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Outros batuques brasileiros

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De acordo com Antonio Nobrega, a polirritmia africana segue uma “lógica” diferente da ritmia europeia: a primeira teria versos mais longos e aceitaria mais solos do que a segunda. Ao tentar codificar a música polirrítmica de acordo com a lógica “monorítmica”, simplificamos os longos versos e batuques solistas em menores versos sincopados, ou seja, com a tônica no tempo fraco (nos espaços entre tempo e contratempo).

Para entender a síncope, podemos fazer o seguinte exercício: desloque o seu corpo de um pé para outro. Cada transição de peso será um tempo, então cada pisada acontece no “ritmo” ou tempo. O meio perfeito entre duas pisadas é o contratempo. E os espaços entre tempo e contratempo são as síncopes. Se você quebrar o tempo em 4, o 1 seria “o tempo”, o 3 o contratempo e o 2 e 0 4 as síncopes. O maracatu, um dos ritmos derivados da polirritmia africana, tem acento entre tempo e contratempo (2), e o samba tem acento entre o contratempo e o tempo(4). É esse deslocamento de acento que faz nossos batuques tão intrigantes, interessantes e únicos.

Apesar de muitos de nós não conhecermos este conceito da síncope, o temos introjetado: é entre tempos e síncopes que se batem as palmas, por exemplo, da capoeira. E conhecer diferentes variações do que pode ser feito nesse micro espaço de 4 contagens dentro de um tempo pode abrir nosso campo semântico na musicalidade. Por isso, elenco abaixo alguns dos batuques brasileiros derivados da polirritmia africana.

Quase todos os ritmos apresentados nesta lista são manifestações da cultura popular surgida em condições extremas, brincados por pessoas escravizadas ou em situações análogas. Por isso, envolvem ápices de energia e oferecem a oportunidade para extravasar a raiva e o amor ocultos. Além disso, com frequência têm como temática temas religiosos, sincretizados ou em suas essências da natureza.

Jongo (Campinas – SP)

Batuque Paulista (Capivari, Tietê e Piracicaba – SP)

Samba de Parelha (Sergipe)

Obs: ao contrário de quase vários outros ritmos da cultura popular nordestina, o samba de parelha é brincado por um sexo, mas apenas pelas mulheres. Reza a lenda que é porque os homens dos povoados vinham bebendo muito e perdendo o respeito por suas parceiras. As mulheres, então, se insurgiram e decidiram brincar apenas entre elas.

Maracatu de baque souto (Recife – PE)

Samba de Coco

Maracatu Rural (Nazaré da Mata – PE)

Coco Rural (Zona da Mata Norte – PE)

Coco Zambê (RN)

Tambor de Crioula (Maranhão)

Espero que tenham se encantado com as músicas, assim como me encanto com essa musicalidade presente na cultura brasileira e pouco conhecida.

Amanda Matta
escrito por:Amanda Matta
Filha de Ogum e Oxum, estudante de tudo que pode nos levar ao reenvolvimento: educação, política, meio ambiente, nutrição, cultura, espiritualidade. Paulistana de sangue mineiro e alma pernambucana, vive entre uma comunidade ribeirinha no Pará e uma tentativa de agrofloresta no interior de São Paulo.

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