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Escrita meditativa – A fala orgânica, criativa e silenciosa da alma

escrita meditativa

Quando muito pequenos, ficamos intrigados com os desenhos que enxergamos no mundo. As placas, as cores. A comunicação nos chega bem cedo e não é raro notar que as crianças sabem nomes de marcas e produtos sem mesmo terem aprendido a ler. Temos dentro desse processo, a vontade de aprender a escrever e a família começa então, na maioria das vezes, a nos conduzir rumo aos primeiros traçados de uma letra de forma. Aí vem a escola e nos apresenta a letra cursiva. Tamanha é a alegria quando conseguimos escrever nosso próprio nome e depois outras palavras. Reparem que aprendemos a escrever primeiro sobre o que gostamos. Escrevemos justamente o nome daquilo que mais temos por perto e  que apreciamos por meio do amor.

Crescemos e a escrita ganha outras nuances.O que também é normal.No entanto, começamos a nos encaixar em formas e regras sem fim. Muitas vezes não há espaço para que expressemos a criatividade inata que temos. Aquela, que na infância expressamos livremente e reconhecemos como fácil! A escrita deixa de ser um movimento que parte de nossa identidade original, livre, lúdica, leve, para ser feita através dos papeis que representamos no mundo em nossas profissões, famílias, etc.

Nesse processo de adequação e “ajuste” ao molde necessário e padrão – aqui não estou dizendo que devemos menosprezar uma boa escrita ou a seriedade dela em nossos papeis – começamos a escrever com preocupações, com cronômetro, com expectativa de elogios e medo de críticas, com excessiva rigidez de normas. Atualmente, nos colocamos na ideia de que precisamos escrever o básico e curto. Quase sempre com base apenas no intelecto, sem ousar brincar com o traçado de letras em nossas vidas. Tomamos a ideia de que expressar sentimentos e percepções é algo chato e sem muita importância, ainda mais no mundo apressado de mensagens via celular. Começamos a pensar que criatividade e talento é coisa de uns e não de outros e que aprofundar ideias é algo para quem “tem tempo demais sobrando” ou que está carente. Percebam como valorizamos as citações de famosos e nem mesmo lemos uma inspiração de um amigo? Percebam que muitas vezes, não temos coragem de expor nossas ideias de uma maneira desapegada, justamente porque nossa ideia de sustentabilidade interna e sucesso vem da concordância do outro.

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Certamente que a rotina de tarefas encaixotadas do mundo nos causa esse abandono do amor pela escrita mais pura e mais da alma. Porém, nós permitimos esse afastamento porque estamos acostumados a “copiar” o que então é “adequado” ou o que poderá falar sem que nós falemos. Já repararam nisso? Pegamos a frase que fala aquilo que queremos falar, mas sem que nós a tenhamos escrito, porque assim, mesmo que haja uma postagem, não há bem o “sujeito” da postagem. É um dizer sem se responsabilizar exatamente. Ouso falar que até meio preguiçoso de nossa parte. Preguiçoso do ponto de vista  espiritual, porque não permitimos nosso ser orgânico se mostrar e preguiçoso também intelectualmente, já que a postagem do alheio nos poupa muitas vezes, de revolver, de se aprofundar e estudar de fato sobre algo.

Mas e o sentimento quando a frase foi lida? De onde veio? Por que razão a frase que não nos pertence fala por nós? Há de certa forma, uma conexão aí. Há um motivo que vem da proximidade da ideia exposta  com o valor que então existe no espaço interno. Pode até ser um pedido de socorro do eu do mundo para nosso eu mais original, mais saudável e que está meio cansado de ficar preso a silêncios ensurdecedores e obrigatórios. Algo bem comum no mundo atual de constantes julgamentos e críticas.

Fica nítido então, que nossa alma fala e se fala, precisa escrever. Primeiro pra gente, depois de discernir, talvez pro mundo…

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O que é então escrever ? E quem escreve?

Escrever é mais que juntar letras e formar palavras, frases e criar textos dentro de uma norma. Escrever vai além do objetivo de passar uma mensagem ou de convencer alguém a algo ou sobre algo. Escrever é uma forma de se conectar com o conteúdo original que temos, com as histórias reais (e não inventadas) e que existem em nós. Histórias que muitas vezes sentimos, reconhecemos, mas não sabemos bem de onde elas vem, por qual razão existem. É como se nossa memória, de uma longa jornada neste globo azul, ficasse impressa e meio que escondida, mas presente. De vez em quando as memórias apontam como intuições, como aquelas impressões de “eu já vi isso”.

A escrita é uma forma de conversa do eu sustentável e cheio de vitalidade com o eu que atua nos papéis. Esse eu sustentável é o que funciona bem, sem escassez, com tamanha energia e que sempre tenta lembrar o outro eu, o dos papéis que ele tem um propósito mais elevado e um objetivo cooperativo no mundo. Para ouvir esse diálogo sagrado é preciso concentração no espaço interno. Num primeiro momento, constantes pausas especiais para isso e com o tempo, eis que o hábito dessa conversa se instala e flui naturalmente, ainda que estejamos imersos nas atividades de nossos papéis diários.

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Quem escreve é sempre o eu orgânico, sustentável?

Como já dissemos mais acima, na dinâmica das atividades ficamos surdos para o verdadeiro autor de nossa vida. Priorizamos o suposto intelectual e letrado eu profissão, eu mãe, eu amiga, eu universitário. O autor, aquele ser que escreve com facilidade e sensibilidade vai ficando esquecido. O autor, aquele que coloca as palavras de uma maneira fluida e leve, divertida até e mesmo como um canal que recebe insights de algo maior, fica no canto do castigo.

Se pensarmos desse ponto, nossa escrita atual tem sido então … uma escrita sem alma, uma escrita limitada e sem tanta criatividade.

Já a escrita orgânica, é algo natural e presente em cada ser, bastando apenas ser colocada em uso!

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A escrita a partir do lado orgânico, a escrita meditativa

A escrita meditativa é a escrita que realmente fala e fala porque ouve primeiro a si, se reconecta, silencia, percebe, experimenta.

A escrita meditativa é criativa sem esforço, porque é concebida por meio da fluidez. O que é exposto é honesto, é verdadeiro, existe dentro e, portanto, não demanda invenções. A escrita meditativa é mais uma energia que uma folha de papel e um lápis ou caneta.

O lado orgânico é nossa identidade original. É quem somos sem adulteração, sem a pressão dos papéis que exercemos. Se nossos papéis falam de uma forma o nosso ser orgânico fala de outra. O primeiro fala mais pelo estímulo externo. O segundo fala mais pelo silêncio.

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Como ela é praticada?

O que está fora de nós também é usado, mas como secundário.

Primeiro silenciamos e começamos uma viagem para o espaço interno e sagrado que temos. Verificamos os tipos de pensamentos que estamos desfrutando naquele momento e vamos organizando sempre com foco na clareza, na limpeza, portanto, com foco naquilo que é bom e positivo. A proposta é reconhecer as próprias qualidades como algo inato, presente. Sentir-se bonito, capaz, feliz. Não convidar as más ideias e pensamentos negativos e inúteis a uma xícara de chá. É deixar que estes passem como uma brisa de vento. Dentro dessa energia, o espaço interno é organizado e se prepara como uma grande tela branca, como se logo a frente uma grande folha de papel esperasse um traçado, uma história mais bonita de aprendizado e autocuidado. Até situações negativas são retratadas a partir dessa perspectiva de transformação e auto melhoria.

Depois desse passeio interno, aí sim, olhamos a paisagem, escrevemos sobre ela, sobre nós, sobre os sabores que degustamos, sobre uma situação, sobre o nosso dia. A escrita vai mostrar um conteúdo mais profundo e alicerçado na autenticidade e honestidade.

Não há escrita impulsiva, o contar de fatos com criticismo ou com censura, a autopunição. Nada disso!

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O objetivo da escrita meditativa 

O objetivo é sempre autoconhecimento e uma visão mais límpida do mundo. A ideia é criar uma relação mais leve com a vida, com os fatos, e além da auto melhoria e autocuidado, vem a dinâmica de educar nossos pensamentos, melhorar nossa fala, nos tirar dessa onda de comunicação violenta ou daquela intelectualização que fala demais sem ter nada a dizer. Outro ponto é estimular o uso do potencial criativo, a escuta atenciosa até do silencio que sempre tem muito a nos dizer. Desabafamos, nos aliviamos, inspiramos, movemos projetos através dela.

O objetivo principal é a imersão em uma experiência transformadora não apenas para aquele momento, mas para a vida.

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 O que usamos? Sobre o que escrevemos?

Usamos o silêncio, a música, a paisagem, uma experiência cotidiana, o momento das refeições e até mesmo um problema ou fato cotidiano que lidamos com constância. Mas o principal, usamos nossa identidade verdadeira.

Meditações conduzidas ou não,  fazem parte. Dança faz parte. Movimento, poesia, desenhos, caminhadas silenciosas, experiência em meio à paisagem, contemplação, sentimentos …

Brotam então:  diários, cartazes, músicas, poemas, artigos, teses.

Escrevemos sobre sentimentos, ideias, vontades, medos, esperança, sonhos, dialogamos com o que não é visto, mas sentido. Falamos com nossa fé, com uma Energia Maior, criamos até receitas, desenhamos nossos projetos, desabafamos nossos pesos, valorizamos nosso potencial. Tudo isso é colocado no papel dentro de um formato passo a passo.

“Mas eu não sou bom de escrita” – A escrita meditativa é para você também. Com concentração, autocuidado, acolhimento, com a escuta atenta da alma, todos podem escrever. Não se preocupe! A escrita meditativa existe justamente para desbloquear os medos e limites que criamos.

Os benefícios da escrita meditativa são inúmeros!

A escrita meditativa favorece não apenas a reconexão com nosso lado criativo, como também favorece um diálogo mais harmonioso e amoroso com o mundo.

Além disso, o autoconhecimento é a experiência principal dessa atividade, seguido de relaxamento, mas também de melhora na concentração para tarefas cotidianas. A organização das ideias se torna mais fácil, os pensamentos mais transformadores são escolhidos, deixando de lado aquele excesso de assuntos que temos e que nos tira de nossos propósitos e objetivos. Propósito é uma das palavras que a escrita meditativa usa com constância. Escrever com essa conexão mais sincera e orgânica, mostra o caminho a seguir sem desgaste. Essa forma de escrita funciona pelo fluir e com a energia do descomplicar.

Momentos destinados a essa experiência criam ainda um mecanismo de desabafo e de posterior leveza. Expressamos sentimentos de forma consciente e propondo sempre uma melhoria. Com constância, a escrita meditativa passa a mostrar efeitos em nosso cotidiano, seja no trabalho, nas conversas diárias, na interpretação de textos e leituras de notícias e no próprio pensar mais silencioso.

 Como ter essa experiência? Em que local? Quando?

Convido vocês para essa jornada, dia 21  e 22 de abril, no centro de retiros da Brahma Kumaris que fica em Serra Negra. Um local lindo, inspirador, em meio a natureza. Um paraíso silencioso, com refeições saudáveis (opções lactovegetarianas e veganas ), energia solar e tudo que precisamos para inspirar a escrita e a reconexão com nosso lado mais orgânico e saudável. Acesse o link para conhecer o local.

Atenção: Traga seu caderno, seus lápis (pode ser de cor, aquarela, etc) e vamos resgatar esse hábito transformador que é escrever!

*A Brahma Kumaris atua com a meditação Raja Yoga e com cursos na área de qualidade de vida.

O workshop se inicia no sábado às 9h00 e termina no domingo, às 13 horas, com o almoço. Aqueles que puderem ir serão bem vindos, indicamos chegar na sexta-feira, das 17 às 20 horas. Na sexta-feira à noite não há programação e o jantar é servido das 19h30 às 20h30. O portão do sítio fecha às 21h00.

Inscrições através do site Brahma Kumaris.

Email: retiroserraserena@br.brahmakumaris.org

Será um prazer e uma alegria ter  a presença de vocês.

Valeria Amores
escrito por:Valeria Amores
Val é de Santos, gosta do nascer e do entardecer alaranjado que o céu do litoral concede quase todo dia! Pedagoga, apaixonada por projetos sociais e por movimentos que incluam o uso de todo potencial criativo, ou seja, toda ideia é uma semente cheia de valores. Toda ideia é flor e fruto. Toda ideia alimenta e nutre algo. Vegana , mãe de duas almas lindas, pratica meditação Raja Yoga, voluntária e aluna nas atividades da Brahma Kumaris Brasil . Estuda gestão ambiental, cozinha bastante, cria receitas veganas, compartilha, ensina. Tem 37 anos e acredita no poder da ecologia e da sustentabilidade interna como motivadores para um mundo melhor. Comunicativa, silenciosa e também faladeira, risonha , gosta de escrever e papear sobre coisa elevadas e positivas. Adora desconstruir limites que nos prendem a gravidade e ao peso, acredita na psicologia positiva sempre e tanto, o quanto for possível e necessário. Vamos voar para as possibilidade de melhoria, que tá na hora!

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