Viagem

Dicas de viagem de um casal brasileiro de mochila pelo mundo

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Conheça Caio e Danielle e fique ligado nas lindas histórias e informações para uma viagem pelo mundo. Tudo isso aqui, em um depoimento exclusivo para o Jardim do Mundo.

Hoje você vai conhecer a história de um casal brasileiro que esta vivendo uma aventura incrível pelo mundo; e eles nos levam na carona contando tudo em um depoimento exclusivo, direto da estrada para o Jardim do Mundo e do mundo para você.

Acumulando experiências depois de mais de um ano de blog, já deu para sacar que nosso público esta sempre ligado em dicas de viagem compartilhadas aqui e quanto mais esperta (econômica) e exuberante melhor. Claro, todos sabemos como é difícil organizar as tarefas que tem o propósito de culminar em novíssimas e inesquecíveis experiências de viagem. Salvando claro as proporções de sua aventura, uma pequena escapada ou uma virada no jogo para uma aventura de uma vida, você vai ser capaz de degustar de um exemplo quase didático, bastante pratico para quem esta considerando meter a cara na estrada. Passando do planejamento a ação, o depoimento vai deixar mais claro para você por onde começar a organizar a sua viagem com economia e alguma precisão. Coloque-se da maneira mais aconchegante leia e viaje pelo sonho de descobrir o mundo. 

“Somos um casal comum, hoje de classe média mas que não nasceu em berço de ouro. Danielle, de 23 anos, é economista e trabalhava com planejamento em uma multinacional e Caio, de 30, é linguista e trabalhava como analista de sistemas em um instituto de pesquisa. Desde 2008 participávamos do site Couchsurfing [compartilhamento de hospedagem], hospedando pessoas de várias partes do mundo em nossa casa em Curitiba. Caio tinha esse sonho de aventuras desde menino, e em 2010 hospedamos um casal de poloneses que estava fazendo algo fantástico: eles tinham largado tudo para dar a volta ao mundo por um ano. O que até então parecia uma coisa impossível para o nosso padrão de vida, depois de muita conversa com este casal, se mostrou uma possibilidade não tão remota assim.
Pronto, a sementinha estava plantada!

Caio e Danielle no alto da Table Mountain, na Cidade do Cabo, África do Sul

[Conheça o couchsurfing clicando aqui]

Desde então, começamos a fazer muitas pesquisas online. Encontramos o site da Star Alliance, uma das companhias aéreas que oferece um ticket para volta ao mundo, onde é possível fazer simulações de roteiros e preços. Era difícil encontrar um dia em que este site não estava aberto no nosso computador! Que delícia era ficar horas e horas sonhando em estar em todos aqueles lugares. O mais difícil em se fechar o roteiro de uma viagem longa é encaixar tudo: datas, temporada, clima, disponibilidade de hospedagem, vistos e orçamento. Depois de muito trabalho, fechamos um roteiro para 8 meses que se encaixava nas nossa expectativas e na nossa disponibilidade financeira, visitando 9 países (além desses 9, incluímos posteriormente outros 6 no roteiro, via transporte terrestre, e aumentamos o tempo de viagem, mas ainda estamos tentando esticar mais). Escolhemos também nesse período a data ideal para partirmos: 1 de abril de 2013.

Caio e Danielle com a família que os hospedou por 12 dias na Cidade do Cabo
Caio e Danielle com a família que os hospedou por 12 dias na Cidade do Cabo

Sabendo quanto gastaríamos com as passagens, partimos para o planejamento dos outros custos. Criamos uma planilha pra simulação de custos com base nos dados do site Cost of Living, um projeto colaborativo bem legal que mantém uma base de dados do custo de vida em diversas cidades do mundo (praticamente todas as cidades que passamos estão lá). Pesquisamos também o custo de transporte entre cidades, vistos (apesar de quase nenhum país que visitamos exigir visto antecipadamente), seguro saúde, roupas próprias para a viagem, mochilas etc. Chegamos à conclusão de que precisaríamos de aproximadamente 38 mil reais por pessoa para viajar por 8 meses.

“Guardamos dinheiro por dois anos, economizávamos em tudo o que podíamos, não tínhamos carro, saíamos menos à noite e revimos todas as nossas contas, cortamos luxos etc.”

Quando a hora de embarcar foi chegando, vasculhamos nossa casa e fizemos um bazar com todas as coisas, roupas, móveis que não usávamos a muito tempo. Nossos amigos se divertiram, nos livramos de coisas que não precisávamos e conseguimos arrecadar mais uma grana pra viagem 🙂

Não temos renda nenhuma durante a viagem e o dinheiro que juntamos é apenas para viajar e nada mais. Combinamos que se voltarmos com as contas de banco zeradas não tem problema, a idéia era essa mesmo. Nosso apartamento em Curitiba está financiado e ainda temos uma parcela mensal a ser paga. Alugamos ele com todo os móveis para uma conhecida apenas para bancar a parcela e ter alguém para cuidar dos nossos móveis, nossos itens pessoais encaixotamos e mandamos um pouco pra casa de cada pai e mãe, cancelamos as demais contas e, pronto, R$ 0 de contas pra pagar no Brasil.

Até agora já passamos pela África do Sul, Egito (semanas antes da última revolução!), Grécia, Itália, Suíça, França, Espanha, Alemanha, Nepal e Tailândia. Com certeza o que mais marcou a gente até agora foram as paradisíacas ilhas gregas de Ios e Santorini, nosso curso de mergulho na Tailândia e, a melhor de todas, o nosso trekking de 40 dias nas montanhas do Nepal, onde ficamos isolados do mundo e nos hospedamos em pequenas guesthouses familiares e comemos comida local feita com o que eles tinham na horta. No nosso roteiro ainda estão Malásia, Singapura, Cambodia, Nova Zelândia e Estados Unidos. A volta pra casa está prevista para o começo do ano que vem, mas pensamos em talvez encontrar um trabalho de temporada na Nova Zelândia para estender ela mais um pouquinho. Tem coisa pra rolar ainda! 🙂

Atravessando a África do Sul de trem, 30 horas de viagem
Atravessando a África do Sul de trem, 30 horas de viagem

“Nosso estilo de viagem é ser o menos turista possível.”

Pela experiência com o Couchsurfing, sempre buscamos uma atmosfera mais local. Vivenciar a cultura, comer onde os locais comem, ir onde eles vão, observar mais do que comprar e descobrir aqueles lugares da cidade que só eles conhecem! Aproximadamente 50% do tempo estamos nos hospedando na casa de locais via Couchsurfing, e isso tem sido uma parte maravilhosa da viagem! Temos aprendido muito e sido muito bem recebidos pelo mundo todo. Em Johanesburgo nos hospedamos em uma casa onde além da couchsurfer moravam dois lobos canadenses brincalhões; em Nice fomos recepcionados com uma mesa de jantar linda repleta de pratos locais feitos especialmente pra gente; No País Basco o couchsurfer passou o dia inteiro dirigindo conosco para que conhecêssemos toda a costa, e no fim do dia ainda fez um churrasco pra gente e os amigos no meio das montanhas; em Bordeaux fomos convidados a ficar na casa de um couchsurfer francês que é apaixonado pelo Brasil e fez questão de nos receber para falar português conosco; em Stuttgart chegamos bem no dia do aniversário da couchsurfer, que nos convidou para o churrasco de comemoração onde conhecemos e nos divertimos com seus familiares e amigos.

“Mais de uma vez o anfitrião deixou a gente dormir na cama confortável dele para dormir no sofá… surpreendente?!”

Às vezes a pessoa é super ocupada, mas mesmo assim faz questão de te aceitar no sofá dela. Mesmo que ela só possa dar uma voltinha até o parquinho da esquina, a troca de experiências e as conversas dão de 10 x 0 em qualquer hotel! Sentimos que turistas brasileiros preferem luxo quando viajam, e nos sentimos sortudos por ver com o Couchsurfing que há maneiras melhores de ver o mundo.

Tilicho Lake, o lago mais alto do mundo à 5.000 metros nos Himalayas.
Tilicho Lake, o lago mais alto do mundo à 5.000 metros nos Himalayas.

Antes de embarcarmos nós tínhamos apenas uma ideia de como seria a viagem, mas agora com mais de 7 meses de estrada podemos dizer com certeza que nosso estilo de viagem minimalista está funcionando muito bem!

“Estamos viajando com uma mochila de 8 kgs cada um, nada mais, isso incluindo 1 saco de dormir por pessoa, câmera fotográfica DSLR e um netbook.”

Nos chamaram de loucos antes de embarcarmos, mas hoje vemos como é fácil viver com pouco, às vezes até sobra espaço na mochila! Temos poucas peças de roupas, poucos produtos de higiene, nada de tranqueiras. Se precisamos de alguma coisa no caminho, compramos no lugar para ajudar o comércio local e depois doamos para alguém que precise. Por ficar na casa de outras pessoas, aprendemos a tomar banho mais rápido, ser responsável e cuidadoso com cada cantinho do que não é seu, a economizar tudo. Eu comprava shampoo uma vez por mês no Brasil, estamos no oitavo mês de viagem e eu estou ainda no terceiro vidro. Tudo se aprende!”

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Nepal
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Pirâmides do Egito
Em um dos mergulhos em Koh Tao, Tailândia
Em um dos mergulhos em Koh Tao, Tailândia
Conhecendo Singapura com um chinês que conheceram na Suíça
Conhecendo Singapura com um chinês que conheceram na Suíça
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Assistindo o pôr-do-sol em um quadriciclo em Santorini, Grécia

Caio e Danielle também nos deixaram alguns links com super informações sobre planejamento pessoal de viagem:

Motivação
Informações de logística
Tudo o que estamos carregando, que não é muito!
Nossa rotina de planejamento
Gastos detalhados de passagem, equipamentos…

Jardim do Mundo
escrito por:Jardim do Mundo
Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

3 Comentários

  • Morro de vontade de fazer isso também com meu namorado. Meu medo nem é largar tudo e ir.. o que pega é pensar o que vamos fazer quando voltar.
    gostaria de saber quais os planos do casal nesse quisito.
    abraços

    • Oi, Gabi. A resposta é simples: não sabemos ainda, mas daremos um jeito. Se ficar esperando o momento certo pra algo assim ele nunca vai surgir, “segurança” (seja financeira ou de carreira) é algo que mais te prende do que liberta. Economicamente o Brasil tá bem suficiente pra voltarmos e arrumarmos bons empregos, senão os mesmos de antes, quem sabe 🙂

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