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Meditação: você sabe o que é?

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Conceituar meditação nem sempre é fácil, pois o termo é utilizado para definir vários exercícios que diferem entre si. Basicamente, pode-se dizer que meditação é um conjunto de práticas que propiciam ao indivíduo uma organização interna. O termo vem do latim meditare, que significa refletir, ponderar. A origem de práticas meditativas não é muito clara, mas registros arqueológicos levam a crer que tiveram início na Índia, por volta de 5000 a 3500 antes de Cristo. Em meados do século 20 tornaram-se populares no Ocidente.

Mesmo estando muitas vezes inserida em um contexto religioso, a meditação pode ser encarada sem qualquer vínculo com dogmas e crenças, apenas como uma atividade que proporciona bem-estar.

Mas, afinal, qual o objetivo de meditar?

A prática meditativa visa disciplinar a mente e, assim, deixar a consciência se expressar a partir de um nível mais sutil. Pode parecer muito esotérico a alguns, mas não, isso tem implicações práticas que resultarão em uma melhoria na qualidade de vida de quem a exercita. Meditar proporciona clareza mental, equilíbrio, presença, maior consciência (no sentido de ver determinada situação de maneira mais ampla), serenidade e diminuição do sofrimento causado por uma mente dispersa e “gritante”. Através da meditação liberta-se do fluxo incessante de pensamentos e encontra-se um “local” de paz e compreensão.

Muitas pessoas têm a errônea imagem de que o ato de meditar equivale a estar sentado em posição de flor de lótus sem pensar em nada, completamente desconectado do mundo e de si próprio. Ao contrário, a prática meditativa proporciona maior conexão – com você mesmo, com o próximo e com “algo maior” (e aqui deixo a liberdade para interpretar esse “algo maior” de acordo com suas crenças: um deus, o universo, a natureza, uma energia). Meditar tampouco exige uma posição pré-estabelecida, qualquer atividade de atenção e presença pode ser considerada uma meditação.

A prática meditativa possui algumas características: estar no momento presente, obtido através do foco na respiração, mantra, objeto ou sensação; não dar atenção aos pensamentos, isto é, silenciar a mente e, consequentemente, o ego; sensação de unidade com “algo maior”.

  Como meditar?

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Existem diferentes técnicas de meditação, com grande variedade de nuances dentro delas. A prática meditativa também está presente em certas religiões, adquirindo características próprias em cada uma delas. Cabe ao praticante buscar qual exercício melhor se adapta a sua personalidade.  A classificação a seguir visa separar didaticamente a atividade meditativa em quatro grupos principais:

Meditação da concentração: onde o praticante coloca a atenção em um único foco, podendo ser a respiração, um mantra, um objeto (uma vela, por exemplo), dentre outros.

Meditação mindfullness: prática onde há a percepção de um estímulo (seja ele um pensamento, sensação ou sentimento) e, a partir daí, observar e trabalhar a aceitação do mesmo, sem julgamentos ou elaboração mental sobre ele.

Meditação guiada: utiliza recurso externo da voz, música, indução de visualização, etc. Muitas vezes tem um objetivo específico, como trabalhar determinados sentimentos (como compaixão, por exemplo) ou reprogramar crenças limitantes (medo, baixa auto-estima, etc).

Meditação ativa: utilizam uma atividade física (caminhada, respiração a um ritmo controlado e/ou intenso, dança, etc) geralmente seguida de silêncio e relaxamento.

E por que meditar?

Os benefícios da meditação são muitos. A partir das décadas de 60 e 70 a prática meditativa virou alvo de pesquisas científicas que comprovam sua eficácia em diferentes campos. Através dela pode-se adquirir uma melhora de saúde em geral, pois há relatos de que contribui no tratamento de hipertensão, dores crônicas, problemas no sistema imunológico, ansiedade, dentre outros. Como é uma atividade que pacifica a mente – e como mente e corpo estão interligados – tem a capacidade de reduzir níveis de estresse e relaxar o corpo físico. Também contribui para estimular a memória, criatividade e percepção do ambiente. Crianças que meditam tendem a ser mais tranquilas, dormem melhor e se mostram mais altruístas.

A um nível mais sutil, a meditação influencia diretamente nas relações intra e interpessoais, estimulando sentimentos de compaixão, empatia e gratidão, além de proporcionar maior estabilidade emocional. Meditar também acarreta experiências transpessoais, como sensação de unidade e conexão com “algo maior”.

Se proporciona tantos benefícios e se, em teoria, é uma atividade muito simples, por que ainda poucas pessoas a praticam?

A grande maioria vê a meditação como uma prática inalcançável, destinada somente àqueles “iluminados” ou que dedicam muitas horas a busca espiritual – ao contrário, a meditação é uma atividade simples e disponível a todos, independentemente de suas prioridades, idade ou crenças. Esta visão equivocada levanta uma barreira para o desenvolvimento da prática e muitas pessoas já nem se dispõem a começar e, dentre aqueles que a iniciam, a maioria desiste em pouco tempo, seja por ansiedade em ver resultados palpáveis ou por acharem que não tem capacidade de fazê-la corretamente. A meditação, assim como qualquer outra atividade, exige paciência e dedicação – separar alguns minutos para a prática diária gera mais resultados benéficos do que tentar meditar duas horas seguidas uma vez ao mês, além de se tornar uma atividade agradável. Outro ponto importante é encarar a meditação como uma atividade prazerosa, apesar de necessária, e isenta de autocobrança e expectativas. Fazer da meditação um ritual, comprometer-se com a atividade, separar um local específico para isso e, antes de tudo, considerá-la um exercício agradável são atitudes que a tornarão cada vez mais presente em seu dia a dia, proporcionando maior qualidade de vida.

Pronto para começar?

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Referências:

  • Portões da Prática Budista, de Chagdud Tulku Rinpoche, Editora Makara
  • Guia Prático de Meditação, de Gabi Picciotto e Mari Mel Ostermann (e-book)
  • El Gran Libro de la Meditación, de Ruediger Dahlke e Margit Dahlke, Editora Obelisco
Jho Hansen
escrito por:Jho Hansen
Uma consciência buscando o equilíbrio entre dois extremos: de um lado, bióloga e pesquisadora científica; do outro, uma curiosa das terapias bioenergéticas, alimentação consciente e ferramentas para expansão de consciência. Acredito que nossa realidade é resultado de tudo aquilo que colocamos para dentro, desde a comida que ingerimos até os pensamentos que alimentamos. Dedico minhas horas vagas ao estudo e prática de nutrição ayurvédica, reiki e outras terapias energéticas, numerologia e fitoterapia – e é com muito Amor que compartilho o que venho aprendendo de tudo isso!

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