O segredo da longevidade na dieta das zonas azuis

Durante oito anos, Dan Buettner e um grupo de investigadores da National Geographic Society, estudaram cinco regiões do planeta cuja população se destaca pela sua longevidade.Nestas cinco zonas do mundo existe uma esperança de vida superior à que se verifica em outros países. Muitos dos seus habitantes atingem idades centenárias e mais importante do que isso vivem repletos de alegria, com imensa energia e com uma enorme qualidade de vida.

Este estudo antropológico e demográfico revelou dados surpreendentes sobre o estilo de vida e os hábitos alimentares das populações locais e que, juntamente com características genéticas e ambientais específicas, contribuem para a sua longevidade.

Mapa Blue Zones

No seu livro “The Blue Zones: Lessons for Living Longer From the People Who’ve lived the Longest”, Dan Buettner descreve nove lições simples mas poderosas para uma vida longa e feliz.

1 – Mantenha-se em movimento
Encontre formas de se movimentar naturalmente, em pequenas tarefas do dia a dia, como caminhar ou cuidar do jardim ou da horta.

2 – Encontre o seu propósito
E persiga-o com paixão.

3 – Vá devagar
Trabalhe menos, descanse e tire férias.

4 – Pare de comer
Quando estiver 80% satisfeito.

5 – Consuma mais vegetais

E ingira menos carne e produtos processados.

6 – Beba vinho tinto
Frequentemente mas moderadamente.

7 – Crie laços afetivos

Fomente relações sociais saudáveis.

8 – Alimente a sua
Desenvolva atividades espirituais.

9 – Ame a sua tribo
Torne a sua família uma grande prioridade.

São cinco as zonas onde se concentra um maior número de pessoas centenárias:

1 – A Ilha de Ikaria, Grécia

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No passado, esta ilha mediterrânica foi alvo de vários ataques persas, romanos e turcos, provocando a movimentação da população da costa para o interior. Tal facto criou uma cultura isolada rica em tradições, valores familiares, saúde e longevidade.

Os habitantes de Ikaria conhecem os seus vizinhos e investem grande parte do seu tempo a socializar.

Bebem leite de cabra, que é hipoalergénico e rico em cálcio, potássio e triptofano, que ajuda a diminuir os níveis de stress. A dieta mediterrânica que seguem é rica em vegetais, frutas, leguminosas, batatas e azeite.

Saboreiam chás de ervas, fonte importante de antioxidantes, em família e com os amigos. Fazem a sesta, que diminuiu o stress e a incidência de doença cardíaca. O calendário cristão ortodoxo pelo qual se regem convida a ocasionalmente jejuar, o que retarda os efeitos do envelhecimento.

Um ambiente puro, um clima ameno e um terreno agreste, mantêm os residentes saudáveis e activos.

2 – Loma Linda, Califórnia

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Esta cidade solarenga do Sul da Califórnia possui uma grande comunidade de Adventistas. Esta igreja incentiva a prática de exercício físico. O seus seguidores mantêm baixos níveis de colesterol, doença cardíaca e pressão arterial.

Os seus membros bebem água ao invés de bebidas gaseificadas e petiscam frutos secos em vez de batatas fritas. Não bebem nem fumam e todas as semanas praticam o Sabbath, durante o qual se focam na família, na comunidade, em Deus e na natureza.

Os Adventistas praticam voluntariado, procurando desta forma um sentido para  a vida.

Muitos são vegetarianos, ingerindo em pequenas refeições diárias maioritariamente legumes, frutas e cereais integrais.

3 – Okinawa, Japão

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A ilha do Pacífico,  conhecida como a ilha dos imortais,  sofreu inúmeras invasões chinesas e nipónicas e mesmo assim mantém uma das maiores percentagens de centenários do globo e uma baixa incidência de cancro,  doença cardíaca e degenerativa.

A dieta é maioritariamente vegetariana, baseada em vegetais, algas, batata doce e tofu, ricos em nutrientes e baixos em calorias. Os derivados da soja, como o tofu e a sopa de miso, ricos em flavonóides, protegem o coração e reduzem o risco de desenvolvimento de cancro mamário. Os produtos de soja fermentados contribuem para uma saudável ecologia intestinal.

Os centenários de Okinawa dedicam-se à jardinagem, actividade que reduz o stress e proporciona um exercício físico ligeiro diário. Plantam ervas medicinais que os protegem das doenças. Têm por hábito organizar um moai, o que providência fortes laços sociais e segurança emocional e financeira.

Apreciam o sol, são activos e vivem de forma simples. Relaxam e partilham as refeições sentados no chão sobre tatamis, o que lhes permite desenvolver um corpo forte e ágil. Procuram rodear-se de pessoas jovens enquanto apreciam a vida serenamente.

O grande segredo para a longevidade dos habitantes de Okinawa está na dedicação à família e aos amigos e à importância que fornecem ao sentido da vida.

4 – Sardenha, Itália

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Os sardenhos possuem o marcador M26, associado a uma longevidade excepcional, muito superior à de outras populações. Devido ao isolamento geográfico da população, estes genes mantiveram-se praticamente inalterados.

Os habitantes desta ilha italiana também vivem socialmente isolados, o que permitiu a manutenção de um estilo de vida vincadamente tradicional. Ao longo das suas vidas, mantêm estreitas relações com a família e os amigos, dedicando grande parte do seu tempo à partilha de momentos de alegria e convívio, sempre acompanhados de um bom vinho tinto.

A dieta clássica da sardenha consiste em pão integral, leguminosas, vegetais e fruta e, em algumas zona da ilha, azeite de mastic. Consomem também queijo pecorino, produzido a partir de leite de ovelha, rico em ácidos gordos omega 3. A carne apenas é consumida aos fins de semanas e em ocasiões especiais.

Os sardenhos possuem fortes valores familiares, o que proporciona baixos índices de depressão,  suicídio e stress.

Ingerem leite de cabra que contém compostos que protegem contra doenças cardíacas e o Alzheimer.

Valorizam os idosos. Os avós providenciam amor, afecto e motivação para perpetuar as tradições e incentivar as crianças a atingirem o sucesso nas suas vidas e a crescerem saudáveis.

Caminham imenso, o que proporciona benefícios cardiovasculares incalculáveis, bem como no metabolismo músculo-esquelético.

Consomem vinho moderadamente.  O vinho Connonau possui duas a três vezes mais flavonóides que os outros vinhos. O consumo moderado explica os baixos níveis de stress entre os homens.

Os homens são conhecidos pelo seu sentido de humor sardenho. O riso reduz o stress e este consequentemente reduz o risco de doenças cardiovasculares.

5 – Nicoya, Costa Rica

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O pequeno país das Caraíbas possui um excelente sistema de saúde e segurança social, o que proporciona óptimas condições para a longa longevidade dos seus habitantes.

Na península de Nicoya, próxima da fronteira com a Nicarágua, as populações locais possuem uma longevidade superior ao restante território. Tal facto deve-se à alimentação baseada em frutas tropicais, ricas em antioxidantes e à qualidade da água ingerida, rica em cálcio e magnésio, que previne doenças cardíacas e proporciona ossos fortes.

Ingerem refeições ligeiras à noite e sempre cedo. Sabem ouvir, rir e apreciar a vida.

A família, a comunidade e a fé apresentam um lugar privilegiado nos centenários e o plan de vida, isto é, o sentido da vida, ajuda os idosos de Nicoya a manterem-se ativos e a desenvolverem uma atitude positiva perante a mesma.

Descendentes dos indígenas Chorotega, praticam uma dieta rica em leguminosas e milho e que poderá ser a melhor combinação nutricional que existe para a aumentar a longevidade.

A vida é um acontecimento extraordinário para ser passado sem um propósito, aqui queremos inspirar a mudança, a conexão com os ciclos da natureza, o resgate dos saberes ancestrais e manuais. Vamos juntos por esse caminho descobrindo que tudo que precisamos já está em nós mesmos.

jardimdomundo.com

Uma opinião sobre “O segredo da longevidade na dieta das zonas azuis

  • Reply Luciane 8 maio, 2015 at 11:45

    Maria adorei sua matéria, parabéns!!!