Viagem

Chapada Diamantina e suas trilhas – Cachoeira da Fumaça

Vale da Fumaça

Começamos a travessia de três dias partindo do Vale do Capão, vilarejo hippie acolhedor e apaixonante localizado na Chapada Diamantina – Bahia.  O objetivo era descer a Cachoeira da Fumaça, segunda maior do Brasil com 380 metros de altura.

Vale do Capão

Vale do Capão

Caminhamos até a Fumaça pela frente e descemos até o Palmital, onde dormimos nossa primeira noite. Eu, Fábio (amigo que também atravessou comigo o Vale do Pati) e o querido e casca-grossa Cabeça, guia cujo nome pouco conhecido entre os viajantes é Jorge Eduardo Queiroz.

Fumaça pela Frente

Vale da Fumaça

No dia seguinte, seguimos em direção à Cachoeira da Fumaça pelo Vale do Capivara, chegamos na Cachoeira do Capivara, descansamos e, depois de mais 1h20min, chegamos no encontro dos rios Capivara e Fumaça. A partir desse momento, me senti no filme Avatar. Ao contrário do rio Capivara, o rio da Fumaça era subterrâneo, então fomos caminhando por cima dele, saltando por suas enormes e brancas pedras, onde a única lembrança de que existia um forte rio passando por baixo de nós vinha do leve som das águas que ecoavam em meio à uma vegetação que a cada minuto se transformava. O que sobressaía eram os diferentes sons das folhas em que pisávamos e galhos que esbarrávamos.

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Palmital

Palmital

Capivara

Uma pena eu não registrar os momentos mais incríveis das minhas viagens. São instantes que eu, sem perceber, deixo a minha câmera de lado e me entrego ao presente. No caso dessa travessia, não havia espaço para tantas fotografias durante as caminhadas por conta dessa entrega, mas também pela minha concentração ao árduo trajeto. Começamos a travessia após dias de muita chuva no Vale do Capão e, inclusive, pegamos alguns momentos de chuva durante a caminhada. Foram trilhas por cima de pedras extremamente escorregadias, enfiando o pé na água, atravessando rios, pulando de um lado para o outro. A aventura me custou, além de muitas cicatrizes, dois tombos memoráveis. O primeiro deles foi atravessando o rio Capivara, onde o salto que me levaria ao outro lado do rio, me derrubou para dentro dele, me fazendo mergulhar de roupa, mochilão e câmera em suas águas. Sorte que o Cabeça estava pronto para segurar a minha mão e me puxar. Ao sair da água a minha vontade era de chorar já pensando no estrago que tinha ocorrido com a minha câmera. Por um milagre, ela sobreviveu! Não sei como isso aconteceu! Porque a bolsa que eu a carregava simplesmente submergiu. Bom, agradeci pela sorte e por não ter deslizado cachoeira abaixo, como já tinha acontecido com uma guia há um tempo atrás (talvez saber disso antes do salto tenha me feito dar um pulo hesitante).

Depois de duas horas caminhando pelo Vale da Fumaça, mais um tropeço. Dessa vez, me fazendo mergulhar de cara nas pedras.  Mais alguns cortes no rosto e no corpo e chegamos na Fumaça por Baixo no entardecer. Lugar mágico.

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Fumaça

Subimos um pouco pelas pedras e dormimos na famosa Toca da Diretoria. O nome já descreve o lugar que nos encontrávamos. Éramos nós três, um céu estrelado, a lua e a segunda maior cachoeira do Brasil na nossa frente anunciando sua força.

A noite foi cheia de delícias preparadas pelo Cabeça (que sempre preparava com muito carinho e talento culinário as nossas refeições), com direito a uma música tocada pelo restinho de bateria do meu celular – “Festa, Maria Bethânia”. Meu coração estava em festa. Lá estava eu, um saco de dormir, muita roupa de frio, um pouco de medo de cobras e muita, mas muita gratidão por estar naquele lugar naquele momento.

Toca da Diretoria

Fenda

No dia seguinte, subimos a temida fenda da Cachoeira da Fumaça e caminhamos mais 6km até o Vale do Capão, fechando a travessia. Foi o dia mais difícil e exaustivo. O trekking mais penoso que já fiz, que mais exigiu do meu corpo e mente. Era degrau atrás de degrau que mais parecia uma escalada do que uma caminhada. Mas uma coisa eu posso dizer com toda a certeza… Valeu cada segundo, cada cicatriz, cada devaneio, cada temor. Chegar na Fumaça por Cima, olhar lá para baixo e ver tudo o que tínhamos caminhado me fez sentir viva como nunca.

Fumaça por Cima

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Obrigada Fábio pela parceria! Obrigada Cabeça por nos proporcionar tal aventura com tanta paciência e dedicação! Assim encerrei minha viagem à Chapada Diamantina. Com um lindo pôr-do-sol lembrando que a vida é feita de ciclos. Obrigada, universo! Que venham muitas outras histórias para serem compartilhadas.

Taina Porto
escrito por:Taina Porto
Turismóloga por formação, viajante por destinação. Foi com as viagens que conheci o que a vida tem de melhor a me oferecer. Com as andanças, descobri a perfeição da natureza e o apreço à Fotografia. Com meus devaneios, o amor à Psicologia. No mais, como uma boa pisciana, sigo sonhando acordada por aí aprendendo com a vida. Remando de canoa havaiana, praticando yoga, cozinhando quitutes vegetarianos, me pendurando em qualquer galho, mergulhando onde houver água.

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