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O solstício de inverno traz o novo ano aos indígenas latino-americanos

APTOPIX Bolivia Andean New Year

Os povos indígenas identificaram os momentos do ano em que o sol atinge o maior grau de afastamento angular do equador, e alcança, aparentemente, sua maior altura no céu. Trata-se do solstício de inverno, que acontece no Hemisfério Sul normalmente nos dias 21 ou 23 de junho.
Este fenômeno é considerado pelos indígenas como um renascer porque chega a época das colheitas e, em consequência, a terra se prepara para seu novo tempo de fertilidade.

A véspera do solstício é a noite mais longa do ano, logo depois deste momento chave – durante os seis meses seguintes – as noites passam a ser mais curtas e os dias mais longos. Neste ambiente há mais luz disponível e com isso, mais abundância, acreditam os povos originários.


Quem celebra o solstício?

Os povos da cultura andina: os Aymara, Quechua e Atacamenhos fazem rituais de Ano Novo onde celebram a Pachamama (mãe terra) e o Tata Inti (pai sol) e pedem que o novo ciclo se produtivo e rico em animais e colheitas para a comunidade.

We Tripantu

A We Tripantu, ou “chegada do novo sol”, é a celebração de ano novo mapuche, povo indígena originário do Chile. As comunidades mapuches preparam sua própria celebração nas grandes cidades chilenas de Concepción e Santiago.

Os mapuche celebram a chegada do novo ano com música e oferendas | Foto: Fernando Fiedler/IPS

A base da sabedoria e ciência mapuche e a observação permanente e sistemática da natureza. Sua metodologia de aprendizagem é conhecida como “inarrumen”, ou seja, um método parecido ao o socrático, utilizado na ciência ocidental de observação e indução.

“Na natureza está tudo posto, só devemos observar”, diz o historiador mapuche Juan Ñanculef Haiquianao, responsável pelo Programa Patrimônio Indígena de Corporação Nacional de Desenvolvimento Indígena (Conadi), do Chile.

Foto: Fernando Fiedler/IPS

Ñanculef explica que os conhecimentos astronômicos dos mapuches os levaram a distinguir os movimentos da Terra. A rotação foi chamada de “chünküz mapu”, que diz respeito à forma do planeta e a translação é “tüway mapu”.

Como os demais povos pré-colombianos, o conhecimento destes fenômenos serviu para a criação de seu próprio calendário, cujo ano tem 364 dias exatos distribuídos em 13 meses de 28 dias.


Terra do fogo

A Festa Nacional da Noite Mais Longa é celebrada a cada 21 de junho no Ushuaia, a Terra do Fogo, na Argentina. Nesta data se comemora a chegada do inverno e muitas culturas consideram o início das estações e a intensificação das atividades relacionadas à agricultura.

A celebração começa na noite de 20 de junho e espera a chegada dos primeiros raios de sol do dia 21, durante este período a comunidade “vela” o fogo e espera a nova energia que está por vir.

Os participantes se sentam em círculo para compartilhar o calor do fogo na noite mais fria do inverno e os mais sábios, os anciãos, ficam ao centro para compartilhar sua sabedoria durante toda a noite. Eles explicam como o fogo é responsável pela vida e os motivos pelos quais devemos agradecer sua companhia, porque os seres humanos também são fogo e porque é esta energia que move a humanidade para lutar por justiça.

Os indígenas oferecem ao “pai sol” incensos, coca, tabaco, plantas aromáticas, pães, doces e bebidas e compartilham alegria e afeto ao fazer pedir a Tata Inti força para seguir o novo ciclo.

Bolívia e o “retorno do sol”

Os indígenas de algumas regiões da Bolívia celebram o “Willkakuti”, também conhecido como “retorno do sol”. A celebração se caracteriza por rituais ancestrais conduzidas pelos sacerdotes indígenas na madrugada do dia 21.

Solstício de Inverno

Pela primeira vez Evo Morales celebrou a chegada do ano novo em sua terra natal

O Ano Novo Andino foi celebrado em 202 espaços sagrados nesta quarta-feira. O presidente Evo Morales sempre participa das celebrações e nesta chegada do ano 5525 ele participou, pela primeira vez, da cerimônia realizada em sua terra natal, Andamarca.

Via

Jardim do Mundo
escrito por:Jardim do Mundo
Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

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