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O dia dos trabalhadores foi de muito policiamento, festa e protestos na capital da Alemanha

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Carros incendiados em diversos pontos da cidade são noticia no jornal da manhã. Grupos neo nazistas são temidos durante o evento, comandado por toda uma horda de ativistas e artistas locais e internacionais que fazem de Berlim a mais autêntica capital do mundo.

Enquanto o primeiro de maio no Brasil é comemorado com descanso, cerveja e um facebook transformado em uma praça de guerra e uma exposição de auto-retrato, em Berlim o feriado tem outro significado e permanece imerso em uma certa energia revolucionaria que movimenta a cidade mais anárquica e bela do mundo em um cenário onde a revolução é até pungente, pelo menos por um dia.

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Comentando com amigos que iriamos sair a rua para conhecer as festas que rolam nesse primeiro de maio vermelho, fomos alertados de que seria um dia movimentado, perigoso e que, se tivéssemos algum bom senso, nos manteríamos distante de qualquer manifestação mais acalorada ou suspeita. A questão é que em Berlim, e na Alemanha (e no mundo), esse feriado tem ligações imediatas com a luta dos trabalhadores, dos artistas e mesmo dos vagabundos, por uma mudança nos paradigmas sociais e econômicos (lê-se as modinhas das mais singelas as mais tiranas). Pode parecer mais uma balela contada por alguém querendo parecer sábio na internet, mas comparações são impossíveis de serem ignoradas mesmo que sutilmente exploradas em um site de audiência mediana.

Enquanto todos os cientistas do planeta alertam para que abramos os olhos para os rumos da economia, no Brasil, o debate ainda gira em torno do poder de compra da população, estendendo-se pouco mais adiante que isso em alusões a lutas com os #somostodosmacacos contra os #somostodosidiotas do outro lado. Aqui, idiotas e macacos, todos, com alguma posição a ser exibida ou esclarecida, saem as ruas com mais uma porção de malucos e senhores de família. Todos conscientes de que hoje tem carnaval, mas estejamos todos ligados, poisesta é uma festa ideológica.

Mas…ficar ligado? Como pode ser esse passeio assim tão sério?

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Sim, pois os dois lados da moeda irão finalmente se voltar face a face neste ano, como nos anteriores. A ultra direita neo-nazista sempre acaba aparecendo na cena daqui; e do outro lado os punks da extrema esquerda estão bêbados e não abaixam o moicano para o ariano que quer mudar a natureza mega cosmopolita de Berlin, e é claro, parte da população de berliners e forasteiros vão estar do lado deles. Isso aconteceu essa semana quando uma marcha do partido nazi ensaiou o inicio de um passeio que avançou tão somente por 300 metros até a população em fúria colocar os skinheads (coisa de uns 300) sobre o abrigo da polícia.

Assim também prometeu ser o dia aqui em Berlim. Muitos querem manter uma distância segura, para conservar sua posição intocada ou mesmo com medo de ações violentas (que estão incluídas na agenda) ou mesmo do barulho dos amplificadores, da música e dos imigrantes e visitantes que enchem a cidade para transforma-lá em um grande evento mundial.

Durante o dia fomos surpreendidos pelos protestos e fomos convidados pela massa para nos juntarmos enquanto registrávamos o local efervescente. Claro que não perdemos o convite. fomos escoltados durante todo o trajeto por um contingente imenso de policiais que ao final da marcha sobre os olhares de câmeras e curiosos insistiam em mostrar seu volume quando presenciamos os primeiros momentos de tensão do qual fomos alertados. Algumas explosões na estacão de trem em um ponto altamente policiado deu início a um pequeno tumulto. Muito mais o barulho dos coturnos da polícia que parecia tensa em não permitir que nada saísse errado dentro de uma linha tênue entre  permissividade e demostração de poderio.

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Nessa mistura de celebrar, beber e contestar o sistema, não é de se impressionar com as notícias dessa mesma manhã. Carros incendiados e fogueiras nos parque marcavam o início da revolução festiva de um dia que pode ser considerado um marco do início de mais um verão festivo e noticioso na Alemanha, e ele durou o dia todo, começando na noite anterior onde os parques da cidade foram procurados por quem queria curtir música e a cultura local. A polícia fazia seu papel mostrando que acionara todo seu contingente para o acontecimento, bloqueia todas  as entradas dos parques para que garrafas de bebida não causem acidentes ou mesmo estragos inflamados em uma revolução  que, parece, pode acontecer a qualquer momento.

Mas nada acontece fora de um contexto e pode ser comparado ou confundido até com o “rolezinho” em proporções babilônicas onde a mera distração de um passeio pela cidade esta repleto de significados sobre o dia-a-dia do que acontece na nossa economia e nossa cultura. Entre shows de punk rock e hiphop percorremos as primeiras centenas de metros de cultura alternativa que era oferecida de graça aos milhares de visitantes e terminamos em marcha entre dezenas de policiais, brados de protesto e explosões em estações de trem, assim foi o primeiro de maio em Berlim.

Jardim do Mundo
escrito por:Jardim do Mundo

Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

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