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5 coisas que você pode aprender com seu animal de estimação

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Gatíneos, catioros e outros mascotes nos ensinam sobre humildade, perseverança e principalmente amor.

Thelmus Dilmus entrou em na minha vida e na do meu namorado de uma maneira inesperada e totalmente decisiva. O processo de adaptação foi intenso, para nós e para ele. No início, a desconfiança era tanta que sua vida se concentrava em uma caixa de papelão e a parte de trás de nosso fogão. Aos poucos, porém, ele foi baixando a guarda e começando a reconhecer que a dupla de humanos babões estava longe de ser um perigo.

Hoje vivemos uma relação de afeto verdadeiro representada muito bem por carinhos atrás da orelha, montanhas de pelos que varremos quase diariamente e um saquinho especial de Whyskas de vez um quando. Dizem que a convivência deixa os seres mais parecidos e a verdade é que Thelmus passou de ser um aventureiro gato de rua para tornar-se um preguiçoso espécime, que ama comer e cochilar na cama ou na varanda. Coincidência ou não, seus papais humanos também compartilham esses hobbies.

Por outro lado, acho que também estamos aprendendo uma ou outra coisa com o gatíneo, e esse instinto animal tão inteligente que às vezes nos assombra como pais orgulhosos e às vezes tira a gente do sério. Quando paro para pensar nos mascotes que já tive, todos tão doces e espalhafatosos, as lembranças são sempre felizes. Com meu irmão crescemos cercados de cachorros, hamsters e outros pets tão queridos e, independente do tipo ou tamanho, acredito que aprendemos coisas deles e que com sua companhia nos tornamos pessoas melhores. Hoje sei que quando decido encarar a vida como Thelmus, com certeza me enfocaria menos nos problemas e mais nas partes lindas.

#1 A curiosidade que não mata o gato

Thelmus adora saber tudo e se meter em tudo. Se ele não foi chamado então, melhor ainda. O processo de Thelmus em entender seu novo lar, por exemplo, foi uma montanha-russa de surpresas. Sua primeira caminha foi uma caixa de papelão, mas logo ele começou a aventurar-se saltando nos distintos móveis e conhecendo cada cantinho possível. Com passinhos calculados e miados assombrados, ele foi cheirando e descobrindo seu novo lar.

Primeiras semanas. Não foi fácil pra ninguém

O apartamento não é grande, mas para Thelmus o conjunto de coisas, cores e cheiros da casa representa infinitas possibilidades. Mesmo hoje, um ano depois de adotado, Thelmus mantém a mesma curiosidade felina dos primeiros dias. Parece que pensa que cada vez que sai de um aposento, esse lugar se transforma completamente. Então ele precisa voltar a conhecê-lo e cheirá-lo quando entra novamente. Além disso, sempre que chegamos do trabalho está com o nariz a postos para descobrir as novidades que trazemos da rua. Assim, Thelmus encara o mundo como algo incrível, que deveria ser explorado (ou cheirado) continuamente e que cada dia traz novas oportunidades.

Eu admiro a sua capacidade de encontrar algo interessante ou curioso no seu entorno todos os dias . Um novo brinquedo, um novo lugar para a soneca, um novo esconderijo. Sua curiosidade faz com que eu também tenha vontade de ver o mundo de uma maneira positiva e divertida, valorizando cada coisa e pessoa que encontro no caminho, começando cada novo dia com a certeza de que vou encontrar algo incrível. Quero ser mais como ele! Levar minha vida com essa atitude admirada, otimista e grata por viver em um mundo tão repleto de possibilidades!

Hoje em dia, não há limites para a sua curiosidade.

#2 Persistência gatuna

Devagarzinho e com insistência, um gato consegue tudo o que quer. Às vezes me sento para ler ou trabalhar no computador e pelo canto do olho percebo Thelmus me encarando sutilmente desde sua caminha. Finjo não reparar, rezando para ter alguns minutos de tranquilidade, mas quase sempre já sei o que vai acontecer.

Com passinhos leves e sem fazer barulho, o gatuno vai se aproximando, rápido e silencioso. Quando olho de novo ele já está no chão ao lado da cadeira, me olhando com sua cara inocente. Eu pisco e ele já se teletransportou para meu colo. Saltitante, mas sem pressa, Thelmus Dilmus se faz de surdo para meus protestos e em questão de segundos já se empoleirou no meu laptop ou bem em cima da página aberta do livro. Quando alcança seu objetivo, o sem vergonha ainda tem a audácia de ronronar e olhar pra mim como quem diz “ah, você estava ocupada? Não percebi…”.

Se tem uma coisa que Thelmus Dilmus é, é persistente. Ele não desiste das suas ambições e encara cada uma delas, independente do grau de dificuldade ou importância, com a mesma destreza e determinação. Gatunos conseguem o que querem porque não desistem e, sem fazer alarde, traçam estratégias, fazem planos e os seguem à risca. Mesmo quando tento surpreende-lo e me mudo de lugar no meio da operação, Thelmus tem capacidade analítica para traçar um plano B e terminar confortavelmente sentado em seu objetivo.

Não seria interessante se ao invés de sonhar com objetivos que parecem inalcançáveis e queixar-nos tanto dos passos que temos que dar fossemos mais ligeiros e destemidos como os gatos? Em vez de refletir, discutir, organizar e reorganizar nossas agendas, simplesmente tivéssemos a coragem de seguir nosso instinto e realizar as ações necessárias para alcançar a recompensa final? Menos estresse, mais ação felina, minha gente.

#3 Extravasar o mau humor

Um dos maiores receios dos donos é o estado de seus móveis uma vez que um gatinho chega. É só olhar para as garrinhas afiadas dos bichanos pra engolir em seco. Como salvar o sofá, mesas e afins daquelas garras? Para os que não sabem, os gatunos têm uma necessidade constante em afiar suas garrinhas e usam o que tiverem ao alcance. Se você for esperto como nós, vai comprar um arranhador especial. Ou, no nosso caso, um palácio que oferece todas as comodidades que um gato moderno pode precisar!

Todos os dias, Thelmus usa o arranhador. Ele se aproxima, se senta majestosamente em frente ao palácio e coloca toda a sua força nas duas patinhas dianteiras. Elas deslizam pelo material durinho do arranhador, afiando as garrinhas e, bom, destruindo pouco a pouco o brinquedo. Mas tá ótimo, antes isso que meu escritório de madeira! Essa é outra prática gatuna que me interessa muito, porque parece quase uma terapia. Todo o possível mal humor que Thelmus tenha acumulado desaparece naqueles segundos de exercício. O arranhador é tudo que precisa para extravasar seus dramas. Quem disse que os gatíneos não se estressam?

Afinal, todos temos nossos momentos cinzas. O problema é que muitas vezes damos mais atenção aos sentimentos negativos que às coisas boas. Quem nunca ficou remoendo uma briga, sem conseguir pensar em outra coisa? Quem nunca se sentiu mal humorado todo o dia? Ou terminou descontando em outras pessoas a sua irritação, mesmo que elas não tivessem culpa? Quando vejo Thelmus Dilmus e seu ritual para afiar as unhas penso se não seria saudável copiá-lo. Se em algum momento eu pudesse descontar minhas frustrações ou dores de cabeça em algo físico e instintivo. Instantes que me ajudassem a filtrar o sentimento negativo para poder seguir o dia tranquila e aberta. Será que já existem arranhadores para humanos?

animal de estimação
O Paláciooooo!

#4 Respeite meu espaço pessoal

Muitos dizem que os gatos são animais frios, que não gostam do contato humano e não são amorosos. Eu mesma acreditei nessa visão por muito tempo. Mas ao adotar Thelmus descobri que não é verdade. Os gatos são super carinhosos. Meu gatuno adora brincar e nunca diz não a um afago na barriga! Com certeza cada gato é um gato e pelos que eu já conheci, as personalidades dos bichanos mudam bastante. Mas como qualquer outro animalzinho, eles precisam de amor e atenção e estão mais que felizes em retribuir.

Claro que os gatos diferem em muitas coisas em comparação com outros animais. Em alguns momentos eles querem nossa presença constantemente.  Inclusive Thelmus mia como um louco toda a vez que chego em casa como quem diz “por quê você me abandonou todo esse tempo? POR QUÊ???”, mesmo quando eu só sai uns minutos para levar o lixo.

Mas eles também apreciam e muito seus momentos de paz porque se sentem felizes sozinhos também. Seja em um cochilo ou em algum jogo secreto que só eles entendem, Thelmus faz questão de aproveitar seu “me time”. Dizem que os gatos são animais independentes, mas vai além disso. Eles não são 100% independentes, ao menos os gatos mascotes dependem de seus donos para comer, tomar água e outras coisas. Mas isso e a relação de afeto que desenvolvem com seus donos não mudam o fato de que eles também querem ter o seu espaço pessoal.

“Me amem!”

Nisso eu me identifico uma vez mais com meu gatíneo. Todos precisamos de carinho, somos seres sociais que adoram uma boa conversa, abraços, atenção. Mas todos também sentimos a necessidade de estar com nosso “eu” interior e nada mais. Saber respeitar e viver isso é um grande plus! São meus momentos, só meus, em que faço as coisas que gosto. Desfruto de uma boa caneca de chá, leio, escrevo, caminho. Sejam alguns minutos ou horas, esse tempo comigo mesma são importantes. Porque me ajudam a refletir e exercitar outro tipo de amor tão importante quanto o que eu recebo dos demais, o amor-próprio.

Animal de estimação é tudo de bom!

Essas são quatro coisas que admiro em meu gatinho e que aprendo dele. Thelmus Dilmus não é só uma companhia divertida. Ele é também um lembrete de que as coisas podem ser mais simples e, como consequência, mais lindas. Para mim, se damos amor e cuidamos dos nossos pets, eles vão retribuir com o seu carinho e como inspiração para uma vida mais serena e feliz. Talvez você ache que isso tudo é bobagem e que um ser inferior como um gatinho ou cachorro não pode te ensinar nada. Pense de novo, caro homo sapiens. Se escutássemos nossos instintos um pouquinho mais e nossos cérebros super desenvolvidos menos, veríamos aprendizados em todos os lados. Com todos os tipos de seres!

O que será que seu mascote vai te ensinar hoje?

Regiane Folter
escrito por:Regiane Folter

Sigo minha vida escrevendo e vivendo, pra ter sobre o que escrever. Sou filha, irmã, companheira, amiga, mãe de catioros e gatíneos. Também sou poetisa de fim de semana, sonhadora compulsiva e leitora serial. Comecei a escrever quando ainda nem sabia direito falar. Depois aprendi a viajar e a viver minhas histórias antes de publicá-las. Espero um dia viver das coisas que escrevo para ter mais tempo pra estar com quem amo, cuidar de quem precisa e ter a infinita sorte de aprender mais sobre o mundo.

1 Comentário

  • Sou fã deste blog e amei este texto. Tenho sorte, se é que existe, de ter a companhia de dois gatíneos lindos: a Artois (primogênita) e o Bumblebee (chegou em casa 2 anos depois).
    Além de todos estes aprendizados, também aprendo com eles a grande sabedoria de me aceitar como sou.
    Os gatos são felizes em ser quem são, não querem ser tigres ou leões, não se comparam…
    Vivem plenos e majestosos. Apensas são.

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