Por: Raro

Talvez você nunca tenha pegado numa ferramenta ou não saiba preparar um material para ser usado numa obra, mas, acredite: é possível bioconstruir uma casa apenas com suas mãos e um pouco de conhecimento que está disponível para todos. Um conhecimento milenar que acompanha a humanidade desde que esta percebeu a necessidade de se abrigar e começou a observar o ambiente a fim de explorar todas as possibilidades que a natureza proporciona para esse objetivo.

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Há alguns meses eu vinha pesquisando sobre bioconstrução. O tema entrou em minha vida como uma bomba, arrasando todo meu interesse por outros assuntos e novas aprendizagens. O que mais me fascinou foi a simplicidade com que materiais que estão à mão muito facilmente podem se transformar em algo tão importante quanto uma casa. Pesquisei muito na internet, li dezenas de artigos e relatos, assisti a vídeos e troquei ideias com pessoas no Facebook. Minhas relações com o meio e o espaço foram repensados. Minhas noções de casa, moradia, lar, foram aos poucos se enriquecendo com contestações, reflexões e respostas. Estou há um bom tempo pensando porque nós homens, ditos “inteligentes”, construímos cidades tão insustentáveis e adotamos um modelo de uso do espaço tão irresponsável e estúpido. Enquanto penso nessas questões, vou buscando mais aprendizagem.

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 Como toda nova sabedoria, eu precisava pôr em prática tudo o que estava estudando na teoria. Procurei por cursos na internet, constantemente via alguns anúncios em grupos no Facebook, porém considerei todos muito caros, alguns até abusivos, face ao pouco que ofereciam. A alternativa foi procurar por mutirões e vivências, essas sim muitos mais ricas em todos os sentidos: são iniciativas que duram mais tempo, o suficiente para experimentar as diversas fases de uma construção, e favorecem a troca de sabedorias, sem uma formatação de “curso” no sentido tradicional da palavra: um agente hierarquicamente superior que ensina para outros, inferiores em saber. Nas experiências em que estive, todos aprendiam, todos ensinavam, com um custo justo, trocas sinceras e muito sentimento de gratidão.

[Saiba mais sobre técnicas de construção em bambu clicando aqui]

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Participei de duas vivências e senti imensa satisfação e bem-estar por poder participar de missões nobres: em ambas eu estava construindo o futuro lar de uma família. A primeira foi na área rural da cidade de Saquarema, Rio de Janeiro. Durante um mês foi construído um banheiro seco, um muro, foram construídas as paredes de uma cabana, e parte de uma casa foi levantada, chegando à altura do telhado. Para tanto, nada de cimento, concreto e materiais convencionais, somente barro, areia, palha, bambu, madeira, pedras, todos encontrados naturalmente na região. Além disso, algumas ferramentas e pouco material comprado, como rolos de sisal e lonas.

[Saiba mais sobre a permacultura clicando aqui]

A segunda vivência de que participei foi na Chapada dos Veadeiros, na cidade de Alto Paraíso de Goiás, num sítio com um visual incrível e um pôr do sol inesquecível, que, claro, servirá de vista para a janela principal da sala da casa que está sendo construída lá.

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Um dos exercícios mais interessantes nessas experiências foi identificar as diferenças em relação ao que a natureza proporciona para a bioconstrução. Em Saquarema, clima úmido, terra preta, chuva, barro molhado e muita matéria orgânica. No Cerrado, clima seco, sem uma gota caindo do céu, vento, muita palha e barro com secagem ultrarrápida.

E aos poucos, entre conversas e risadas, rodinhas de violão e comida sem veneno, um novo lar é criado a partir de suas próprias mãos.

Para saber mais sobre bioconstrução, recomendo começar com o filme O barro, as mãos, a casa.

[Casas naturais  camufladas pela natureza? Você já sabe… basta clicar aqui]

Raro
escrito por:Raro
Tem 34 anos, carioca do Cachambi, pai do pequeno Renzo e marido da Bu. Já brincou de ser e fazer muitas coisas, e aguarda novas experiências. Anda de bicicleta pelas ruas da Região Oceânica de Niterói. Sonha em viajar o mundo e mostrar ao filho que há coisas mais valiosas que “ser alguém na vida”.

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