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Banho de floresta – A terapia para eliminar o estresse

banho de floresta

Em seu estudo, o gigante literário escocês Robert Louis Stevenson, disse que “não é apenas por sua beleza que a floresta chama a atenção sobre os corações humanos, como a questão sutil, a qualidade do ar, a emanação de antigas árvores, que de uma forma maravilhosa muda e renova o espírito cansado”.

 Onde surgiu o Banho de Floresta?

Observa-se que as florestas há muito têm sido um lugar de limpar as nossas mentes, pelo simples ato de passear por elas. Como Stevenson costumava fazer, não é tão comum nos dias de hoje. Isso poderia mudar se o ex-guia dessa selva, Amos Clifford, o qual inventou a Associação de Terapia Natural e Florestal em 2012,  não estivesse no caminho. Ele criou o grupo de “Terapia Florestal”. E a razão foi: pregar a doutrina como uma nova forma de cuidado preventivo da saúde chamado “Forest Bathing”, que em português quer dizer Banho de Floresta. Um termo poético para usar nossos quatro sentidos de modo a absorver a atmosfera florestal.

“Se você compara isso com as outras formas de contato com a natureza como estamos acostumados, como caminhadas, não é bem por aí. Este é diferente porque o banho de floresta é mais relacionado a uma prática contemplativa”, disse Clifford.

O estresse e a tecnologia

Uma de suas caminhadas guiadas no Condado de Sonoma, perto de San Francisco, com um grupo de 6 a 15 “banhistas”, chegou a levar cerca de três horas para percorrer quase meio quilômetro. Isto porque a prática é sobre desconectar lentamente a mente e o corpo. Bem como desconectar-se de dispositivos e eletrônicos.

A pesquisa mais recente da Kleiner Perkins, mostra que os americanos gastam uma média de 9.9 horas por dia grudados nas telas de TV, tablets, smartphones e computadores. Estes números são ainda mais alarmantes na China, Filipinas e Indonésia.  Há uma preocupação atual de que nos tornemos mais escravos da tecnologia do que quem a criou.

[Como se relacionar com uma árvore]

Como são as sessões de “Forest Bathing”?

Durante uma típica sessão de terapia florestal – onde o uso da tecnologia é extremamente desencorajado (mas não banido), Clifford propôs uma série de questões para ajudar os participantes a se desconectar. Como é o cheiro do solo úmido? Qual é a textura da casca da árvore? Você consegue ouvir o vento através da floresta?

Nós desenvolvemos uma espécie de doença do tempo onde cada momento tem que ser produtivo, disse Clifford. Ao se infiltrar nessa atmosfera lenhosa, nós podemos redefinir nosso sistema nervoso. Transformar efetivamente nossos corpos em máquinas de cura.

Os benefícios do banho de floresta

Isso pode parecer uma pseudo ciência de abraçar uma árvore, mas há uma crescente evidência de que gastar um tempo numa área arbórea tem, realmente, efeitos tangíveis em nosso corpo: a redução da pressão arterial, até aumentar a energia e combater a depressão.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Stanford em 2015,  descobriu que caminhar no parque reduz o fluxo sanguíneo em uma parte do cérebro. Parte esta que é tipicamente associada a reflexão. Uma afirmação do estado mental de pesquisadores é desproporcionalmente comum entre os urbanos. Enquanto isso, estudos similares mostram que adultos que andam regularmente em espaços verdes têm melhor concentração. E também estão menos propensos a depressão que aqueles que não o fazem.

O recente CEO da Apple, Steve Jobs, ficou famoso por realizar reuniões enquanto caminhava ao ar livre. Mais tarde, mais executivos do Vale do Silício, entre outros lugares, começaram o banho de floresta não apenas como antídoto para o stress, mas também como uma ferramenta para as empresas.

 Crescimento da população e o estresse 

Quando exatamente nós chegamos ao ponto onde andar entre árvores precisava ser chamado de “banho” e vendida de volta a nós como uma forma de bem-estar? A resposta, em parte, está na mudança demográfica do nosso planeta. A população mundial urbana cresceu de exatos 746 milhões em 1950 para impressionante 3.9 bilhões em 2014, de acordo com a Divisão Populacional das Nações Unidas. Isto significa que agora mais da metade do planeta mora em áreas urbanas onde o acesso a natureza e o ato habitual de caminhar através dela é mais difícil.

[Uma casa na árvore simplesmente incrível]

Shinrin-yoku?

Se há um país que está familiarizado com este estigma, este é o Japão, onde 93% da população vive nas cidades. Na verdade, a Agência Florestal do Japão foi quem primeiro criou o termo banho florestal, ou “Shinrin-yoku”, em 1982. O conceito foi inspirado nas práticas antigas do Xintoísmo e do Budismo e tem se tornado um pilar representativo na prevenção à saúde do país. O governo investiu mais de 10 milhões de dólares em pesquisas de banho florestal nas últimas décadas, de acordo com Qing Li, professor da Escola de Medicina Nippon de Tóquio e presidente da Sociedade Japonesa de Medicina Florestal.

O estudo de Li indica que a floresta é onde nosso sistema nervoso opera a um nível máximo. “Isso tem um efeito similar à aromaterapia natural”, explica ele. Árvores e plantas emitem aromas conhecidos como fitomicidas que Li acredita que melhora as chamadas células assassinas naturais que são importantes na prevenção de doenças. O estudo de Li também descobriu que aumentar o tempo na floresta reduz o nível do hormônio cortisol do estresse. Enquanto reduz o estresse, aumenta nossa sensação de vigor e energia mental.

“Encontre-me na floresta”

O Japão não é o único país a se aproximar da ideia de que a floresta pode auxiliar na prevenção da saúde. O Serviço Florestal Koreano planeja estabilizar 34 florestas públicas de cura e dois centros de cura florestal até o final de 2017. E na rica floresta da Escandinávia, a Finlândia possui uma força-tarefa financiada pelo governo sobre as florestas e a saúde humana. Projeto que foi lançado em 2007 para, entre outros objetivos, aumentar a quantidade de árvores próximas às escolas e escritórios.

Um novo gerenciamento empresarial

Mesmo assim, muitos dos difíceis dados nos benefícios do banho florestal ainda vem das florestas Japonesas. Nestas florestas, visitantes frequentemente preenchem a questionários ou concordam em tirar medidas biométricas. Áreas onde as pesquisas indicam resultados positivos nos níveis de estresse, entre outros fatores, são considerados como “bases” de banho florestal. Atualmente há mais de 62 nações próximas às principais cidades com guias locais e, em muitos casos, conectados à instituições médicas.

Li disse que essas bases tornaram-se particularmente populares entre a comunidade empresarial do Japão. “Muitas empresas tem contratos com bases de terapia florestal em áreas locais para reuniões. Utilizam os espaços para realizar novas sessões de educação de funcionários e usá-las no gerenciamento do estresse”, explicou ele.

[Conheça a árvore da vida]

A técnica e o preparo de quem entende do assunto

Hiroshi Mikitani, o CEO do gigante comércio eletrônico Rakuten, não usa uma base fixa, mas é conhecido por levar seus executivos em caminhadas na área rural do Japão. Esta é uma tendência que também tem se tornado popular do outro lado do Pacífico, na Califórnia.

Clifford disse que, através de seu programa de treinamento guiado com a Associação de Terapia Natural e Florestal, ele está certificado como consultor de desenvolvimento organizacional. E que trabalha com o Google, o Facebook e outras firmas de Tecnologia da Baía de San Francisco. Ele também tem um contrato com a Escola da Cidade de Santa Rosa, que será o piloto do programa de banho florestal para professores estressados.

Prescrição para os parques

`A medida que os médicos entenderem a pesquisa, muitos agora prescrevem para estar mais tempo ao ar livre na natureza como remédio para coisas como adição digital e depressão. A iniciativa de saúde da comunidade do Parque RX dos Estados Unidos, por exemplo, é um plano nacional de conectar os americanos com a natureza através da prescrição em parques públicos.

Um estilo de vida distorcido

O Consultor da Park Rx, Robert Zarr, disse que vê o parque como um recurso sub-utilizado que tem sido negligenciado pelos médicos. Muitas vezes, “Nós pulamos para medicamentos ou para encaminhar os pacientes a especialistas, quando, na verdade, muito do que está ocorrendo faz parte estilo de vida”, explicou o médico.

A Austrália e a Nova Zelândia tem esquemas similares de “prescrição verde”, enquanto o Reino Unido acaba de lançar uma versão beta de três anos do seu próprio programa em Dartmoor e Exmoor, em Devon. Zarr disse que a semente foi plantada, e que o movimento de conexão com a natureza está finalmente sendo instalado.

E o Brasil?

Infelizmente, essa prática não foi ainda implementada pelo governo local. A solução é utilizar algumas técnicas que remetem aos benefícios do banho florestal ou buscar terapias alternativas no combate ao estresse.

Traduzido e adaptado de BBC.

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Leila Sao Paulo
escrito por:Leila Sao Paulo
Baiana, brasileira, administradora e apaixonada por idiomas e viagens, leitura, fotografia, música, escrita, entre tantos outros hobbies. Apesar de nunca ter estudado o ato da escrita e suas influências, sempre escrevi para ajudar projetos de estudo de amigos apenas pelo prazer da escrita. Talvez por uma influência de ter um pai poeta, um tio escritor e uma mãe professora que sempre soube se expressar muito bem com as palavras. Continuo viajando pelo mundo (sou uma eterna viajante), conhecendo novas culturas e idiomas e estou sempre em busca de uma vida mais simples e hábitos saudáveis.

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