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Emilia Hazelip foi a formuladora do conceito de Agricultura Sinérgica, um modelo de produção vegetal para a auto-fertilidade da terra baseado na Agricultura Natural, na qual a terra não precisa ser explorada para o cultivo. Quando ela nasceu, em 1937, as bombas caíam em Barcelona, ​​sua cidade natal, e aos 18 anos deixou a Espanha para iniciar um caminho de questionamentos e inquietudes.

Desde o início dos anos 60, experimentou a vida comunitária no início do movimento hippie, dando-se conta do quanto era antinatural arar a terra e deixá-la nua. Por isso, queria encontrar maneiras de viver em contato com a terra, a favor das leis da natureza, reintegrando o ser humano ao ciclo de vida.

Adquiriu conhecimento em fazendas orgânicas na Califórnia e no sudoeste dos Estados Unidos, e se reuniu com especialistas que ensinaram-lhe a cultivar a terra sem agredi-la, e sobre o sistema de cultivo em terraços. Quando completou 40 anos, conheceu o trabalho do agricultor Masanobu Fukuoka, completando assim o marco integrador da Permacultura. Emilia, que era uma incansável observadora da natureza, se comprometeu a curar os danos causados à terra pelo sistema agrícola usual, criando, assim, métodos teóricos e práticos, fundamentados em quatro princípios básicos.

Os princípios são:

  1. Não arar a terra;
  1. Não adubar o solo, a autofertilidade é o adubo;
  1. Não usar produtos químicos;
  1. Não compactar o solo.

[Quando plantar segundo a agricultura natural de Fukuoka]

O que é a Agricultura Sinérgica?

É um sistema que permite que o solo permaneça selvagem, mesmo sendo cultivado. Envolve o funcionamento dinâmico e  sincronizado de vários organismos para realizar uma função. Como em nosso corpo, todo o sistema e seus elementos trabalham inter-relacionados e em coerência, esta sinergia também ocorre entre a terra e os micro-organismos que a habitam, ou entre leguminosas e bactérias fixadoras de nitrogênio, ou ainda na associação entre plantas que se beneficiam umas das outras. Este sistema de agricultura natural protege o ecossistema do solo, permitindo que a terra mantenha suas próprias camadas, sem agitá-la nem revirá-la, entendendo que a ela tem a capacidade de autofertilização.

Para criar os terraços, são necessários andaimes de 120 cm de largura, 50 cm de altura e 80 cm de separação entre eles, cobertos com acolchoado de palha, lã ou grupos orgânicos que funcionam como um filtro de proteção entre a superfície e os gases atmosféricos, a força dos raios solares, e a compactação e erosão da chuva e do vento. A cobertura é melhor seca, para não criar uma camada rígida.

Ela também atua como fertilizante, alimentando a superfície da terra para cima e para baixo. Assim, é estabelecido no solo um equilíbrio duradouro entre os seus habitantes, sejam eles vermes, plantas ou animais, e todos os seres microscópicos que vivem e morrem dentro deles.

[Agricultura Biodinâmica – A forma holística de plantar]

Imitar o que a natureza faz implica em deixar a terra sempre envolvida em um acolchoado, apenas deixando espaços abertos ou linhas de plantio, que são transformados em adubo e húmus. Para que a terra disponha matéria orgânica dentro de si mesma, sem a necessidade de ará-la, sempre deixa-se as raízes se decomporem, exceto aquelas que são colhidas. Estes resíduos estão envolvidos na flora intestinal da terra, e esta, por sua vez, permite a nutrição da planta. Quando a fertilidade do solo não é perdida devido à erosão, não há necessidade de compensação na forma de qualquer tipo de adubo ou composto.

Para mais informações sobre esse interessante sistema, assista ao documentário O Jardim de Emilia.

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escrito por:Jardim do Mundo

Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

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