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Agricultura Biológica: Guia Básico do Iniciante

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*Texto adaptado de Sustentabilidade é Acção

Seguindo o fluxo dos nossos desejos brandos porém mais latentes, fizemos um curso de agricultura biológica em Portugal dividido em módulos práticos e teóricos. Saturados de conceito precisávamos por a mão na massa e o fato de existir organizações, como o CEARTE, órgão  facilitador de vários cursos totalmente grátis (deve-se atender certos critérios) nos impeliu mais ainda por esse caminho, que queremos seguir sempre à experienciar. Desenvolver projetos que envolvem agricultura biológica e sustentável é certamente um passo a favor do auto conhecimento e da felicidade. O princípio fundamental da agricultura biológica  é o respeito pela natureza e a estrita proibição de pesticidas ou adubos químicos de síntese. O solo é também um dos pilares fundamentais: ao contrário da agricultura “tradicional”, extensiva, que empobrece e mata o solo, com a prática da agricultura biológica o solo é enriquecido. Toda a matéria orgânica não consumida é devolvida ao solo (e mesmo parte da consumida: o estrume). Com compostagem ou sem compostagem (adubação verde).

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A agricultura biológica baseia-se na biodiversidade: para além de  certas plantas atuarem como “defensoras” ou “ajudantes” de outras (consociações de plantas), se ocorrer um problema com uma espécie, por doença, praga ou intempérie, há uma grande probabilidade de outras espécies, ou variedades, resistirem e não haver grandes perdas.

A agricultura  depende de uma miríade de insetos polinizadores, como as abelhas, e de insetos predadores de outros insetos “vegetarianos”, cujo exemplo é a joaninha, que é uma feroz devoradora de pulgões e outros pequenos insetos que atacam as plantas. Por isso, e porque a joaninha é extremamente sensível e só aparece onde não há aplicação de pesticidas, ela é um símbolo da agricultura biológica. Para os atrair estas visitas, certas flores (como os cravos-de-tunes) e as plantas aromáticas  são fundamentais.

collageLara e Emi no curso de Agricultura Biológica

Para quem quer iniciar na agricultura biológica, ficam aqui algumas dicas básicas, bem como algumas fotos . Mas sem dúvida que um pequeno curso teórico-prático é uma grande ajuda para começar bem.

1- Aplicar palha seca no seu jardim ajuda a evitar que as ervas daninhas brotem e mantém o solo fresco.

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NUNCA se deve revolver o solo a mais de 10 cm de profundidade (há quem discorde, e pode depender de muita coisa), porque isso destrói a sua biocapacidade. Também não se deve deixar o solo que foi revolvido às intempéries: sempre que possível, deve ser coberto com palha ou outras plantas usadas para a adubação verde, protegendo-o do sol e da erosão. Solo: Para além das características físicas (textura, estrutura,…), ou químicas (pH, nutrientes – nitrogenio, fósforo, potássio,…), as características biológicas do solo são importantíssimas. O solo é composto por materiais inorgânicos, ar, água e matéria orgânica.  A matéria orgânica, essencial, é composta pela parte já decomposta (humus), pela parte em decomposição (chamada parte ativa), pelos restos frescos de seres vivos (folhas, raízes, animais) e pelos próprios seres vivos. A olho nu, pode-se avaliar o seu potencial biológico pela cor – quanto mais escuro, geralmente, mais matéria orgânica.

2-Fertilização do solo

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Geralmente faz-se através do estrume ou composto (resultante da compostagem doméstica ou industrial de resíduos orgânicos), formas básicas mas sempre eficientes. Deve-se ter cuidado com o período da fertilização e a frequência, especialmente se for feita com estrume, pois se as plantas estiverem já semeadas ou plantadas não deve ser usado o estrume, e o composto só com precaução, dependendo da espécie e da fase (vegetativa ou reprodutiva). O estrume deve ser sempre usado algum tempo ANTES da plantação, para não causar choque às plantas e para dar tempo que bactérias nocivas morram.

3- Adubação verde: 

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Certas plantas são muito úteis para enriquecer o solo através da sua trituração e incorporação, especialmente leguminosas, que vivem em simbiose (nas raízes) com micro-organismos (Rhizobium)que sintetizam compostos de azoto a partir do nitrogênio do ar. Servem também para cobrir o solo protegendo-o. – O tremoço, uma leguminosa, é um bom exemplo para adubação verde, que deve ocorrer após a floração, mas antes da vagem ter sementes desenvolvidas. Corta-se, deixa-se secar cobrindo a terra, e  depois incorpora-se na mesma. – Os cravos-de-tunes são ótimos para bordadura e para afastar certas pragas. Devem ser enterrados na terra após o seu ciclo anual, pois ajudam a manter afastados do solo nemátodos indesejáveis.

4- Biodiversidade

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As joaninhas predadoras, aliadas do produtor no combate às pragas

A biodiversidade na horta é essencial para que haja maior resistência a picos de clima ou a pragas. Mesmo as ervas a que chamamos daninhas ou infestantes têm o seu papel. E umas são comestíveis (beldroegas, ançarinha-branca). Outras enriquecem a terra (trevo), outras são excelentes “pesticidas” (urtiga), outras aceleram a compostagem (urtiga, consolda) e muitas são medicinais (dente-de-leão, labaça, quelidónia-maior, carrajó, urtiga). Os melros dão cabo dos caracóis, mas precisam de ser chamados com certas árvores de fruta, como por exemplo ameixeiras. Deve-se deixar uma parte dos frutos para os pássaros que ajudam a combater certas pragas; mais vale perder parte dos frutos do que a produção.

5- Consociação

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Aproveitamento do mesmo terreno por duas ou mais culturas diferentes e na mesma época. Muitas espécies podem ser associadas entre si, porque se beneficiam mutuamente – as chamadas consociações favoráveis ou positivas. Mas também há consociações  desfavoráveis ou negativas. As flores são essenciais nas hortas para atrair insetos úteis; plantas aromáticas repelem pragas e também são essenciais numa horta.  Veja tabelas de consociações aqui, e relacionados com plantas aromáticas e insetos no Cantinho das Aromáticas  e exemplos aqui. – A hortelã é uma planta muito útil para afastar insetos indesejáveis, mas deve estar plantada em vaso porque é bastante invasora. – A erva príncipe é um ótimo repelente de insetos indesejáveis (sobretudo para quem tem cães – ver aqui), e dá para fazer um chá delicioso, mas é bastante sensível ao frio.

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A calêndula, usada em bordaduras, além de atrair insetos úteis, é repelente de certos insetos nefastos para a horta, e tem ainda a vantagem de ter pétalas comestíveis, que embelezam qualquer salada (usadas sobretudo em “alta cozinha”).

6- Sebes (cercas-vivas)

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 Vedações de árvores e arbustos que cercam campos agrícolas. São utilizados na agricultura biológica para fomentar a biodiversidade e proteção da erosão causada pelo vento e prevenção da perda de água. A sua altura depende da dimensão da horta, e não deve ensombrar demais a horta, que precisa de sol.

7- Bordaduras

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Pequenas sebes ou remates de canteiros com plantas aromáticas ou com flores, com a função de repelir insetos indesejáveis e atrair insetos polinizadores (úteis). Por exemplo, de  alecrim, alfazema,  tomilho,  zíniascosmoscravos-de-tunes, etc. (ver exemplo aqui).

8- Colheita

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Agora é só aproveitar!

E para finalizar, um vídeo com o exemplo de uma horta biológica no Porto, da Atimati!

Tudo em harmonia: as hortícolas, as aromáticas, as flores, os insetos, os animais domésticos, as pessoas, o trabalho e até a música!

Texto adaptado de “Agricultura Biológica: Algumas dicas” de Manuela Araújo.

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escrito por:Jardim do Mundo
Normal ou não, um clichê da sociedade contemporânea ou um casal unido por amor, afinidades e desafinidades, que transforma arte e ciências em pequenos projetos domésticos. Criar um jardim onde antes não se imaginava poder, provar de inúmeras receitas que são também oportunidades, utilizar e reutilizar ao máximo, aprender e aplicar princípios que projetam um estilo de vida mais simples e otimista, acreditando que podemos fazer algo de bom ou de belo enquanto fazemos algo para nós e não apenas para nós.

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