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Advaita – A Sabedoria da Grande Consciência

Advaita

Advaita é um dos caminhos que leva ao despertar da consciência cósmica, trazendo o conhecimento da não dualidade e ensinando o cultivo de bons sentimentos em nosso interior.

Advaita é uma sabedoria milenar que surgiu na Índia a partir dos “Vedas” livros sagrados da antiga Índia.

Advaita literalmente significa “não-dualidade” e Vedanta significa “a parte final (ou conclusão) dos Vedas”.

A Advaita sustenta que tudo aquilo que não seja a grande Consciência, eterna e infinita, é uma ilusão.

O Pilar Essencial da Filosofia Vedanta 

A unidade de existência é um dos grandes temas da Vedanta e um pilar essencial da sua filosofia.

De acordo com ela, a unidade é a canção da vida; é o grande tema que subjaz às ricas variações que existem em todo o cosmos. O que quer que vemos e o que experimentamos é apenas uma manifestação dessa eterna unidade. A divindade no âmago do nosso ser é a mesma divindade que ilumina o sol, a lua e as estrelas. Não há nenhum lugar onde nós, infinitos em nossa natureza, não existimos. Embora o conceito de unicidade possa ser intelectualmente atraente, sem dúvida é muito difícil colocá-lo em prática.

Não há nenhuma dificuldade em sentir essa unidade com os grandes e nobres seres ou com aqueles que já amamos. Também não é difícil experimentarmos um sentimento de unidade com as árvores, com o mar e com céu. Mas a maioria de nós se recusa a experimentar a unidade com seres repelentes tais como a barata ou o rato – sem falar no antipático colega de trabalho a quem mal conseguimos tolerar.

No entanto, é justamente aí que os ensinamentos da Vedanta são aplicáveis para perceber que todos estes múltiplos aspectos da criação estão unidos em e através da divindade. O Ser que está dentro de mim, a Consciência, é o mesmo Ser que está dentro de você, não importa se o “você” em questão é um santo, um assassino, um gato, uma mosca, uma árvore ou um motorista irritante com quem cruzamos no trânsito.

“O Ser está em toda parte”. “Aquele que vê todos os seres no Ser e o Ser em todos os seres, não odeia ninguém. Para quem vê a unicidade em todos os lugares, como pode haver decepção ou tristeza? ”. Todo o medo e toda a infelicidade surgem de nosso senso de separação da grande unidade cósmica, a rede do ser que nos envolve. “Existe o medo do segundo/do outro”.

A Vedanta afirma que a dualidade, o nosso sentimento de separatividade em relação ao resto da criação, é sempre um equívoco, uma vez que implica na existência de algo além de Deus. Não pode haver nenhum outro. “Esta grande pregação, a unidade de todas as coisas, que faz de nós um com tudo o que existe, é a grande lição a aprender”, disse Swami Vivekananda um século atrás.

De acordo com a Vedanta, o Ser é a essência do universo, a essência de todas as almas. Você é uno com o universo. Aquele que diz que é diferente dos outros, mesmo que apenas por um fio de cabelo, torna-se imediatamente infeliz. A felicidade pertence àquele que conhece essa unidade, que sabe que ele é uno com o universo.

Gratidão

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Advaita sobre Maya

A Vedanta declara que nossa natureza real é divina: pura, perfeita, eternamente livre. Não temos que nos tornar infinitos, nós somos o infinito. Nosso verdadeiro Ser, a Consciência, é um com o infinito. Mas, se nossa natureza real é divina, por que, então, estamos tão incrivelmente inconscientes disso?

A resposta para essa pergunta está no conceito de Maya, ou ignorância. Maya é o véu que encobre nossa natureza real e a natureza real do mundo à nossa volta. Maya é fundamentalmente insondável: não sabemos por que ela existe e não sabemos quando ela começou. O que realmente sabemos é que, como qualquer forma de ignorância, Maya deixa de existir com o raiar do conhecimento, o conhecimento da nossa natureza divina.

Diálogo entre um Discípulo e Bhagavan Sri Râmana Mahârshi, mestre de Advaita Vedanta:

Discípulo: Afirma-se que a existência do mundo é falsa, uma ilusão, Maya, mas vemos o mundo dia após dia. Como pode ser falso?

Bhagavan: Por falso entende-se que a concepção do mundo é uma superposição sobre a realidade, como a ideia de uma cobra se sobrepõe à realidade de uma corda, na escuridão (na ignorância). Isso é Maya, ilusão.

Discípulo: O que é Maya? Ilusão?

Bhagavan: Ver gelo sem ver que é água é ilusão, Maya. Portanto, dizer coisas como matar a mente ou algo assim não tem significado, pois, além disso, a mente também é parte e parte do Eu.

Maya não é uma entidade separada. A ausência de luz é chamada de escuridão, assim também a ausência de conhecimento, iluminação etc., é chamada de ignorância, ilusão ou Maya.

Sabedoria oriental

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Advaita Sobre o Karma 

A palavra karma vem do verbo sânscrito kri, fazer. Apesar de karma significar ação, significa também o resultado da ação. Qualquer ação que tenhamos feito ou qualquer pensamento que tenhamos tido criaram uma impressão, tanto em nossas mentes quanto no universo ao redor de nós. O universo nos devolve o que demos a ele: “Colhemos o que plantamos”. Bons pensamentos e ações criam bons efeitos, maus pensamentos e ações criam efeitos maus.

Sempre que realizamos alguma ação e sempre que temos algum pensamento, uma impressão – um tipo de marca sutil – é criada na mente. Algumas vezes somos conscientes desse processo de impressão; mas, com a mesma frequência deixamos de ser. Quando ações e pensamentos se repetem, as marcas se tornam mais profundas. A combinação dessas “marcas” cria nosso caráter individual e também influencia fortemente nossos pensamentos e ações subsequentes.  Se sentimos raiva com facilidade, por exemplo, criamos uma mente raivosa predisposta a reagir com raiva em vez de agir com paciência ou compreensão. Da mesma forma que a água ganha força quando se dirige a um canal estreito, também as marcas na mente criam canais de padrões de comportamento que se tornam extraordinariamente difíceis de resistir ou reverter. Mudar um hábito mental arraigado torna-se literalmente uma batalha morro acima.

Se nossos pensamentos predominantes são de bondade, amor e compaixão, nosso caráter reflete isso e esses mesmos pensamentos retornarão a nós cedo ou tarde.

 

Sula Camara
escrito por:Sula Camara
Sou profissional da área de Marketing e atuo como coaching. Apaixonada pela vida criei o projeto motivacional SER Transcendental.

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