1

Imagine se você perdesse a visão agora! Tudo escuro! Como você “veria” o mundo? Imagine que noite e dia só tem uma cor, que as flores não poderão mais serem vista, que as pessoas ao seu redor também não pudessem mais serem vistas. Imagine que você não pudesse mais se ver!

No filme iraniano, “A cor do paraíso”, Mohammad (Mohsen Ramezani) é um menino cego que estuda em um internato para cegos. Chegado as férias é hora dos pais virem buscarem os filhos, mas o pai de Mohammad, Hashem (Hossein Mahjoub), é o ultimo dos pais a chegar. Sua ideia era deixar seu filho no internato, mas convencido pelo professor e pelo diretor ele muda de ideia. E assim, os dois vão para casa que fica muito longe da escola e localizada bem no interior. Lá, esperam as duas irmãs e a avó pela sua chegada. O pai, que está com um casamento prometido, sente vergonha pelo filho ser cego, ele tem medo que o filho não consiga crescer e ser um adulto independente e, por isso, ele decide deixá-lo com um carpinteiro também cego para que aprenda um ofício, pois o carpinteiro também é cego e pode ajudá-lo. Mas a vó do menino é contra essa atitude do filho e sai de casa. Seu filho vai atrás dela e a leva para casa novamente, mas uma tristeza profunda toma conta da senhora por não ter seu neto em casa e daí em diante a vida de Hashem vira de cabeça para baixo.

707dffa2b864ea396251342e688340bd

Esse filme fala da aceitação pelo pai do filho que era cego, do resgate de um amor pelo outro. É muito fácil julgarmos as atitudes do pai, mas se ponha no lugar dele e perceba o sofrimento dele por ter um filho que não tem algo tão essencial para a vida, a visão. Ele ainda fala do amor da vó e das irmãs por Mohammad, que é tão lindo e verdadeiro, que quando ele é levado para aprender um ofício de carpinteiro a vó entra em depressão. E as irmãs não veem problema em seu irmão não poder enxergar pelos olhos. Para elas ele é uma criança como elas.

f12459cf0392a8fc32e215a08d2f3c8b

O filme ainda fala da insegurança do menino por achar que seu pai pudesse o abandonar por ele ser cego. E, principalmente, fala de uma forma de “ver” o mundo de uma forma diferente. Como ele não podia ver com os olhos, via o mundo com o tato e a audição. Na verdade, tentava, literalmente, ler o mundo, descobrindo sinais de braile em tudo que tocava e procurando formar palavras com essas letras.

a020d56a641bd36242453282e706930c

Com Mohammad, percebemos que existem outras formas de ver, podemos simplesmente fechar os olhos e ouvir os sons ao redor. E lhe garanto que ao fazer isso perceberá que existe muito mais sons ao nosso redor do que imaginamos. Experimente! Feche os olhos e ouça.

Outra coisa que podemos fazer é fechar os olhos e tocar as coisas, sentir seu relevo, sua superfície. Experimente pegar o primeiro objeto que vê à sua frente e fazer isso. Perceberá que há muito mais além da simples imagem dos objetos que vemos!

E para fechar, não poderia deixar de comentar sobre a vontade que dá de morar na vila onde a família de Mohammad mora! O lugar é lindo e simples! É uma vila que vive da agricultura familiar, com casinhas rústicas de pau a pique e com campos de alfafa, flores e outras culturas e animais, como galinhas. Só vendo o filme para entender o que estou falando, é quase impossível descrever sobre aquele lugar.

Então bom filme!

Trailer

Link para assistir o filme online

Título: A cor do paraíso

Diretor: Majid Majidi

Ano: 1999

País: Irã

Charlene Peruchi
escrito por:Charlene Peruchi
Uma sonhadora, que acredita num mundo melhor e nos seres humanos vivendo em harmonia com a Natureza. Amante da fotografia, do artesanato e de músicas incomuns, diz que não viveria por muito tempo sem a arte na sua vida. Vegetariana por amor ao próximo e praticante de Yoga por amor a si. Em resumo, é um ser complexo que gosta da vida simples.

1 Comentário

  • Esse filme tocou-me profundamente. Preferia nunca tê-lo assistido, não consigo mais parar de pensar em Mohamed, Quero saber como está atualmente.

Deixe uma resposta

Junte-se a nós! Receba inspirações para uma vida mais leve no seu email.

Siga-nos