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É possivel viajar sem dinheiro? Conheça a brasileira que viajou por 14 países sem dinheiro algum

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Você já imaginou a possibilidade de viajar absolutamente sem dinheiro algum?

Difícil imaginar como!? Então você deveria ler a entrevista do Jardim do Mundo de hoje. O projeto de Aline Campbell, artista plástica carioca, veio para responder perguntas feitas por muita gente que passa por aqui: é possível viajar sem dinheiro algum?

Ainda podemos confiar uns nos outros? Quão longe podemos ir quando nossos recursos são momentaneamente limitados?

O projeto da artista tem como objetivo comprovar (e cutucar), através de um experimento prático, a possibilidade de contar exclusivamente com a hospitalidade e o próprio jogo de cintura, viajando pela Europa somente com a passagem de ida e volta e nenhum ($0) dinheiro no bolso ou mesmo a intenção de tê-lo. Ela deu a letra e respondeu tudinho para nós sobre sua aventura de viajar a provar um ponto de vista bastante generoso e envolvente; simpático com as mudanças que queremos ver em nosso planeta cada vez mais globalizado.

Quando falamos de viagens aqui no blog, sejam destinos como sugestões e curiosidades, frequentemente somos questionados ou sobre os “colossais” montantes de dinheiro necessários para dedicar-se a uma longa viagem, seja mesmo planejando breves ferias ou as dificuldades de organizar-se frente a maratona de pesquisas por passagens, hospedagens e toda mirabolância de deixar tudo pronto para viajar. E se você tem filhos e acha que isso é mais uma dificuldade na logística de uma viagem, você tem de ler a matéria do Jardim do Mundo sobre o casal que viaja com seus 4 filhos; e de bike (veja a materia clicando aqui). O Jardim do Mundo trás para você diferentes exemplos, maneiras de organizar a sua viagem, possibilidades de relevar hoje mesmo a possibilidade de por o pé na estrada, com criatividade e adaptação as realidades de cada um. Viajar sem grana isso, um projeto audaz e um grande exemplo, e o resultado nos disponibilizamos aqui nessa deliciosa entrevista:

Jardim do Mundo: Gostamos muito da proposta do projeto, vimos o vídeo e gostaríamos de saber quando foi que você tomou a decisão de viajar sem dinheiro? Qual foi sua inspiração, o insight?

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Lgh-aFOLLIw&w=640&h=360]

Aline: Foi quando eu aceitei hospedar em minha casa (Couch Surfing) um cara dos E.U.A. e ao abrir a porta, vi que ele não trazia consigo mala alguma. Achei super esquisito o troço e, mais esquisito ainda, foi quando eu perguntei a ele sobre suas coisas e obtive a seguinte resposta: “Eu estou viajando sem nada”. Ergui as sobrancelhas e, naquele momento, não me estendi muito. Suuuper esquisito, né?! Mas é claro que eu não engoli aquilo tão facilmente e foi quando tivemos a conversa que mudou minha vida. Um papo profundo, sobre valores pessoais e o que de fato importa na vida -que NÃO são bens materiais. Ele disse que quis viajar sem nada (carregando consigo apenas uma pochete, com escova de dente, documentos e dinheiro) porque, além dos ideais de que “coisas” não são essenciais, ele não queria ter distrações além das relações interpessoais e nem precisar se preocupar com bagagem. Achei demais! E foi quando -pra quê!- ele me disse: “Meu próximo passo, será fazer uma viagem sem dinheiro”. Meus olhos brilharam naquele momento e eu pude enxergar claramente que sim, essa loucura era muito possível! Jesse acabou nunca dando esse segundo passo, mas ficou super feliz ao vez que eu pude concretizar seu sonho

[Saiba mais sobre o Couch surfing clicando aqui]

Jardim do Mundo: Quanto tempo desde a ideia até a execução?

Aline: Hospedei Jesse no começo de 2012 e naquele mesmo ano eu já queria pegar o verão europeu (junho-setembro), mas acabou que em função de namoro e de meus trabalhos artísticos, adiei o plano. 2013 chegou e com ele minha decisão de que a viagem dinheiro zero tinha que ser realizada logo, mesmo ainda estando namorando sério. E assim foi. Assim fui.

Jardim do Mundo: Por quantos países você passou durante o projeto?

Aline: 14 países visitados: Holanda, Bélgica, Alemanha, Polônia (mas foi bem rapidinho, só para o Woodstock), França, Inglaterra, Croácia, Sérvia, Eslováquia, Hungria, República Tcheca, Áustria, Itália e Suíça.

Jardim do Mundo: Você tem ideia de quantas pessoas já te hospedaram?

Aline: Eu fiquei hospedada em 38 casas diferentes, durante esses 92 dias.

Jardim do Mundo: Onde foi melhor recebida ou qual você gostou mais?

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Mãe Sérvia

Aline: Olha, eu fui muito bem recebida em todas as casas por onde passei, mas acho que a experiência de hospedagem mais marcante foi na Sérvia, numa cidadezinha meio de interior (Prijepolje) onde fiquei com uma família que sequer falava inglês (com exceção dos filhos). Um casal quarentão e dois filhos, um rapaz de 25 anos e uma moça de 17, se não me engano. Fiquei quatro dias com eles. Durante o dia, a “mãe” me puxava pelo braço e me levava para a horta colher os legumes frescos para as refeições. Ela fazia uns bolos e tortas incríveis, nossa! Ia me apresentando para todo mundo no caminho, que eram super amigáveis e vinham falar comigo -detalhe que NINGUÉM ali falava outro idioma além do sérvio. Teve um dia, ainda com essa família, que o “filho” pegou o jipe do pai e me levou morro acima (era um caminho que só mesmo um jipe preparado podia seguir) até uma antena de celular, onde se tinha uma vista incrível da cidade! Depois disso, me levou até a fazenda do avô, aonde tomamos um café juntos e eu virei um shot de rakja, que é uma bebida local (tipo cachaça no Brasil) feita de ameixas – esta elaborada pelo próprio senhorzinho sérvio, com ameixas da horta. Na despedida, tanto a mãe quanto o pai, choraram.

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Interior da Sérvia

Jardim do Mundo: De maneira geral, qual foi a situação mais bacana que você experiênciou? e qual foi a mais bizarra?

Aline: A mais bacana? Difícil, mas para selecionar uma… foi num jantar de família, celebração dos 50 anos do pai de um anfitrião, no interior da Alemanha, numa cidadezinha chamada Gerstungen. Só sei que a cidade era tão pequena que eu acho que estava sendo a primeira brasileira a colocar os pés ali. A família era bem tradicional e eu pude vivenciar um momento único e impagável. Para ter ideia, teve convidado chegando de trator(!) Risos… Foi demais!!! Fiz caipirinha para a galera e às altas da noite, pessoal estava até sambando ao som de Teresa Cristina. Situação bizarra… acho que quando um cara quis se masturbar enquanto me dava carona (hahahaha) Puxa, eu havia prometido a mim mesmo que só iria divulgar essa informação no livro (pretendo publicar meu diário de viagem). Mas, não foi nenhum bicho de sete cabeças não e eu, mente aberta e tranquila que sou, encarei a situação na boa e apenas pedi para ele não fazer o troço, pois eu não me sentia a vontade. Ele ficou super sem graça e continuou dirigindo. Bom, acontece… pervertidos existem em qualquer lugar. Já assassinos e estupradores, ao contrário do que muitos pensam, não. Sobretudo nas estradas dando caronas, não. Hehehe Mas foi uma situação bem bizarra, concorda?!

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Aline passando pela costa da Croácia, no trajeto Londres-Sérvia, 3 dias na estrada

Jardim do Mundo: Um momento engraçado?

Aline: Era um tanto quanto engraçado quando eu tinha que escovar os dentes e não conseguia saber se a pasta de dente era mesmo pasta de dente ou creme para os pés. Eu não levei nada de higiene pessoal (digo, apenas desodorante) pois com iria ficar na casa de pessoas, achei que isso não seria um problema. Achei. Só que, ao contrário das pastas de dentes no Brasil, com formato meio padronizado e tudo, lá fora não havia critério algum! E algumas pastas de dente pareciam mesmo uns cremes para pele… Sem contar que era impossível ler as embalagem, já que alguns países que visitei nem sequer utilizava o alfabeto que a gente conhece. E esse probleminha serviu também para xampu e condicionador. Era sempre uma aventura quando ia usar o banheiro.

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Aline em Belgrado curtindo uma festa com a galera do albergue

Jardim do Mundo: E momento mágico de sua viagem.

Aline: Quando eu saí de Londres com a ideia de chegar em Barcelona, eu peguei carona com um cara no porto de Calais (França, logo após atravessar o Canal da Mancha) que estava indo para a Sérvia (e eis como eu fui parar na Sérvia). Ele era suuuuuper gente boa e me tratou como uma filha, durante toda a viagem. Amigo, se você é meio alienado e não tem muita noção de geografia, de Calais até a Sérvia são 2 mil quilômetros de distância! Levamos três dias até chegar lá!!! Mas tenho que confessar que quando topei entrar nessa, não tinha muita noção de quão longe a Sérvia estava. Risos. Sem dúvidas esse foi o momento mais mágico da viagem. Ah! E o engraçado é que ainda era um carro inglês, com o volante do lado direito. Era divertido passar pelos pedágios…

Jardim do Mundo: Por algum instante você pensou “se eu tivesse um cartão de crédito agora, eu conseguiria sair fácil dessa…”?

Aline: Não. Mas tiveram momentos difíceis em que eu pensei: “puxa, a que ponto a humanidade chegou para ignorar o outro de tal maneira?” – quando, já em meados de setembro (friozinho chegando à Europa), eu me vi num posto de gasolina, à noite, chovendo, e os carros paravam, pessoas passavam por mim e ninguém sequer me dirigia um olhar, quando era nítido que eu era uma viajante sozinha e estava com frio. Mas momentos como estes foram também bem importantes durante minha jornada, para que eu pudesse refletir sobre outros assuntos. Entretanto, durante toda a viagem, o número de vezes que enfrentei momentos como este, eu posso contar nos dedos de uma só mão.

Jardim do Mundo: O que você diria as pessoas tocadas pelo seu projeto ou mordidas pelo bichinho da viagem?

Aline: As pessoas são boas. Confie mais no mundo e menos na mídia. Pare de ficar buscando justificativas sobre o porquê de você não poder encarar uma viagem e acredite que sim, você pode viajar. Não há justificativas para o não, além do medo e bloqueios pessoais, que devem ser encarados e superados, de portas abertas. Depois de tudo o que vivenciei, sobretudo nesta viagem, eu diria que perigo, na grande maioria das vezes, é ilusório, é algo criado para fomentar nossos medos. O perigo, na grande maioria das vezes, é inexistente. Acredite.

Para saber mais sobre a viagem da Aline acesse Open Doors e o Canal do Youtube

Aline, deixamos aqui o nosso agradecimento por ser tão solicita e sincera. Lara & Emi

Gostaram da matéria? Querem ver mais entrevistas no Jardim? Conte pra gente!

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Aline de carona com um típico Holandês em Amsterdã
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Aline colhendo tomates na Sérvia
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Curtindo a Vista na Sérvia
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A bela arte da Aline
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Aline curtindo o sol em Paris

 

 

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escrito por:Jardim do Mundo
Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

12 Comentários

  • Olá… algumas coisas sei que serão escritas no livro, mas fiquei curioso, pois a reportagem não aborta ou haverá outro post!
    Como era escolhido o local para dormir? Houve critério? Não levou dinheiro, mas levou troca de roupa , tipo mochileiro?

    • Oi Ricardo, com alguma pesquisa você pode descobrir países, como os da união europeia, onde você pode permanecer por 3 meses como turista, precisando mostrar a passagem de volta e vacinação e um seguro saúde pode ajudar, porém alguns países da Europa aceitam o registro do SUS também…

  • Adorei a entrevista , mas sera que com mais de 50a. ,daria pra fazer uma viagem dessa . ?Quem tiver oportunidade deve tentar, pelo menos . vale a pena . pois conhecimento , vivencia de vida ninguem tira de ninguem .

  • eu tenho 19 anos.
    eu Acredito e Vivo algo surpreendente,que não é religião e que se parece com crença.E que é muita Fé.Lhes garanto.
    E algo está me fazendo querer voltar pra minha cidadezinha do interior, onde sei que estarei numa tranquilidade imensa, e algo está cultivando a ideia de eu andar pelas cidadezinhas ao redor da minha, e quem sabe alguns estados brasileiros, e quem sabe… bom vocês já sabem o enredo de um homem livre não?

    só queria compartilhar o que parece que irá ocorrer…

  • Olhar seu blog na verdade alterou meu jeito de pensar a respeito de ganhar dinheiro. Tenho 27 anos e tentava achar alguma coisa sobre ganhar dinheiro cá na Internet. É verdade que se pode ganhar dinheiro honesto com TelexFree? Um abraço e bom trabalho!

  • Queria saber detalhes mais práticos, tipo: como entrar nos países sem dinheiro? Você simplesmente batia na porta das pessoas e pedia para se hospedar? Usava a escova de dente de alguém, a toalha? E suas roupas? Em algum momento tem que lavar. Como pegar condução para os lugares sem dinheiro? Andar dentro das cidades? Ninguém dá carona. Queria saber o nome do livro, já saiu?

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