhar. Cozinhar fica como algo distante, porém incluso. Vira movimento de sobrevivência (percebam: sobrevivência e não vivência!). Acaba sendo um “algo” que está muito além, do que realmente importa, do que realmente precisamos. É como se cozinhar, fosse uma coisa desimportante a seres muito importantes.

Mas … será mesmo, que cozinhar é um hábito secundário e um hábito que não agrega tanto valor? Ou será que somos nós que perdemos a sensibilidade e a vontade de trabalhar com as mãos, com a imaginação, já que vivemos uma era fortemente industrializada e pautada por tudo que já vem pronto? Entramos, então, numa energia preguiçosa e delegamos nosso bem estar e nossa saúde a outros?  O que fazer?

Praticar a culinária consciente com urgência!

O sabor histórico e cultural da cozinha

O hábito de cozinhar perdeu bastante força nos últimos anos devido ao estilo e rotina de vida que a maioria das pessoas tem levado. Em contrapartida, passamos mais horas vendo programas de culinária e em comunidades que ensinam receitas, admirando cozinheiros famosos, que propriamente cozinhando.

Há o afastamento do hábito, porém não a extinção da essência e força que esse hábito carrega consigo. É um hábito histórico, cultural e que traz muitas memórias afetivas e mesmo tradições. Além disso, cozinhar proporciona a união à mesa, a reunião de pessoas tanto em momentos de comemoração quanto em momentos de resolução de problemas, desde os tempos idos.

Quem nunca saiu para degustar alguma coisa e tomar um bom café com um amigo e assim, resolver alguma situação? Quem nunca reuniu a família num jantar ou num almoço para festejar algo?

A comida tem esse poder de agrupar pessoas e, embora o agrupamento tenha um motivo específico e pré-determinado, muitos sempre acabam lembrando do evento por algum prato servido ou pelo famoso bolo.

Pré conceitos

Cozinhar também envolve lá suas polêmicas. Há quem diga que somente mulheres podem e devem cozinhar (o que sabemos bem que é uma postura bem retrógrada), outros dizem que cozinha não é lugar de criança. Outros dizem que somente pessoas preparadas cozinham bem e há ainda quem determine o espaço cozinha somente aos de “pouco estudo”. Todos os itens citados não passam de meros rótulos e enganos. Com uma mente aberta, com empatia e com sensibilidade vamos logo notar que cozinhar é algo saudável e necessário a todos. Cozinha é sim, um espaço compartilhável e fundamental em todas as casas.

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Cozinha terapia

Momentos na cozinha são momentos eternizados. A maioria das pessoas trazem memórias positivas em sua relação com a comida. Outras trazem traumas. Portanto, cozinhar tem grande impacto no campo psicológico e na formação das pessoas.

É percebido que muitos que não gostam de cozinhar tiveram alguma experiência desagradável com as panelas ou ainda não encontraram o jeito, a forma de fazer. Depois de várias receitas perdidas, apertaram o botão da desistência e da auto sabotagem. Cozinha também tem disso … um jeito particular, o toque que faz com que a receita dê certo. Quantas vezes uma receita é compartilhada e sai diferente ainda que a pessoa faça exatamente o passo a passo?

Tem também quem se agarre na preguiça e na acomodação quando alguém já domina o espaço cozinha da casa e isso acaba por não despertar o interesse pela culinária. E tem quem realmente não goste e que prefira ajudar de outras formas, como por exemplo nas compras, no lavar a louça. O que também é muito bom, mas nunca um impeditivo, um bloqueador sobre a possibilidade de aprender a cozinhar. Estar na cozinha lavando a louça ou ajudando apenas a picar algum legume, já é um grande passo.

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Os que gostam bastante de cozinhar, geralmente foram estimulados a isso desde a infância ou numa situação de maturidade e de necessidade foram atrás e acabaram aprendendo e gostando. Saíram da condição do não sei e não tenho jeito, para o status de eu consigo e posso sempre melhorar. Mais uma vez a cozinha como palco de autotransformação!

Existem estados emocionais que nos levam para a cozinha. Um dia triste pode ser esquecido após um bom momento culinário. Com concentração e entrega, cozinhar vira de fato a terapia. Na alegria, a corrida para a cozinha também acontece! A vontade de brindar e agradecer faz com que pratos saborosos e cheios de boa energia nutram o corpo e a alma.

O bem-estar vem da energia daquele que cozinha

Não basta cozinhar por cozinhar. Uma alimentação saudável e saborosa tem como tempero principal, a intenção.

Quando se cozinha com sentimentos de leveza, alegria e paz tal energia é transmitida ao alimento e impacta naqueles que o consomem. Parece algo estranho, mas não é!

Alimento é vibração, cozinhar é um processo de transformação do alimento e por isso, o alimento recebe a vibração daquele que o prepara. Se o alimento é preparado em um estado de irritação e pressa, num espaço barulhento e sem concentração, ainda que a receita dê certo, a energia pós consumo poderá ser a de preguiça, embotamento, sono, apatia. Um cansaço inexplicável!

Muitas vezes, consumimos um lindo e saboroso prato e posteriormente sentimos um mal-estar sem saber exatamente o motivo. Por vezes, é a energia empregada no preparo. Num universo que é física pura, com nossa alimentação não é diferente.

Transformar o momento culinário em uma oportunidade de meditação e atenção plena por exemplo, proporciona um bem-estar genuíno, uma saúde pura.

Consumir o alimento prestando atenção ao mastigar e fazendo silêncio, melhora não apenas a digestão, como cria uma conexão mais orgânica com a vida, trazendo vitalidade e prática de autocuidado além de regimes e dietas.

Cozinhar proporciona autoconhecimento de uma maneira muito simples

  • Gestão do tempo – fazer listas, determinar dias e horários para cozinhar, prestar atenção no tempo indicado pelas receitas pode ensinar muito como está a auto-organização. Por exemplo: o que você coloca como prioridade, ao que doa mais energia, o que faz com que você perca energia e se desestabilize.
  • Paciência e tolerância – Saber esperar um pão crescer, assar, entender o tempo de maturação de uma fruta, cortar e fatiar, ralar, misturar. Tudo isso implica em exercitar esse lado suave que temos, do contrário a receita desanda. É aprender sobre etapas, é vivencia-las! No que difere da vida, tão cheia de fases? No que difere de nossos próprios ciclos?
  • Autoconfiança e criatividade – Permitir-se ir além daquilo que é fácil de fazer ou do comprado pronto, sair de bloqueios e traumas é possível quando há a determinação de que fazer alguma receita, ainda que esta pareça difícil é plenamente possível. Nesta mesma dinâmica se reencontra a capacidade de criar, substituir e adaptar. Mais uma vez um retrato da vida que tem as mesmas questões.
  • Nível de empatia e prática da compaixão – O tipo de alimento escolhido para consumo mostra muitas vezes o quanto estamos conectados com a vida. Alimentos livres de violência e exploração (alimentação vegetariana/ vegana) podem proporcionar um acolhimento mais amoroso da vida e o estímulo ao respeito, já que o que está sendo usado não envolve confinamento e dor. Por meio de nosso poder de escolha expomos quem é o sujeito em ação. Ele é empático na prática? De fato, entende e age na compaixão além de uma citação famosa?
  • Entendimento de que alimentar é diferente de comer / Senso de medidaCozinhar mostra se estamos movidos a um comportamento faminto e desenfreado de consumo inconsciente e se estamos apenas “comendo” e satisfazendo somente o corpo físico e a gula (tudo o que está ligado com a palavra comer tem significado negativo – destruir, devastar, roubar no jogo – Vide dicionário). Ou se de fato estamos nos alimentando (tudo que está ligado a alimentar é positivo: cooperar, contribuir, cuidar, sustentar, preservar – Vide dicionário também) de forma integral: corpo, alma, se estamos amorosamente contribuindo com o planeta.

[Alternativas para uma cozinha mais verde – Parte 1]

A dica é: cozinhe sempre e aproveite o momento para uma viagem interior. Pratique a simplicidade desde os seus pensamentos em relação à comida até a aquisição dos ingredientes. Faça tudo isso com leveza e consciente de que não há apenas a ingestão de nutrientes, mas de energia. No mesmo movimento, não há apenas uma compra acontecendo, há um raio x de quem você está sendo no momento. Se internamente há paz, tudo será na medida e tudo será mais saudável.

Cozinhar sempre foi e sempre será uma forma de ligação com nossa identidade original e com tudo que é mais sagrado. Desfrute e resgate esse hábito com urgência.

 

Valeria Amores
escrito por:Valeria Amores

Val é de Santos, gosta do nascer e do entardecer alaranjado que o céu do litoral concede quase todo dia! Pedagoga, apaixonada por projetos sociais e por movimentos que incluam o uso de todo potencial criativo, ou seja, toda ideia é uma semente cheia de valores. Toda ideia é flor e fruto. Toda ideia alimenta e nutre algo. Vegana , mãe de duas almas lindas, pratica meditação Raja Yoga, voluntária e aluna nas atividades da Brahma Kumaris Brasil . Estuda gestão ambiental, cozinha bastante, cria receitas veganas, compartilha, ensina. Tem 37 anos e acredita no poder da ecologia e da sustentabilidade interna como motivadores para um mundo melhor. Comunicativa, silenciosa e também faladeira, risonha , gosta de escrever e papear sobre coisa elevadas e positivas. Adora desconstruir limites que nos prendem a gravidade e ao peso, acredita na psicologia positiva sempre e tanto, o quanto for possível e necessário. Vamos voar para as possibilidade de melhoria, que tá na hora!

2 Comentários

  • Descobri esse blog por acaso, em uma fase muito ruim da minha vida (que está passando) e estou amando. Cada texto é uma maneira diferente de me motivar cada vez mais em ser uma pessoa melhor!

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